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segunda-feira, 13 de junho de 2016

CAPÍTULOS 10 A 12 DO LIVRO NEGRO DO AÇÚCAR (GRUPO 4)

MEDICINA E AÇÚCAR Basta dizer que, enquanto ninguém questiona a existência de um componente genético para a resistência à insulina, a grande diferença entre o estardalhaço e as evidências concretas tem dificultado a identificação dos genes envolvidos. Consequentemente, a base genética da resistência à insulina e, por extensão, do diabetes Tipo 2 , permenece desconhecida. Robins & Cotran Os médicos e o açúcar A maioria dos médicos não sabe o que é açúcar. As razões são compreensíveis, a começar pelo fato de que médico também é gente, já foi bebê e se alimentou de mamadeira de mingau de Maizena com açúcar preparada por sua mãe, comeu torta de aniversário com guaraná, juntamente com seus irmãos e amiguinhos. E Freud já explicou o quanto são marcantes as impressões que recebemos quando crianças. Os médicos também sabem sobre açúcar o que aprenderam nos bancos da faculdade. O festejado Guyton, por exemplo, diz que existem apenas três grandes fontes de carboidratos na dieta humana normal (o negrito é meu ). São eles a sacarose (açúcar de cana), a lactose e os amidos .96 Temos aqui um detalhe que a medicina devia prestar mais atenção: qual seria o consumo de sacarose se não existisse o famigerado do açucareiro? E o de frutose? A sacarose só é grande fonte de carboidratos sob a ditadura do açúcar. Com a vitória de nosso movimento político-nutricional, a presença dela na dieta, aí sim, normal, será residual, porque a própria natureza se encarrega de apresentá-la já convertida a glicose ou frutose. E a frutose natural no contexto dos nutrientes totais é também residual. A natureza deve ter boas razões para a administração moderada desses dois açúcares. Os livros de medicina não tratam do metabolismo da sacarose refinada em capítulo próprio como é feito com o álcool; os médicos estudam o metabolismo dos 96 Guyton, A. Op. cit. p. 624. carboidratos . O que acontece no organismo quando se ingere um copo de leite é bem diferente do que acontece com um copo de leite com Toddy ou Nescau. Mas o que é ensinado, neste caso, é que o problema chama-se gordura. A doutrinação contra a gordura a que são submetidos os médicos é tão violenta que chega a torná-los cegos. O doutor Leão Zagury, por exemplo, em Diabetes sem medo, à página 19 diz: Ao se alimentar, as pessoas ingerem açúcares, proteínas, vitaminas e sais minerais . Um verdadeiro ato falho: ele esqueceu de mencionar as gorduras. Por sorte Guidacci, que ilustrou o livro, não foi doutrinado e incluiu a gordura entre os alimentos da cesta básica desenhada por ele. E na mesma página: A glicose é a maior fonte de energia do organismo . Todos sabemos que um grama de glicose dá quatro calorias, contra nove calorias por grama de gordura. Aqui,em vez de ato falho houve autoengano97 . Outro exemplo interessantíssimo está em artigo do doutor Alexandro Gugliucci. Referindo-se à reação (Maillard) que ocorre entre açúcares e as proteínas que faz com que o doce de leite fique marrom, diz: a lactose e a glicose do leite reagem com a caseína e a lactoalbumina para dar complexas estruturas, de cor amarronzadas, que são precisamente AGEs- Produtos finais da glicação avançada de proteínas .98 Que eu saiba não se faz doce de leite contando apenas com a lactose e a glicose (componente da lactose do próprio leite) e sim com a grossa quantidade de sacarose adicionada. É a sacarose a fonte da glicose que glicosila e oxida o leite da mesma forma que faz com a hemoglobina e outras proteínas do corpo humano. Falta também um capítulo nos livros de medicina que trate das virtudes patológicas do açúcar. Leio em uma enciclopédia antiga, só encontrada em sebos, a Enciclopédia Brasileira Mérito, o verbete sacarismo: conjunto de fenômenos mórbidos, agudos ou crônicos que resultam da ingestão exagerada de açúcar . Os fenômenos constatados assemelham-se aos do alcoolismo, mas o mecanismo de sua produção é ainda mal conhecido , diz a enciclopédia. Mal estudado, digo eu. No filme Super Size Me, já vimos isso aqui, seu protagonista Morgan Spurlock, depois de um período alimentando-se da dieta açucarada do McDonalds, teve seu fígado comparado com o de um alcoólatra pelo médico que o examinava. O que nos leva a crer que o açúcar é qualquer coisa parecida com um tipo de álcool em pó. Leio o livro Mecanismos Básicos de Doenças, que trata de patologia dos processos gerais e estuda as causas e os mecanismos das doenças e da interação de agentes agressores e reações do organismo . E me ocorre que o açúcar pode ser entendido como um agente agressor do organismo: produto químico barato, travestido de alimento, o açúcar provoca cárie e obesidade, desidrata, desmineraliza, desvitaminiza, acidifica, irrita mucosas do tubo digestivo, desequilibra o sistema glandular endócrino e osmolar e ainda inferniza todo o organismo com o fenômeno da glicação não-enzimática de proteínas (GNP). Isso tudo não é razão suficiente para a sua inclusão nos livros de patologia? O metabolismo do álcool está lá. Qual a razão do privilégio para o açúcar? Ou será o dedo da ditadura do açúcar na redação dos livros médicos? E o mais interessante seria que fossem estudados os efeitos a longo prazo do consumo continuado da dieta açucarada, que a meu ver leva à obesidade, ao diabetes e outras doenças metabólicas e degenerativas. Fico aguardando o lançamento do livro Fisiopatologia do Açúcar. Em livros médicos mais antigos, de autores como Afrânio Peixoto, encontram-se rasgados elogios ao açúcar. Até Rinaldo de Lamare o açúcar sempre foi tido na mais alta 97 Sobre esse conceito vide Giannetti, E. Autoengano. São Paulo: Cia. das Letras, 1997. 98 Gugliucci, A. Glicación de proteínas: rol protagónico de la hiperglicemia en las complicaciones crónicas de la diabetes mellitus in: Revista Medica del Uruguay, Vol.16 pp. 58-75 in: www.smu.org.uy. conta. O Dr. Lamare fala com entusiasmo do açúcar e tem um pouco de má vontade para com o mel. O Dr. João Curvo ao lidar com o tema açúcar dava uma no cravo e outra na ferradura. O Dr. Flávio Rotman gastou tinta e papel para defender o açúcar. A essa altura do campeonato acho imperdoável um médico não saber o que é açúcar e, sabendo do que se trata, não lhe dar combate. O Dr. João Uchôa Junior, por exemplo, diz com todas as letras: O açúcar natural glicose- é elemento vital ao nosso organismo; sendo assim nunca deve ser eliminado. O que já não falo do açúcar refinado, que, reconhecidamente faz mal à saúde .99 (negritos meus). Hoje em dia, na era da medicina biomolecular ou ortomolecular e dos oligoelementos, o açúcar tem que ser deslindado até o último cristal enantiomorfo, dextrógiro ou levógiro. Na página de um professor de química na internet (www.rossetti.eti.br) está dito que o organismo humano somente digere açúcar na forma dextrógira encontrada na natureza. E o açúcar do açucareiro? E o açúcar invertido ? Dos médicos alienígenas o que jogou mais duro com o açúcar foi Robert Atkins e com certeza por isso mesmo sempre foi tido como uma ovelha negra no pasto da medicina americana. Carboidrato assassino - era assim que ele se referia ao açúcar. Vale a pena recordar o momento em que o doutor Atkins descobriu o açúcar: No entanto, o que é mais espantoso são as provas que apontam para o açúcar... para o velho e simples açúcar que a maior parte das pessoas toma no café, come em doces, guloseimas e refrigerantes... como sendo um dos principais fatores para as hipertensões, doenças cardíacas, cansaço e uma quantidade de outros males crônicos e comuns . E o doutor Atkins assumiu como missão ensinar a como se livrar desse inimigo oculto em sua dieta .100 E ainda dizia O trabalho de descobrir onde o carboidrato assassino se encontra é fascinante . Isso explica o anátema que caiu sobre ele, que continua sendo perseguido até depois de morto. Atkins, não obstante, considerava o açúcar um carboidrato concentrado . Cleto Seabra Veloso, médico brasileiro que escreveu sobre nutrição na segunda metade do século que findou, classificava o açúcar como alimento derivado , assim como o pão é derivado do trigo. Ambos estavam errados. O açúcar não é alimento e muito menos derivado ou concentrado. Trata-se de um composto que foi isolado, quer dizer separado da cana-de açúcar, e ao cabo dessa operação de refino a sacarose deixa de ser alimento e entra para o time dos agentes químicos puros . O caldo de cana é um alimento, o melaço e a rapadura podem ser chamados de alimentos concentrados. A sacarose pura não se enquadra mais no conceito de alimento. Da mesma forma que não podemos confundir o oxigênio puro com o ar que respiramos. Os verdadeiros açúcares da natureza, a glicose e a frutose, não demandam hidrólise; já essa substância precursora de açúcar que é a sacarose antes de ser assimilada pelo organismo humano necessita de uma hidrólise depletora de nutrientes. A sacarose é ainda o substrato preferido das bactérias cariogênicas e é portadora de um lixinho químico fino resíduo do processo de refino. O aporte calórico proporcionado pela glicose do açúcar provoca hiperinsulinemia. E essa glicose extra contribuirá ainda para o fenômeno da lenta glicação e oxidação de todo o organismo. Já vimos no tópico sobre o de excesso de açúcar que trata-se de um conceito enganoso. A seguir um flagrante de médicos diante do dilema do alto consumo de açúcar nos longínquos meados do século XX, quando o consumo de açúcar era a metade do que é 99 Uchôa,J. Só é gordo quem quer. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara, 1986, p. 68. 100 Atkins,R & Linde S. A dieta da superenergia do Dr Atkins. Rio de Janeiro: Artenova, 1978, p. 19. hoje: O açúcar não contém vitaminas nem minerais. É quase 100% puro e proporciona gosto doce, necessário para realçar o paladar de muitas substâncias como chocolate e sucos de frutas. Desta maneira, o açúcar facilita a ingestão de vitaminas e minerais que seriam, de outro modo, rejeitados como constituinte da dieta.. Quando se conjetura sobre a influência que terá o tremendo consumo de açúcar sobre a incidência do diabetes no futuro, fica-se vacilante. Talvez nenhuma. Possivelmente, o tecido insular aumentará rapidamente a produção de insulina para satisfazer suas maiores necessidades. Existe pelo menos esta esperança . Esses parágrafos são do livro Os fundamentos farmacológicos da prática médica, de John Krants Jr e C. Jelleff Carr. Antes de o açúcar invadir a mesa da humanidade não me ocorre nenhum alimento que tenha deixado de ser consumido por falta de açúcar. Ao contrário, a humanidade passou a consumir belas porcarias que sem grandes quantidades de açúcar seriam intragáveis. Quanto à postura diante do tremendo consumo de açúcar , médicos ficarem torcendo pelas ilhotas de Langerhans parece-me um tanto quanto irresponsável. O vertiginoso amigo do Dr. Fukuda Açúcar, amigo ou vilão? Este é o título do livro lançado recentemente pelo médico Yotaka Fukuda. O livro, segundo o Jornal de Jundiaí on line, www.jj.com.br , esclarece de uma maneira clara (sic) de que forma o açúcar age no organismo humano. O interesse do Dr. Fukuda pelo açúcar teve início por ocasião de sua tese de doutorado sobre o efeito do açúcar no labirinto (órgão responsável pelo equilíbrio do corpo). Ainda segundo a página do jornal, o Dr. Fukuda é autor de três livros e mais de uma centena de artigos publicados em livros e revistas médicas, sendo 29 em revistas internacionais, e 53 orientações de tese de mestrado e doutorado. Com toda essa experiência na área médica, Yotaka Fukuda afirma que o açúcar é amigo , o grande problema é o consumo em excesso . O caderno Estilo do referido jornal entrevistou o Dr. Fukuda. Ele disse que o excesso de açúcar provoca hiperinsulinemia e que as principais doenças relacionadas ao açúcar são obesidade, diabetes Tipo 2, hipertensão arterial, labirintite e dislipidemia. O Dr. Fukuda esqueceu da cárie dentária, a mais popular epidemia provocada pelo açúcar. Mas respondendo ao jornal disse que para prevenir as doenças causadas pelo açúcar é necessário reduzir drasticamente o consumo de açúcar e praticar exercícios físicos .Indagado sobre o açúcar mascavo, o médico diz que do ponto de vista de estímulo à produção de insulina há pouca diferença entre o refinado e o mascavo. Diz ainda que mel de abelhas ou qualquer adoçante artificial é melhor que açúcar, inclusive o aspartame, embora todos devam ser usados com moderação. O consumo de açúcar desde a infância, segundo ele, arma uma bomba que irá explodir três a quatro décadas após, na forma de infarto cardíaco, perda de visão etc. . Fukuda conclui dizendo que cada brasileiro anda consumindo 35 quilos de açúcar por ano e que o ideal seria 7 quilos. Sete quilos de açúcar por ano dão aproximadamente 20 gramas de açúcar por dia. Ora, tem gente usando essa quantidade de açúcar para adoçar apenas uma xícara de café. Mesmo limitado-me ao que o médico disse nessa curta entrevista sobre o açúcar, eu pergunto: com um amigo desses, alguém precisa de inimigo? A tese do Dr. Yotaka Fukuda é sobre alterações no funcionamento da orelha interna provocadas por flutuações da concentração sanguínea da glicose e da insulina. O doutor Fukuda, juntamente com seu orientador de tese, Dr. Luiz Mangabeira Albernaz, criou um modelo bioquímico para explicar de que forma a hiperinsulinemia conseqüência do consumo de açúcar acarretava distúrbios no labirinto, órgão responsável pelo equilíbrio das pessoas. A contribuição de Fukuda à medicina foi relacionar o consumo de açúcar à labirintite. Portanto quem gosta de comer açúcar deve prestar atenção aos seguintes sintomas: a manifestação clássica é a vertigem com sensação de que tudo está girando, podendo ocorrer náusea e vômitos, taquicardia, suor frio e palidez. Entre as crises vertiginosas suas vítimas sentem angústia, ansiedade, insegurança, depressão, pânico e até sensação de morte iminente. Associado à vertigem surgem o zumbido no ouvido, a irritabilidade a ruídos e risco de perda de audição. A tontura, além da giratória, típica da labirintopatia disglicêmica, pode manifestar-se como sensação de flutuação: as paredes, o chão e o teto parecem não estar fixos, aproximando-se ou se afastando. Outros sintomas para finalizar são enxaqueca, insônia e sonolência, vista embaçada e, claro, o equilíbrio fica comprometido. Agora, o mais importante de tudo - o tratamento para essas mazelas todas: basta deixar de comer açúcar. O doutor Yotaka Fukuda elaborou um interessante esquema teórico para explicar como o açúcar faz mal ao ser humano. Ele designou sua teoria como teoria dos três en ou tresen (encéfalo sistema nervoso; enzimas sistema digestivo; endócrino sistema glandular). O açúcar da dieta açucarada moderna age sobre esses três sistemas ativando um círculo vicioso destrutivo. A seguir, a descrição do funcionamento desse mecanismo. O açúcar age nos sistemas nervoso, digestivo e endócrino de forma intensa e sinérgica, um ativando o outro, originando um círculo vicioso. As porcarias açucaradas infelizmente estimulam todos os órgãos dos sentidos dos tolos, estimulando o apetite e a conseqüente gula. Quanto mais açúcar se ingere, mais as células do intestino se adaptam às necessidades secretando mais enzima sacarase, possibilitando absorção de quantidade cada vez maior de glicose, em tempo cada vez mais reduzido .101 Isso força a superprodução de insulina, que promove uma rápida transferência de glicose sanguínea para o interior das células, fazendo cair o nível de glicose. Essa hipoglicemia estimula a produção de glucagon, hormônio pancreático que entre outras funções ativa o centro da fome no cérebro, provocando a necessidade de comer mais açúcar. Para isso, estimula também a produção da sacarase. A nova ingestão de ração açucarada por sua vez vai provocar de novo a hiperinsulinemia, que por sua vez ... é o círculo vicioso movido a açúcar. A popular vertigem que até a tese do doutor Fukuda era tratada em seus sintomas passou a ser atacada em suas causas. Pacientes que estavam em tratamento por anos seguidos com medicamentos e até com cirurgia eram curados simplesmente evitando-se o açúcar , afirma o médico paulista. Para fechar com chave de ouro a participação do Dr. Fukuda vejamos o que ele nos diz sobre açúcar e alergia em seu livro. Alergia é uma reação do sistema imunológico a um corpo estranho ou a um agente agressor do organismo. Essa reação pode ser a contato, inalação, inoculações ou ingestão de moléculas ou substâncias às células de nosso 101 Fukuda, Yotaka. Op. cit., p. 67. organismo. E o açúcar, como um dos alimentos mais consumidos, é também uma das causas mais freqüentes (de alergia) . Vítimas privilegiadas do açúcar são os bebês - uma tremenda covardia. A dieta açucarada empurrada goela abaixo do bebê exige de seu corpinho uma quantidade de sacarase, a enzima específica para quebrar a molécula de açúcar que seu organismo não tem. A natureza não previu que o homem um dia iria adulterar até alimentos de bebês com um produto químico nocivo e insuspeito só porque é doce. Por causa disso algumas moléculas de sacarose são absorvidas e incorporadas pelo mecanismo denominado pinocitose (envolvimento das moléculas de açúcar pelas células intestinais). O sistema imunológico estranha aquele subversivo infiltrado no corpinho do bebê e aciona o sistema de defesa. Nesse processo são produzidas substâncias vasoativas como serotonina e histamina que, liberadas em grande quantidade, causam manifestações alérgicas em todo o organismo. Atenção, quem tem bebê em casa. Algumas manifestações alérgicas que podem ser causadas pelo açúcar: coceira, transpiração, furúnculo, vermelhidão, cera no ouvido, espirro, nariz entupido, edema, herpes, gengivite , afta, pigarro, tosse, rouquidão, respiração ruidosa, azia, má digestão, arroto, flatulência, fraqueza e palpitações no coração. Como vimos, o açúcar é um verdadeiro amigo da onça. A vida ou a morte do bebê? O livro A vida do bebê, do Dr. Rinaldo de Lamare, coroando uma trajetória de sucesso, recentemente foi publicado em fascículos anexos a um grande jornal, o que contribuiu para massificar ainda mais a sua influência. O livro ganhou status de um verdadeiro manual de instruções do bebê. Por pouco as mulheres não pariam o livro junto com a criança. O livro é de formato grande e na sobrecapa traz a foto de um lindo bebê de olhos azuis, que não é fácil achar no Brasil, país de povo mestiço. Peguei no livro para ver o que dizia sobre açúcar e fiquei estarrecido. Primeiro vejamos o entusiasmo que o Dr. Lamare manifesta sobre o açúcar. Açúcar é muito importante na vida do bebê , sentencia, apesar da ressalva: Quando se trata de açúcar comum a higiene não deve ser descuidada, sendo prudente juntá-lo ao leite de vaca antes de ser fervido, a fim de ser esterilizado ; e usar açúcar em tabletes, que vem recoberto de papel protetor . Ainda dentro das primeiras 24 horas de vida do recém-nascido o livro já recomenda mamadeira adoçada com Nidex (maltodextrina não fermentescível), porque nem sempre há tolerância do bebê ao açúcar comum, que pode provocar diarréia . Agora vejamos o que o Dr. Lamare acha de refrigerantes: não convêm à criança, mas temos de tolerá-los e o melhor que os médicos podem fazer, segundo ele, é reduzir o seu emprego e disciplinar a maneira de dá-lo , não o permitindo antes ou durante as refeições e sim depois delas. E ainda: É muito preferível, se não for possível dar um copo de leite (com açúcar), dar um suco de frutas frescas, feito na hora, açucarado . Quanto ao chocolate, é um alimento rico em valor nutritivo; contendo gordura e proteínas em grande dose e, além disto, o chocolate contém dois alcalóides . Em nenhum momento o Dr. Lamare menciona que 50% do chocolate é açúcar puro; aliás, se o fizesse seria certamente para dizer que isso é uma virtude do chocolate. Ainda falando de chocolate, nosso autor dá uma informação importante: que chocolate é rico em ácido oxálico, que quando misturado ao leite se combina com o cálcio deste formando o oxalato de cálcio, que não é absorvido pelo intestino. Ainda segundo o Dr. Rinaldo de Lamare, essa combinação destrói a importante função do leite, que é fornecer cálcio . Entretanto , continua, não se deve esquecer de dar alimentos ricos em cálcio, sobretudo o creme de leite e o doce de leite . Agora o ponto alto do livro é quando trata de constipação ou prisão de ventre em bebês de apenas 15 dias de nascido: o tratamento recomendado inclui aumentar a quantidade de açúcar, de uma colher, das de chá, a até uma ou duas colheres das de sopa bem cheias para cada cem gramas de alimentos (negrito meu).102 O Dr. Aderbal Sabrá, em seu livro Diarréia na infância, fornece informações que dão para compor uma explicação do que acontece no ventre do bebê do Dr. Lamare: A ingestão excessiva de açúcar produz uma diarréia por mecanismo osmolar secundária a esse excesso de ingestão de substância osmoticamente ativa com aporte acima da capacidade digestiva e absortiva. A superdose de açúcar impõe uma carga osmótica ao intestino delgado, causando uma aceleração do trânsito e aumento do volume líquido luminal com conseqüente diarréia . 103 Ainda dentro do assunto, falando sobre intolerância aos hidratos de carbono em crianças, diz o Dr. Sabrá: A manifestação clínica é diarréia aquosa explosiva, distensão abdominal, flatulência, vômitos e parada do crescimento. A escoriação perianal é comum 104 . O hidrato de carbono em questão aí é o açúcar, chamado por um nome genérico pelo qual são conhecidos a batata, o arroz e o pão mas que se diferencia deles por ser um agente químico agressor, o que explica o sofrimento das crianças que passam por esse problema. A diarréia prolongada é conseqüência freqüente da intolerância aos açúcares e a acidose metabólica é complicação da diarréia , acrescenta o Dr. Sabrá. Além disso, no cólon o açúcar é metabolizado por bactérias, produzindo ácidos graxos de cadeia curta e ácido lático e causando fezes ácidas, agravamento da diarréia, flatulência e dores abdominais. Num caso desses a solução é simples: basta zerar o consumo de açúcar para que o quadro mórbido desapareça. Para saber se uma criança é intolerante ao açúcar, utiliza-se o Teste de Tolerância à Glicose. Obriga-se a pobrezinha a ingerir uma solução a 10% de açúcar e espera-se que ela não vomite. Vômitos são ocasionais , segundo o Dr. Sabrá. Para evitar esse inconveniente , ainda segundo o médico, introduz-se a água com açúcar diretamente no duodeno com auxílio de sonda. Tremenda covardia. O inerme e pequeno ser fica sem sua única defesa diante do açúcar: a possibilidade de vomitar. A vida do bebê hoje está em sua 41ª edição, seu autor já faleceu e o livro foi revisto e ampliado pelo doutor Geraldo Leme que endossou as doces recomendações do Dr. 102 Lamare,R. de. A vida do bebê. Rio de Janeiro: Bloch, s/d, 32 edição, p.146. 103 Sabrá, A. Diarréia na infância. Rio de Janeio: Cultura Médica, 1982 p. 34. 104 Idem., p. 46. Lamare apesar de irem de encontro ao que recomendam profissionais e instituições de saúde pública. Prescrevendo o açúcar da maneira que o Dr. Rinaldo de Lamare prescreve, acho que o livro deveria se chamar A morte lenta do bebê. Não à toa o livro é um verdadeiro catálogo de doenças que acometem as pequenas e inermes vítimas da ditadura do açúcar. Inclusive uma misteriosa forma de diabetes do recém-nascido que aparece e desaparece por encanto meses depois.105 Açúcar e gastroenterologia O complexo sacarase-isomaltase também se distribui por todo o delgado, porém em proporções decrescentes no íleo. Em quadros de ausência ou diminuição de atividade desta enzima, frente à ingestão de sacarose, observamos a má absorção desse dissacarídeo o que leva ao quadro de diarréia ácida, distensão e dor abdominal. Estas manifestações clínicas podem estar presente já no primeiro dia de vida se a sacarose for ofertada como nutriente ao recém-nascido, quer seja através do uso de chás e leites adoçados com sacarose, ou de frutas e medicamentos na forma de xaropes que contenham este açúcar . Trecho do artigo Síndromes diarréicas congênitas de Adriana Ferrão Rodrigues e Ulysses Fagundes Neto, ela Pós-Graduanda e ele Professor-Titular da disciplina Gastroenterologia do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo. Você pega uma criança que acabou de sair da barriga da mãe e dá açúcar a ela: na mamadeira ou no xarope passado pelo médico. A resposta do corpinho inerme do nenê a essa agressão é uma diarréia ácida, distensão e dor abdominal . Qual agressão? O que foi ofertado como nutriente simplesmente não é um nutriente, mas uma substância química nociva ao organismo humano. E também não se encontra essa substância em frutas . Uma fruta madura já apresenta a sacarose hidrolisada em glicose principalmente, e frutose em pequena escala. O que fica de sacarose é apenas um resíduo (1%). Essa confusão entre um produto químico isolado de um capim e um nutriente contido em frutas caracteriza essa ciência torta que estamos vendo. O bebê que não agüenta a agressão do produto químico ingerido é visto como sendo doente, culpado de ausência ou diminuição da atividade de suas enzimas. Vítima de alguma misteriosa herança autossômica recessiva . É ciência sob medida para atender os interesses da ditadura de pacote tecnológico do açúcar. A ecologia clínica A ecologia clínica ou medicina ambiental é uma tendência nova da medicina. Seus adeptos estão convencidos de que os fatores ambientais são de suma importância na etiologia das doenças especialmente as crônico-degenerativas. O ambiente que deu razão ao surgimento dessa nova medicina é o ambiente da sociedade industrializada moderna: poluído, estressante, cheio de produtos químicos, com poucos espaços etc. 105 Lamare, R. Op. cit., p. 635. O doutor Theron Randolph, um dos fundadores da Sociedade de Ecologia Clínica, assim esquematiza as diferenças entre essa nova medicina e a convencional na introdução ao livro de seu colega, Charles McGee, Como sobreviver à tecnologia: Ecologia Clínica Outros médicos Doenças crônicas Doenças agudas Fatores ambientais Mecanismos corporais Aspectos holísticos Aspectos analíticos Diagnóstico e tratamento individualizados (demonstração de causa e efeito; evitar ou minimizar os agressores ambientais demonstráveis). Diagnóstico e tratamento em massa (diagnóstico principalmente através de procedimentos laboratoriais; tratamento dos sintomas principalmente por meio de medicamentos). No meio de um universo patogênico tão abrangente, qual seja o ambiente poluído da sociedade industrial, o açúcar quase desaparece. Para os ecomédicos o açúcar é ruim mas está incluído no pacote dos carboidratos refinados como um figurante a mais ou em pé de igualdade com gorduras hidrogenadas, sal e aditivos químicos. Concordo no geral com a medicina ambiental, mas para mim o açúcar é o ator principal. Se o açúcar for retirado da mesa da humanidade o grosso das doenças degenerativas desaparece; restarão seqüelas, mas serão problemas menores. Uma generalização dessas, que faço com o açúcar, não se pode fazer partindo de nenhum outro fator ambiental ou nutricional isolado. Ou alguém aí acredita que retirando da dieta o sal, a gordura, algum conservante; ou do ambiente a poluição sonora ou o forno de microondas isso faça com que um leque de doenças crônicas desapareça? Isso infelizmente só vai poder ser confirmado com o fim da ditadura do açúcar e o desmantelamento da indústria da doença, mas uma contraprova pode ser posta em prática, desde já, pelo leitor: retire o açúcar de sua dieta e observe o que acontece com o seu corpo. O consumo de açúcar refinado desloca alimentos mais nutritivos da dieta, e isso causa uma queda na ingestão total de vitaminas e minerais a níveis que levam ao vagaroso desenvolvimento de doenças degenerativas .106 Essa frase do Dr. McGee mostra-nos como ele é um homem de boa vontade para com o açúcar. O fato de o açúcar deslocar alimentos mais nutritivos quer insinuar, por acaso, que o açúcar é um alimento menos nutritivo? Ou que, como a quantidade de alimentos que o açúcar desloca não é tão grande assim, se eu comer um pouquinho mais de alimentos nutritivos fica tudo bem? Acho que a ecologia clínica, a despeito da sofisticação de suas posições, passa a mão na cabeça do açúcar. Para McGee a culpa do açúcar no desenvolvimento das doenças degenerativas é indireta e essas doenças dever-se-iam à carência de nutrientes. O que esta citação tem de bom é associar o açúcar às doenças degenerativas, faltou a McGee enxergar que o açúcar está diretamente ligado a elas. Não porque deslocou nutrientes , mas porque causa danos ao metabolismo. E pior ainda: ele mesmo é um ladrão de nutrientes. O Dr. Joslin e o açúcar 106 McGee, Charles T. Op. cit., p. 101. A hipótese básica que sustento aqui é a de que a grande causa das doenças crônicas é a dieta humana envenenada pelo açúcar. Sobre isso vejamos o que diz o Dr. Elliot Joslin, verdadeiro papa da diabetologia durante todo o século XX. Joslin morreu em 1962 e a primeira edição do seu manual sobre diabetes é de 1918. Com a palavra o Dr. Joslin: Uma correlação interessante existe entre o tipo de alimento ingerido e a instalação do diabetes . Ele exemplifica com o famoso caso dos judeus iemenitas, vítimas de diabetes depois que foram trasladados para Israel, quando ficaram expostos a uma dieta ocidental que consiste de açúcar refinado em grande quantidade e carboidratos em abundância . Joslin acrescenta que em comunidades africanas, (a incidência de) diabetes entre os nativos é rara até que o amido e açúcar refinado sejam consumidos ; toxinas na dieta, o metabolismo orgânico ou um metabolismo autônomo poderiam todos desempenhar um grande papel (na instalação do diabetes), maior do que neste momento podemos saber ; e conclui que o mecanismo exato do papel da dieta na instalação do diabetes é desconhecido, mas a evidência de que a dieta está implicada na doença é muito sugestiva .107 Apesar de o Dr. Joslin achar uma correlação interessante e a evidência muito sugestiva, o fato é que a ciência nunca fez uma pesquisa séria para pôr esse assunto definitivamente em pratos limpos. E trata-se de uma pesquisa barata - basta selecionar dois grupos e de um deles suprimir a sacarose de sua dieta, o resto é ir conferindo os resultados. Nos anos 80 do século XX, o Harvard Nurses Study acompanhou a alimentação de 90 mil enfermeiras americanas divididas em diversos grupos durante mais de quatro anos para concluir com estardalhaço internacional que a gordura animal causava câncer de cólon. O Dr. Atkins pediu a um colega seu que telefonasse e fizesse a seguinte pergunta à equipe responsável: Doutores, quais foram as conclusões a respeito de câncer do seio e do cólon e ingestão de açúcar? Resposta: Não examinamos esse assunto. Não achamos que tivesse relevância . Reação indignada do Dr. Atkins: Noventa mil enfermeiras, minuciosamente estudadas, milhões de dólares dos contribuintes gastos através de institutos nacionais de saúde, e eles não estudaram o açúcar! Não estudaram porque usaram antolhos, é uma maneira medíocre de fazer ciência .108 Conclusão: que outra conclusão pode-se tirar senão a de que a ciência médica está nas mãos dos traficantes de açúcar? DIABETANDO109 A incidência de diabetes nos EUA tem aumentado proporcionalmente ao aumento do consumo per capta de açúcar. Dr. Frederick Banting 107 Krall,Leo P. Op. cit., p. 24. 108 Atkins,R. Op. cit., 2001, p. 211. 109 Este é o simpático título do livro do Dr. Gentil de Andrade. Vide Bibliografia. Anamnésia Anamnese é a historinha que todo doente conta ao médico sobre sua própria doença - onde está doendo, desde quando etc. A anamnese é importante para que o médico chegue ao diagnóstico. No caso do diabetes a anamnese vira anamnésia (híbrido da anamnese do doente com a amnésia do médico). Tanto o diabético quanto o obeso, a história que eles têm a contar é uma só: uma história de comilança de açúcar na forma de bolos e doces. Sem contar o fato de que o açúcar impregna inclusive os alimentos salgados. A anamnese do diabético revela a etiologia do diabetes, mas os médicos aprenderam na faculdade que a síndrome metabólica é de etiologia desconhecida. Daí o tabu que envolve o assunto. Reportagens sobre diabetes que aparecem com freqüência em revistas e jornais apresentam essa característica interessante, ou melhor, esse paradoxo engraçado, o jornalista que escreve a matéria dizendo uma coisa, citando autoridades médicas, e os diabéticos, quando lhes dão a palavra, com seu discurso padrão: eu era viciado em doces , adoro sorvetes e bolos , sou tarado por Leite Moça . Um exemplo: Sempre fui louca por doces. Nunca mais, porém, coloquei açúcar na boca. Às vezes, sonho que estou comendo chocolate e acordo com a boca salivando - depoimento de Elizabeth Salgueiro (Veja nº 1787, p. 79). O que está faltando para a solução desse paradoxo é a coragem de médicos e cientistas da nutrição para realizar as pesquisas necessárias. Daqui de meu canto sugiro humildemente a seguinte pesquisa: verificação das estatísticas de novos casos de diabetes em adultos e crianças, inclusive diabetes Tipo 1, nos dias subseqüentes a datas como Páscoa, dia de São Cosme e São Damião e festas natalinas. Podia-se pesquisar também o período posterior ao lançamento das garrafas de 600 ml e 2,5 litros de Coca-Cola. Minha hipótese é que um ovo de páscoa comido inteiro por uma criança tem um efeito semelhante a uma injeção de aloxana (substância usada para induzir diabetes em animais de laboratório), arrebentando de uma só vez com o pâncreas da infeliz. O Teste de Tolerância à Glicose (TTG) Sempre achei estranho esse teste. Por que não se testa a tolerância à glicose administrando-se um copo de suco de uvas pretas bem docinha (sem açúcar, claro)? Ou por que o teste de tolerância à sacarose não é feito com um copo de caldo de cana espremido na hora? O nosso corpo não tem a obrigação de ser tolerante a nenhum agente adoçante químico (caso do açúcar) nem a açúcar invertido ou glicose saída de um sacarificador, de onde deve ser extraída a glicose usada pela medicina. Quando a medicina inventou de pesquisar o indice glicêmico dos alimentos (a capacidade dos alimentos de provocar aumento dos níveis de açúcar no sangue), o alimento escolhido como padrão foi a glicose (uma substância química). Acontece que uma dose de glicose pura provocava, em alguns pacientes, sintomas de náuseas, retardo do esvaziamento gástrico em virtude da alta osmolaridade da substância, que interferiam nos resultados. Posteriormente adotou-se o pão branco que provoca respostas fisiológicas diferentes da glicose pura. Um dia a medicina vai adotar o pão integral quando sacar que o trigo refinado do pão branco é também um adulterador de resultados. As mesmas lógica e raciocínio deveriam valer para o teste de tolerância à glicose. O Dr. Aderbal Sabrá, em Diarréia na infância, cita pesquisa realizada por McNair et alii com esquimós da Groenlândia. Os pesquisadores estavam interessados em informações sobre incidência de má absorção de sacarose, e o método utilizado foi o famoso TTG. O livro não dá mais informações sobre a pesquisa. Por que os esquimós da Groenlândia? Certamente por ser um povo virgem no que respeita à dieta açucarada do homem civilizado. Esquimó come muita carne e gordura - aliás, esquimó significa comedor de carne crua, pecha que lhes foi impingida pelos índios do Canadá. O esquimó chama a si próprio de Inuit, o povo autêntico . A pesquisa revelou 10,5% de casos de intolerância ao açúcar, taxa surpreendentemente alta para o Dr. Sabrá.110 Isso prova minha teoria de que nenhum corpo tem a obrigação de tolerar nenhum veneno. Agora, faça o esquimó alimentar-se de nossa dieta açucarada e vinte anos depois, de acordo com a Lei Cleave, 10% dos esquimós estarão diabéticos, 50% com obesidade mórbida e 90% com cárie nos dentes. E ainda esqueci-me dos cardíacos e hipertensos. Depois que a Merck informou que 29,7 gramas de sacarose ou 25 gramas de glicose industrializadas matam uma ratazana de um quilo, para mim TTG é a mesma coisa que TTVR, Teste de Tolerância a Veneno de Rato. Tenho minhas suspeitas: esses números que indicam uma glicemia normal na faixa de 80 a 100 mg/ dl não seriam a glicemia normal para um boneco de açúcar (o cidadão da civilização do açúcar, aquele que se alimenta da dieta açucarada)? No dia em que a dieta açucarada for abolida certamente os níveis normais da glicemia serão mais baixos. Atkins também levantou suspeitas sobre o número escolhido para diagnosticar a hipoglicemia. Para ele a escolha desse número mágico (45mg %) atrasou por uma geração o progresso da medicina nessa área. Ainda segundo ele a maioria dos hipoglicêmicos não atinge nível tão baixo, mesmo quando estão acamados por causa disso.111Entre os sintomas que podem ser devidos à hipoglicemia estão depressão, fadiga, irritabilidade, nervosismo, tonturas, dor de cabeça, desmaio, sudorese, mãos e pés frios, fala arrastada, sonolência, esquecimento, insônia, preocupações, confusão, ansiedade, taquicardia, dores musculares, agessividade, indecisão, crises de choro, falta de concentração, contrações musculares, perturbações digestivas, síndrome de úlcera, medos e fobias, síndrome de pânico, comportamento suicida, convulsões, alergias, vista embaçada, vício em álcool e drogas, frigidez e impotência, falta de aproveitamento escolar, terrores, pesadelos e até perda de consciência. Esse mar de sintomas é provocado pelo singelo consumo da dieta açucarada moderna a qual, hiperinsulinizante que é, induz à hipoglicemia reativa. A solução Atkins indica: uma dieta pobre em carboidratos , isenta de açúcar digo eu. Ainda hoje a medicina recomenda açúcar para casos de crise de hipoglicemia. Mutatis mutandi é como querer apagar uma fogueira jogando querosene em cima. O açúcar usado como remédio vai originar uma nova onda de insulinemia que vai provocar nova hipoglicemia que irá demandar nova dose de açúcar. É o conhecido ciclo do açúcar. 110 Sabrá, Aderbal. Op. cit., p. 40. 111 Atkins, Robert C. Op. cit., 1977, pp. 73-75. Desconfio também do fato de se considerar normal a presença de hemoglobina glicada até o limite de 8%. Não seria a tal hemoglobina uma proteína aleijada pelo açúcar da dieta açucarada? Esses povos (cada vez mais difíceis de se encontrar) que não fazem uso da dieta açucarada (índios perdidos na Amazônia, esquimós siberianos) possuem no seu sangue hemoglobina glicada ? Para mim trata-se, mais uma vez, de medicina construída segundo os interesses da indústria da doença. O fato é que esses parâmetros utilizados pela medicina são precários na medida em que se aplicam a uma humanidade com o metabolismo alterado pelo consumo da dieta açucarada moderna. Eles mudam em função do avanço do açucaramento da dieta. É a medicina ad hoc. Uma medicina orientada para lidar com os bonecos glicosilados da civilização do açúcar. Açúcar e radicais livres O consumo diário compulsório da dieta açucarada moderna contribui para encharcar de glicose o organismo das pessoas. Vamos ver, com ajuda do Dr. Helion Póvoa, o que acontece lá por dentro. Segundo ele, TODOS NÓS (consumidores da dieta açucarada chamo a atenção) possuímos a hemoglobina glicada, não só os diabéticos; mas apenas os diabéticos a possuem em grau mais elevado, por razões óbvias. Seguindo uma linha de pesquisas inaugurada pelo médico italiano Dr. Ceriello, em 1991, sobre o papel dos radicais livres nos diabéticos, o Dr. Póvoa conjeturou que se eram os radicais livres que formavam a hemoglobina glicada, pessoas que sofrem de excesso de radicais livres certamente deviam passar por esse problema. E de fato ele constatou em pesquisas próprias que o estresse oxidativo tem a ver com o aumento da glicação, MESMO EM NÃO DIABÉTICOS. Muitos trabalhos posteriores, nessa linha de pesquisa, relacionaram problemas renais à glicação da membrana basal (uma proteína do rim). Outros trabalhos comprovaram que a arterioesclerose é causada pela glicação do colágeno e que a catarata é uma glicação do cristalino, e assim por diante. Quando adicionada a uma proteína a glicose reage e se incorpora a ela. No caso da hemoglobina, quando glicada ela tem seu trabalho de transporte de oxigênio pulmonar inibido, prejudicando dessa forma todo o organismo, especialmente as extremidades do corpo. As pesquisas do médico italiano Ceriello corroboradas pelo nosso Dr. Póvoa demonstraram que o fenômeno da glicação é uma mera reação de oxidação causada por radicais livres na presença de proteínas e açúcar, uma reação simples que acontece até fora do organismo e dispensa catalisadores químicos ou enzimas. 112 Na página Cidades on-line, Carlos Humberto Longobardi de Vilhena diz que especialistas em diabetes e metabolismo vêm alertando para o fato de que diabetes, longe de ser um distúrbio apenas pancreático, se comporta muito mais como uma doença vascular. E que o açúcar alto é um grave fator de risco, já que é causa importante de anoxia tissular (baixa oxigenação dos tecidos) e de aumento de formação de radicais livres em nível tissular. 112 Póvoa, Helion. A Chave da Longevidade. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000. Moral da história: acabando com a farra de açúcar na alimentação teremos menos glicose para atazanar nossas proteínas e nossos tecidos. A gênese dos bonecos de açúcar Não existe ainda uma teoria geral do diabetes e talvez nem venha a existir. Mas uma teoria geral muito mais ambiciosa, que explique todo o conjunto de doenças crônicas, já é possível vislumbrar no horizonte. Em 1912, quando no mundo civilizado cada pessoa consumia uns 20 quilos de açúcar anualmente, o cientista francês Louis Camille Maillard, da área de tecnologia de alimentos, fazendo pesquisas sobre a deterioração de alimentos, descobriu o papel do açúcar nesse processo. Ele demonstrou que a mudança de cor experimentada por certos alimentos ao envelhecer se devia a uma reação entre açúcares e proteínas. Os produtos finais dessa reação eram os responsáveis pela cor marrom que intrigava o pesquisador. A descoberta ganhou o nome de reação de Maillard e consiste numa glicação ou glicação não- enzimática de proteínas. O grupo aldeído dos açúcares redutores, diante de oxigênio, liga-se ao grupo amina das proteínas numa reação de condensação sem necessidade de enzimas. Em português claro: o açúcar se agarra à molécula de proteína aleijando-a, isto é, alterando sua estrutura e propriedades. O doutor Maillard, profético, sugeriu nas conclusões de seu relatório que suas descobertas diziam respeito aos diabéticos. Meio século depois, quando cada citoyen andava consumindo uns 60 quilos de açúcar por ano, foi descoberta a hemoglobina glicosilada (HbA1c), depois rebatizada para glicada . Com isso ficou claro que a glicação de proteínas não acontecia apenas in vitro, como nas experiências de Maillard, mas também in vivo. Isso mesmo, o açúcar contribui para deteriorar o ser humano em vida. A hemoglobina glicada nada mais é que uma proteína com sua estrutura alterada por uma molécula de glicose agarrada a ela. Aleijada pelo açúcar a hemoglobina fica prejudicada em sua função de oxigenar os capilares, facilitando a necrose. Segundo os médicos, em um cidadão normal a hemoglobina glicada oscila de 6% a 8%. Faço uma pergunta: índio, desses que ainda não se misturaram com os brancos, tem hemoglobina glicada? Se não tiver fica claro que achar normal a presença dela é caso de medicina escrita para atender a outros interesses, pois não? A indústria da doença não viu nada de mais nessa descoberta, e até arranjou uma utilidade prática para ela: a hemoglobina glicada serve para indicar o nível de açúcar no sangue dos últimos quatro meses (o tempo de vida de uma hemoglobina). É mais ou menos como utilizar os corpos de vítimas de homicídio por armas de fogo para estudos de balística, fazendo vista grossa para o crime. Outro cadáver é a frutosamina, um dos produtos iniciais da glicação: tem sido usada para monitorar o açúcar das duas últimas semanas. A reação de Maillard é um tipo de reação em cadeia. Os produtos iniciais da reação entre acúcares e proteínas são compostos intermediários instáveis proporcionais à concentração de glicose momentânea - as aldiminas (base de Schiff). Tais compostos poucos dias depois transformam-se em frutosaminas (composto de Amadori). A continuação da cascata de reações conduz à formação dos terríveis AGEs - Advanced glycation end products ou produtos finais do processo de glicação, compostos muito reativos que exercem diversas atividades biológicas deletérias. A doutora Elisa Biazzi fala deles de uma maneira engraçada: As células, em determinados momentos, lançavam um elemento estranho, emaranhado como uma teia de aranha e muito pegajoso. Seguindo pelo sangue, (os AGEs) grudavam nas paredes das artérias, alcançavam as articulações, fixando-se ali. Chegavam até o cristalino do olho, provocando cataratas, verdadeiras sementes de envelhecimento precoce .113 Eles gostam de se acumular na parede arterial (colágeno) e nas membranas basais glomerulares, induzindo à nefropatia; noutros capilares como os da retina levando à retinopatia, etc. As distintas etapas da reação de Maillard afetam todas as macromoléculas do organismo dotadas de grupos amina reativos e vida longa. Ou seja: as proteínas do plasma sanguíneo, as do compartimento intracelular e as da matriz extra celular (proteínas circulantes) e as estruturais componentes das membranas (colágeno, elastina, mielina, etc). A glicação de proteínas modifica significativamente suas propriedades físico- químicas e conseqüentemente sua atividade biológica. Os produtos iniciais da glicação afetam as proteínas modificando sua carga elétrica, solubilidade e mobilidade. Já os produtos finais, através de ligações cruzadas entre proteínas, modificam sua estrutura original, afetando suas funções vitais. As proteínas estruturais modificadas comprometem também as funções próprias do tecido de que fazem parte e conseqüentemente do órgão do qual o tecido é componente. A glicose que circula pelo sangue depende, para entrar nas células musculares, de uma ajudinha da insulina. Os músculos estriados são apenas uma fração (aproximadamente 30%) da área do corpo atingida pela glicose. Mas há um mundo de outras células e tecidos nos quais o açúcar entra sem pedir licença. A lista é grande: a começar pela própria hemoglobina que é livremente permeável à molécula de glicose sendo por isso suscetível a concentrações glicêmicas semelhante ao plasma, o sistema nervoso central e periférico, o sistema micro e macrovascular, os músculos lisos, os ácidos nucléicos, os fosfolipídios, a medula renal, o tecido conjuntivo, o colágeno, o cristalino, os hormônios, as enzimas etc. Justamente as partes do corpo onde ocorrem as complicações do diabetes. São tecidos insulino-independentes porque se nutrem exclusivamente de glicose e possuem transportadores (Glut) que não são regulados pela insulina. É nesse universo protéico que o açúcar faz a festa. Por não dependerem de insulina as portas estão abertas para o inimigo. Quer a vítima esteja alimentada ou em jejum os transportadores de glicose estão lá, ligados à membrana, a postos. Em situação de glicemia normal a velocidade de entrada de glicose nas células é proporcional à demanda de energia. Se existir hiperglicemia a glicose entra livremente pela célula e depois de fosforilada pela enzima aldose redutase; após atingir determinada concentração passa a inibir a ação dessa enzima. E continua a entrar até ficar em equilíbrio com a glicose circulante. Como a água da enchente de um rio que invade a casa de uma pessoa até o limite do nível das águas do próprio rio. O excesso de glicose livre no interior das células é o maior responsável pelas lesões típicas das complicações do diabetes. A glicose livre (não fosforilada) ativa nas células a via dos polióis, com formação excessiva de sorbitol e frutose. O aumento de sorbitol e frutose altera o metabolismo energético celular, a integridade da membrana e outras funções. O sorbitol se acumula na bainha de Schwann do tecido nervoso, acarretando mudança na função dos nervos, com alteração na condução nervosa, mudança na sensibilidade e perda de fibras nervosas. Isso se explica porque esse poliól ocasiona estresse hiperosmótico nas células e outros problemas (diminuição do monoinositol celular), ocasionando dano. As demais glicoses livres ligam-se não-enzimaticamente a proteínas, ácidos nucléicos e até fosfolipídios, gerando, em última instância, PEGAs produtos finais de glicação avançada. Tanto a glicose quanto a frutose podem auto-oxidar-se na presença de oxigênio, originando um dicarbonilo e o radical ânion superóxido, ambos responsáveis pelo estresse oxidativo na célula. 113 Biazzi, E. Op. cit., p. 133. O radical livre que resulta da oxidação da frutose é responsável pela maior parte da formação de ligações cruzadas entre proteínas, os AGEs. Esses produtos finais da glicação avançada alteram a estrutura e as funções das proteínas e induzem ainda processos de antigenicidade que perpetuam a lesão. Ainda segundo a doutora Biazzi, essas moléculas de proteínas hipertrofiadas são o subproduto do metabolismo de células superalimentadas de quem consome alimentos cozidos, gorduras, açúcares e proteínas de origem animal, e ocorriam principalmente no organismo de diabéticos. Elisa Biazzi é ligada aos Adventistas de Sétimo Dia e mistura religião com ciência. Os adventistas valorizam o vegetarianismo e alimentos crus. Se o problema é proteína aleijada por glicose e frutose, o que é que a carne da dieta tem a ver com isso? A médica portuguesa Maria da Silva Azevedo, em artigo sobre a bioquímica do diabetes, cita Unger como tendo sido o primeiro a falar de diabetes como uma síndrome secundária a uma hiperglicemia. E também Cahill, que já havia proposto uma etiopatogenia comum para explicar o diabetes e suas complicações. Cita também, nas conclusões de seu artigo, dados de experiências recentes com as ilhotas de Langerhans incubadas na presença de concentrações de glicose, onde se verificou a ativação de citocinas e produção de NO (óxido nítrico) provocando um estresse oxidativo e lesão das células beta. As células beta do pâncreas, lembra a médica, são muito vulneráveis à oxidação por possuírem poucas defesas anti-oxidantes. E finalmente menciona outras experiências em que ratos, mantidos com hiperglicemia induzida, apresentaram lesão das células beta causadas pelo estabelecimento de um processo auto-imune. Silva Azevedo conclui lembrando que a glicação não- enzimática de proteínas (GNP) poderá ainda ser responsável pela resistência à ação da insulina, posto que atinge tanto a insulina quanto os receptores dela. 114 Já vimos com o doutor Helion Póvoa que a glicação de proteínas não é privilégio de diabéticos, ela atinge também os não diabéticos. Colágeno glicado tem sido observado em indivíduos com hiperglicemia leve não diagnosticados como diabéticos. Sabe-se também que pequenas elevações da glicemia podem causar disfunção endotelial e possivelmente, dar início à aterogênese. A hiperglicemia, mesmo não havendo diabetes, causa glicação das LDL que as torna agressivas ao endotélio e a outras células. A futura teoria geral das doenças crônicas chegará necessariamente a uma sistematização dos males causados pelo açúcar. A porta de entrada é a boca, onde a sacarose desempenha o papel de combustível exclusivo com o qual as bactérias cariogênicas produzem cárie. Tendo chegado ao sangue e glicado a hemoglobina, à exceção dos músculos estriados, todo o organismo fica exposto ao assédio da glicose livre. Ficam passíveis de glicação: o colágeno que, alterado, irá contribuir para tromboses e outras doenças vasculares; a LDL, que glicada se torna imunogênica, o organismo passa a produzir anticorpos anti-LDL glicada; a glicação do cristalino que antecede as cataratas senis; a glicação das células beta pancreáticas explica o diabetes; a glicaçao das membranas basais caracteriza as microangiopatias; a glicação da insulina explicaria sua ineficácia; e a glicação dos receptores de insulina a resistência insulínica; a glicação dos nervos causa neuropatias; colágeno tissular glicado é típico de envelhecimento. E assim por diante. Já havia dito que a medicina não havia mapeado a festa que o açúcar faz no organismo. Estava pensando apenas em digestão e metabolismo. Essa teoria geral a que me refiro é muito mais complexa: será o mapeamento a ser feito pelo pessoal da bioquímica fina. Um mapa que faça a síntese das várias hipóteses alternativas e complementares para os mecanismos pelos quais o açúcar leva às diferentes doenças crônicas, a começar pelo emaranhado das reações de Maillard; a aceleração da função da enzima aldose redutase (via 114 Azevedo,M. da S. Bioquímica da diabetes in: Duarte, R.(org). Diabetologia clínica. Lisboa: Lidel, 1997, pp. 35-42. dos polióis); o estresse oxidativo (radicais livres); o estresse carbonílico; o transtorno de atividade da proteína kinasa C e a pseudo-hipoxial; o transtorno no metabolismo das lipo- proteínas; e o transtorno da atividade das citocinas. Entre os cientistas já existe o consenso de que a glicose em si mesma é tóxica e a frutose mais tóxica ainda. E nós leigos sabemos que o açúcar do açucareiro é um mero fornecedor de glicose e frutose usado para encharcar os alimentos que irão encharcar nossos corpos com essas substâncias tóxicas. E agora, José? Creio não estar forçando nenhuma barra ao sustentar que o consumo diário da dieta açucarada moderna é a grande fonte desse manancial de glicose (e frutose) que vai aos poucos glicosilando , estressando e oxidando o organismo de toda a humanidade dos dias de hoje. Em minha modesta opinião de leigo, o açúcar é o fio de Ariadne que conduzirá à teoria geral explicativa das doenças crônicas, e quiçá explicará também as doenças auto-imunes. A natureza não ia levar bilhões de anos aperfeiçoando uma máquina para depois seus componentes começarem a se estranhar entre si. Foi só depois que o ser humano aprendeu a isolar de uma gramínea essa substância de reserva de açúcares e adicioná-la aos alimentos, açúcares esses que reagem com proteínas alterando suas estruturas e funções, que passou a haver esse estranhamento e teve início a produção de anti-corpos contra componentes do próprio corpo. Uma espécie de loucura que tomou conta do organismo. Resta à indústria da doença tentar provar que o mar de glicose que transforma seres humanos em bonecos de açúcar vem das bananas, da lentilha e do arroz e não dessa substância isolada de um capim e adicionada aos alimentos.115 Teoria geral do diabetes Antigamente, quando se comia menos açúcar, um indivíduo levava no mínimo quarenta anos para ficar diabético. O diabetes era conhecido como uma doença que dava em velhos. Com o aumento do consumo de açúcar, agora se leva muito menos tempo. Isso bagunçou com os esquemas classificatórios que a medicina criou para os diabéticos. A tipologia antiga era rica: havia o tipo infantil e o adulto, o pré-diabético, o assintomático, o químico, o obeso, o gestacional, o do recém-nascido, o insípido, o florido e o bronzeado. Tinha até o diabético emocional . Depois evoluiu para basicamente dois graus: o Tipo 1 e o Tipo 2. E acaba de entrar em cena o Tipo 3 que tem a ver com o mal de Alzheimer. A confusão no meio de campo começou com o DJIM, diabetes juvenil de incidência na maturidade. Hoje o diabetes não escolhe idade nem sexo nem etnia ou profissão para aparecer. Quanto mais açucarada for a dieta maior será a incidência de diabetes. E é cada vez mais comum a diabetologia falar em diabetes não classificado. Todos nós somos condenados a ingerir uma dieta açucarada desde que nascemos - isso na hipótese feliz de que nossas mães escaparam do diabetes gestacional, situação em que o açúcar chega pelo cordão umbilical. Possivelmente já nascemos envenenados pelo açúcar ingerido por nossos pais e quiçá com seqüelas genéticas devidas ao consumo de açúcar por nossos avós. Antigamente, quando o consumo era menor, o açúcar da dieta agia como um veneno administrado homeopaticamente. Hoje, com a aceleração do açucaramento da 115 Fontes: Rull et alii. Diabetes mellitus, complicaciones crónicas. México: Interamericana/McGraw- Hill, 1992; Duarte, R.(org.). Op. cit.; Gugliucci,A. Op. cit. ração humana as doses são cavalares mesmo. O alimento, como sabemos, é ao mesmo tempo o cimento que constrói o corpo e o combustível que o movimenta; o açúcar é um adulterador desse cimento. Como dissemos o envenenamento pelo açúcar começa cedo já com adição de açúcar ao mingau servido em mamadeiras ou com as papinhas industrializadas da Nestlé, oferecidas a crianças que deveriam estar mamando no peito da mãe. O objetivo é viciar o pimpolho ainda no colo da mãe. Mais tarde essa criança em vez de leite puro vai querer Toddy e no lugar de uma fruta vai preferir sorvete ou doce. A ingestão diária da dieta açucarada leva ao distúrbio do metabolismo pelo caminho do descontrole do funcionamento do sistema glandular endócrino. Combinado com o processo de glicação não-enzimática de proteínas são abertas assim as portas para as doenças crônicas, metabólicas e degenerativas. Como o açúcar é ingerido em doses diferenciadas e cada pessoa tem uma individualidade biológica , ele atinge as pessoas também diferenciadamente. Num recém- nascido uma colher de sopa de açúcar (que o livro A vida do bebê prescreve como remédio caseiro) é uma verdadeira overdose de veneno que responde pelo estranho tipo de diabetes que ataca recém-nascidos, uma condição que regride quando passa o efeito da bomba de açúcar. Diante de açúcar, e especialmente de porcarias açucaradas, crianças não têm limite: elas vivem expostas a doses cavalares de açúcar. Num pâncreas já esfalfado pelo consumo cotidiano de açúcar uma dose cavalar de açúcar (ovo de páscoa, lata de leite condensado) arrebenta com ele de modo definitivo. É o diabetes Tipo 1, pelo menos o idiopático. Mesmo que alguém aparente ter agüentado o tranco durante a infância e por um milagre ficado livre das cáries, da obesidade e do diabetes infantil isso não quer dizer que seja imune ao açúcar: ele continua a desenvolver seu lento trabalho de destruição, via glicação degenerativa, roubando minerais, vitaminas e até desidratando o organismo. Há um termo militar que se aplica bem ao caso: trabalho de sapa, é o que o açúcar faz em seu corpo. Se o incauto comedor de açúcar é mulher, quando grávida ela passa a comer por dois e sem querer vai comer açúcar em dobro habilitando-se a contrair diabetes gestacional; e se continuar comendo açúcar terá um bebê macrossômico, uma teratologia causada pelo açúcar que encharca a grávida diabética. O diabetes gestacional é outro tipo de diabetes passageiro: depois que a criança nasce, a mãe volta a ingerir as doses normais de açúcar e o diabetes desaparece. O terceiro tipo de diabetes transitório é o que some depois que um obeso diabético para de comer açúcar e emagrece: juntamente com o açúcar vai embora a doença. O diabetes Tipo 2 se instala tão lenta e silenciosamente que você não percebe. É comum o caso de mortes acontecerem a pessoas que ficaram diabéticas sem perceber e que continuaram se alimentando da dieta açucarada. Pequenas coisas como dificuldade de reter a urina, um arranhão na pele que demora a cicatrizar, dormência ou formigamento nas extremidades do corpo que as pessoas costumam atribuir à velhice que vem chegando são na verdade sintomas que prenunciam o diabetes. Ainda não é a doença; se a pessoa nesse ponto parasse de comer açúcar mandaria o diabetes para o espaço. Inocente, incauta e abandonada pelo Ministério da Saúde continua se alimentando da dieta assassina até que um dia um empurrãozinho tipo um pudim de leite condensado fará o papel da gota de açúcar que faltava para transbordar o pote. O pâncreas entrega os pontos e se rende ao bombardeio: você contraiu diabetes. Os sintomas são conhecidos: boca seca, muita sede, perda de peso, visão turva, fadiga, muita urina e muita fome. Essa cornucópia de sintomas significa que seu pâncreas se escangalhou por causa do regime de trabalho forçado a que foi submetido ao longo de sua vida. Ou porque as células beta foram prejudicadas pela glicação degenerativa. O diabetes não tem cura. Resta parar de comer açúcar, comer com moderação, fazer exercícios ou, em casos mais graves, tomar comprimidos antiglicemiantes e até injeções de insulina visando prolongar a vida. Não tem cura mas tem prevenção. Se desde a infância o açúcar for afastado da dieta de uma pessoa ela jamais ficará diabética mesmo com histórico familiar . Ficará livre também de cárie dentária, obesidade mórbida e outras mazelas crônicas e degenerativas. O caminho rumo ao diabetes começou com a administração ditatorial de uma dieta anormal açucarada à raça humana. O aumento da insulina é uma reação normal do pâncreas ao veneno calórico que foi adicionado ao alimento. A intolerância à glicose ocorre quando o organismo começa a fraquejar e a deteriorar-se diante do assédio continuado desse veneno. Quando todo o povo voltar a se alimentar de comida normal, isto é, sem açúcar, todas as doenças que o açúcar provoca desaparecerão. É tautológico mas tem gente que não enxerga. Isso será um verdadeiro chute no pau da barraca da indústria da doença. A indústria da doença é uma das colunas de sustentação da exploração capitalista. A exploração do homem pelo homem passa pela administração de uma dieta que o tornará um ser adoentado para em seguida se ganhar dinheiro com isso. A dieta açucarada moderna é a mais perfeita forma de controle social jamais inventada pelo capitalismo. Todos conhecemos a máxima dividir para governar . Nos dias de hoje seria adaptada para enfraquecer e adoecer para dominar . Uma população de bonecos de açúcar na qual os que não estão doentes e gastando seu tempo e dinheiro com médicos e medicamentos estão preocupados em não ficar doentes, às voltas com higiene bucal, hábitos alimentares e de vida saudáveis , um povo assim tem menos tempo e saúde para se preocupar com democracia ou revolução. Sônia Hirsch acertou na mosca quando disse nosso doce prazer não é só nossa sentença de morte. É a maior fonte de lucros de um sistema (...) que só visa o poder para ter mais lucros . E conclui: Por isso a doença interessa tanto. A saúde não, a saúde é subversiva porque não dá lucro a ninguém .116 Pau de açúcar Que entre as complicações do diabetes estão diversas neuropatias, retinopatias, nefropatias, e que isso significa que o diabético pode ficar cego, ter os pés amputados, e ficar brocha, todo mundo sabe. Já essa complicação do diabetes é novidade: a doença de Peyronie. Distúrbio que atinge principalmente homens a partir dos 50 anos. Trata-se de uma doença degenerativa que afeta a elasticidade do pênis, provavelmente por glicação dos tecidos. Se a elasticidade for mais afetada em um dos lados, no momento da ereção o pênis vai entortar para esse lado afetado. Se o comprometimento afetar o pênis como um todo o resultado será um encolhimento: ele ficará menor. É comum no decorrer da doença, crônica e progressiva, o pênis perder até 5 centímetros de comprimento. No decorrer da evolução dessa doença, o homem pode ficar impotente.117 116 Hirsch, Sônia. Sem açúcar, com afeto. Rio de Janeiro: Edição da autora, 1984, p. 31. 117 Santos, Bayard F. A medida do homem. Porto Alegre: Imprensa Livre, 2000 p. 155. Angola é aqui Angola foi palco de uma das últimas guerras por tabela em que se engalfinhavam as duas superpotências que patrocinavam a Guerra Fria. Com o fim da guerra em Angola uma das seqüelas que restaram foi o problema dos mutilados. Muitos milhares de angolanos perderam pés e pernas por causa das minas que coalhavam o território do país, uma herança tétrica da Guerra Civil. O problema adquiriu uma dimensão tal que chamou a atenção da princesa Diana, que visitou Angola e pediu ajuda internacional. O Brasil não enfrentou nenhuma guerra civil aberta no tempo mencionado mas tem também sua legião de mutilados. Muitos milhares de brasileiros perdem por amputação não traumática dedos, pés ou pernas por causa de gangrena diabética. Consta que nos Estados Unidos todo ano mais de 80 mil cidadãos perdem suas extremidades inferiores por causa disso. No Brasil não se sabe o dado estatístico, mas sei que apenas um hospital no Rio de Janeiro, o Hospital da Lagoa, amputa membros de mais de duas mil pessoas por ano. Aposto como os mutilados da ditadura do açúcar são em número maior que o número dos mutilados de todas as guerras que já tivemos até hoje. Só vamos poder comparar quando a cortina de açúcar for rasgada. As estatísticas da destruição que as doenças do açúcar causam são escamoteadas da população. Aliás não só da população: você que me lê e é médico sabe o número de brasileiros que perdem membros por causa de gangrena diabética? ou quantos fazem hemodiálise por causa de nefropatia diabética? ou quantos ficam cegos por causa de retinopatia diabética? ou quantos ficam aleijados por causa de neuropatia diabética? ou quantos morrem por causa de cardiopatias ou acidentes vasculares cerebrais por serem diabéticos? ou quantas são as vítimas da mais disseminada e vergonhosa forma de amputação, a dentária? Estreptozotocina e açúcar A estreptozotocina (STZ) é, em jargão médico, uma droga citotóxica seletiva das células beta do pâncreas. Pela administração dessa droga é possível induzir diabetes em ratos de laboratório de três formas: a) Ação tóxica. Uma dose única elevada (50 mg/ Kg) provoca diabetes irreversível em 24 horas; b) Ação inflamatória. Doses baixas, repetidas provocam, algum tempo depois, um diabetes semelhante ao Tipo 1; c) Dose baixa no período neonatal. Os ratos, quando adultos, desenvolvem um diabetes semelhante ao Tipo 2.118 Qualquer semelhança com os seguintes fatos será mera coincidência?: a) Ação tóxica. Uma lata de leite condensado mamada de uma só vez por uma criança provoca diabetes Tipo 1; b) Ação lenta. Refrigerantes, sorvetes, bolos e doces consumidos 118 Duarte, Rui (org.) Op cit., p. 36. normalmente todos os dias provocam diabetes Tipo 2 seja na infância, na juventude ou na idade adulta. Os ratos diabéticos O Dr. Robert Atkins cita pesquisa de M. Cohen de 1972, publicada na revista Metabolism, na qual a equipe do Dr. Cohen conseguiu gerar uma estirpe completa de ratos diabéticos, alimentando-os com açúcar e acasalando seletivamente os animais mais sensíveis a esse produto. Outros estudos publicados entre 1964 e 1972 sobre ratos demonstraram que todo o processo começa com a deterioração da tolerância à glicose, geralmente compensada com hiperinsulinismo e que continua tragicamente na direção do diabetes.119 Se o avanço da ditadura da dieta açucarada não for interrompido logo, a humanidade um dia não passará de uma raça de seres diabéticos, obesos, hipertensos e desdentados. Diabetologia ontem e hoje Desde que existe, a diabetologia nunca aceitou a tese de que o consumo de açúcar explica a etiologia da doença. No tempo do doutor Joslin, verdadeiro papa da disciplina, a diabetologia fazia umas generalizações que hoje vemos como folclóricas. Os judeus, como já vimos, eram apresentados como uma raça de alta incidência de diabetes, ao contrário de negros, indianos, japoneses e chineses. Trabalhadores braçais seriam mais resistentes ao diabetes que trabalhadores urbanos e intelectuais. Mulheres solteiras seriam menos afetadas que as casadas e no geral as mulheres seriam mais vitimadas que os homens. Povos primitivos desconheciam a doença. A diabetologia concluiu que o diabetes chegava a ser uma doença característica de países civilizados , cujos povos eram mais bem alimentados . A propósito dessa última conclusão o médico brasileiro Francisco Arduino disse, de maneira jocosa, assumida por ele mesmo, que diabetes não é para quem quer mas para quem pode .120 Com o avanço do conhecimento, houve uma tendência na diabetologia de abandonar essas afirmações pelo que elas tinham de inconsistentes. Por exemplo, grupos de japoneses que imigraram para o Havaí e Califórnia e aderiram à dieta açucarada dos americanos começaram a ficar diabéticos e a morrer de doenças do coração. Para ficar por aqui por perto a revista Endocrinologia & Metabolismo menciona estudo com um grupo de nipo-brasileiros residente em Bauru, São Paulo, acompanhado durante sete anos: desnecessário dizer o que esses nisseis e sanseis comem. Mas a conclusão do estudo, feito pela Universidade Federal de São Paulo, diz que a epidemia de Diabetes Mellitus atinge proporções alarmantes entre os nipo-brasileiros. Ao lado de fatores genéticos, a adiposidade central deve estar contribuindo para este caso .121 Ainda não se fizeram pesquisas comparando os casos de diabetes entre japoneses antes e depois do açucaramento da culinária daquele país. Hoje a cozinha típica japonesa está fortemente adulterada pelo açúcar: o caldo que dá liga ao arroz de sushis e sashimis, os molhos de conservas e outros molhos como o shoyo, peixes processados para fazer imitação de outros 119 Atkins, Robert. Op. cit., 2001, p. 149. 120 Arduino,F. Conheça seu diabetes. Porto Alegre: Globo, 1965, p. 13. 121 Endocrinologia & Metabolismo, vol 45, nº 5, Suplemento 1, out. de 2001, p. S560. alimentos, tudo leva açúcar. Com isso o mito japonês caiu por terra. Os judeus americanos que gostam de dinheiro e de açúcar de fato eram fortes candidatos ao diabetes, mas judeus da península arábica, comedores de carne, não. Povos primitivos em geral são livres de doenças crônicas; já os índios da tribo pima, os mais civilizados dos Estados Unidos, são conhecidos pelos altos índices de diabetes. Segundo a diabetologia de hoje, ao contrário da de ontem, os negros ficam diabéticos mais que os brancos. A medicina silencia sobre essa reviravolta na predisposição genética dos negros e é cega e surda diante do óbvio ululante: eles estão comendo mais açúcar. Negros americanos, por exemplo, comedores de fast food, são gordos, diabéticos e cardíacos, o que não ocorre com os negros africanos, que comem carne de pangolin e correm atrás de veados. Quanto aos trabalhadores braçais versus intelectuais é claro que enquanto o trabalhador brasileiro, por exemplo, comia carne seca com abóbora ou feijão com arroz e carne era menos atingido pelo diabetes. Hoje, almoçando um prato feito acompanhado por uma Coca-Cola de 600ml e uma sobremesa de pudim de leite condensado... O diabetes vai de vento em popa. O avanço do açucaramento da dieta da humanidade empastelou todas essas diferenças que a diabetologia clássica enxergava, tanto no que diz respeito à incidência do diabetes quanto à própria classificação dos diabéticos. Hoje fica diabético qualquer indivíduo de qualquer povo, de qualquer lugar, de qualquer faixa etária, de qualquer sexo ou profissão, a depender apenas da quantidade de açúcar que esteja ingerindo e, é claro, de diferenças biológicas individuais. A diabetologia de hoje é uma ciência sofisticada às voltas com autofosforilação de receptores de insulina, mutações no DNA mitocondrial, anormalidades no cromossomo 6, agenesia congênita das ilhotas, ou transmissão autossômica. Mas, tal qual a velha diabetologia, desconhece a etiologia do diabetes, embora ambas compartilhem a certeza de que o açúcar não tem nada a ver com isso. A nova diabetologia desconfia até do leite de vaca122 . Já o leite condensado está acima de qualquer suspeita. Acalento a hipótese de que uma lata de leite condensado mamada por uma criança tem um efeito semelhante ao de uma injeção de aloxana num rato de laboratório. Como seria um crime alguém fazer uma experiência desse tipo em laboratório, a Nestlé resolveu ajudar e colocou à venda o Leite Mocinha , um sacolé de leite condensado justamente para ser mamado por nossas crianças. É só falar com o IBGE e conferir se houve ou não aumento nas estatísticas de novos casos de diabetes infantil posterior ao lançamento do produto. CLÍNICA GERAL Sem a glicose natural dos cereais, legumes e frutas a gente não anda, não pensa, não funciona. Já com o açúcar refinado a gente anda, a gente pensa, a gente funciona... mal. Sônia Hirsch 122Idem p. S561. Açúcar e candidíase Diz-nos o Dr. Atkins que 60% de seus pacientes têm resistência à glicose, que 30% deles apresentam proliferação do fungo candida albicans e que nos Estados Unidos os médicos evitam diagnosticar a doença por causa da sua origem iatrogênica (conseqüência de tratamento médico). A candida albicans é encontrada normalmente no corpo humano e compreende em geral 10% do espectro de microorganismos do trato intestinal. A proliferação para além desse limite dá-se em conseqüência de fatores como uso prolongado de antibióticos; contato com o mercúrio usado em obturações de prata nos dentes; uso do anticoncepcional predinizona e outros esteróides; e principalmente quando uma pessoa é exposta a uma dieta rica em açúcar e cereais refinados. Os antibióticos destroem os lactobacilos presentes na flora intestinal que inibem a proliferação do fungo. As pílulas anticoncepcionais, também. E o mercúrio compromete o sistema imunológico, facilitando a vida da dona cândida. Já o açúcar, o Dr. Atkins não deixa por menos: segundo ele o açúcar constitui o maior fator de proliferação no caso dos fungos . E prossegue: Os que estão infestados pela candida devem manter distância de sorvete, bombons, bolos, xarope de milho, frutose, xarope de maçã, melado, etc. . 123 Ainda segundo o Dr. Atkins, a lista de problemas que a proliferação do fungo pode deflagrar é vastíssima e inclui, a título de amostra, sem querer aterrorizar mas já aterrorizando os que gostam de açúcar: letargia, fadiga, depressão, dificuldade de concentração, dor de cabeça, prisão de ventre, dor de barriga, diarréia, gases, problemas respiratórios, do trato urinário e dos órgãos genitais. O sintoma mais comum é a barriga inchada, especialmente o baixo ventre protuberante, denunciador de gases no intestino grosso. Açúcar e memória Altos níveis de açúcar no sangue prejudicam a memória e provocam o encolhimento do hipocampo. Nós demonstramos que a regulagem da glicose está associada com disfunções de memória e com o encolhimento do hipocampo , afirma o Dr. Antonio Convit, professor de psiquiatria e diretor médico do Centro para a Saúde do Cérebro da Universidade de Nova York. Nosso estudo indica que essa deficiência pode contribuir para falhas de memória que ocorrem com o envelhecimento e levanta a possibilidade de que melhorar a tolerância à glicose pode acabar com problemas de conhecimento associados à idade , acrescenta o professor.124 A pesquisa estudou 30 homens e mulheres com idades entre 53 e 89 anos não diabéticos, mas alguns deles tendo níveis de açúcar no sangue mais altos que o normal (pré- diabéticos). 123 Atkins,R. C. Op. cit., 2001, p. 160. 124 Revista on-line. Procedimentos da Academia Nacional de Ciência, segundo o site da BBC de 04/02/2003. O grupo teve o cérebro escaneado por ressonância magnética para medir o tamanho do hipocampo. O grupo com altos níveis de glicose mostrou um hipocampo menor e teve resultados piores nos testes para memória recente. O hipocampo, segundo os pesquisadores, é uma área particularmente vulnerável e que pode sofrer danos com o tempo. Portanto, quem não quiser ter problemas de memória ou ficar caduco mais cedo já sabe o caminho: é parar de comer açúcar. O Dr. Convit fala em melhorar a tolerância à glicose . Isso significa tolerância ao bombardeio da glicose da dieta açucarada moderna. É melhor eliminar o açúcar e poupar o organismo. E por falar em hipocampo. A doutora Suzanne de la Monte da Escola Médica de Brown, nos Estados Unidos vem seguindo uma linha de pesquisa que aponta para as causas do mal de Alzheimer, até aqui de etiopatogenia desconhecida. Essa doença crônico- degenerativa leva à perda de memória e demência. Segundo ela a falta de insulina cerebral ou a resistência à sua ação leva a degeneração do hipocampo e ao desenvolvimento da doença. A isso estão chamando de diabetes tipo III. A meu ver esse é mais um caso para a folha corrida do açúcar. A glicação degenerativa de proteínas com certeza explica esse processo. A gente sabe que tanto o próprio hormônio quanto seus receptores e até a própria estrutura dos órgãos que servem de base são vítimas da ação destrutiva do mar de glicose e frutose da dieta açucarada. Esses dados estão no último número sobre diabetes da revista Saúde . Lá eles estavam como uma azeitona no pastel alheio. Aqui é mais um tijolinho na pirâmide explicativa do movimento Açúcar zero. Açúcar e sistema imunológico A Dra. Eliza Biazzi, autora do livro Diabetes: um guia prático, cita pesquisas realizadas em laboratórios da universidade californiana de Lomalinda, Estados Unidos, que demonstraram que o açúcar enfraquece a capacidade do sistema de defesa do corpo humano. Segundo essas pesquisas cada célula de defesa do organismo, os leucócitos, qual valente guerreiro, tem capacidade para abater 14 bactérias nocivas. No entanto basta a ingestão de seis colheres de chá de açúcar para que nosso guerreiro fique enfraquecido e só consiga destruir 10 soldados inimigos. Se o consumo de açúcar subir para 24 colheres de chá, nossa célula de defesa só conseguirá abater uma bactéria nociva, abrindo com isso os flancos da nossa saúde aos exércitos inimigos responsáveis por nossas doenças. Açúcar e doenças Pesquisa citada pelo Dr. Atkins. Em 1969, o Dr. Sheldon Reiser realizou um estudo com voluntários demonstrando que uma dieta que fornece 18% de suas calorias do açúcar produzia concentrações significativamente mais altas de lipídios e insulina do que uma dieta com apenas 5% de calorias extraídas de açúcar.125 Na Islândia, doenças cardíacas e diabetes eram quase desconhecidas até a década de 1930, embora a dieta típica islandesa fosse riquíssima em gordura. Em princípios da década de 1920 a dieta açucarada civilizada chegou por lá; e perto de vinte anos depois foi a vez da chegada das modernas doenças degenerativas.126 Na Iugoslávia e na Polônia as altas taxas de doenças cardíacas, em meados do século XX, foram concomitantes à quadruplicação da ingestão de açúcar, que ocorreu a despeito de uma queda no consumo de gordura animal. 127 Açúcar e mau colesterol Mau colesterol, o temível colesterol LDL, pouca gente sabe disso, na verdade são apenas proteínas de baixa densidade modificadas pelo açúcar. O colesterol que normalmente é um formador de membranas celulares e de hormônios, aleijado pelo processo conhecido como glicação não-enzimática de proteínas, passa a fazer mal tornando-se fortemente aterogênico, isto é, entupidor de vasos sanguíneos. Quando você pergunta ao seu médico o que fazer para aumentar o nível do colesterol bom (HDL), ele recomenda exercícios físicos. Com isso você queima o açúcar que iria aleijar as partículas de LDL- colesterol, aumentando assim relativamente o nível de colesterol bom. Um médico afinado com nossa filosofia nutricional pediria a você para eliminar o açúcar de sua dieta, cortando assim o mal pela raíz. Açúcar antibiótico Na página da Revista Vittalle na internet, somos informados sobre pesquisa a respeito da ação antibacteriana da sacarose, de autoria de Rodrigues, Bobek, Schwersz e Calegari. Objetivos do trabalho: a) determinar a ação bacteriana da sacarose; b) avaliar a atividade exercida por esse carboidrato sobre germes gram positivos e gram negativos; c) caracterizar seu mecanismo de ação. Conclusão dos pesquisadores: como hipótese a respeito do mecanismo de ação, destacamos: a) efeito bactericida devido à elevada pressão osmótica das soluções concentradas de açúcar; b) efeito bacteriostático por inibição da atividade enzimática; c) efeito de captação das partículas microbianas (similar ao uso de camadas de gases). Esta última hipótese, sugerida pelo efeito do açúcar in vivo, deverá ser testada. Sugiro pesquisa a respeito do comportamento desse agente bacteriostático de alta osmolaridade no organismo humano, especialmente no das crianças. Açúcar e folclore medicinal 125 Atkins, Robert. Op. cit., 2001, p. 184. 126 Idem p. 205. 127 Idem p. 205. De médico e de louco todo mundo tem um pouco, diz o provérbio. O açúcar hoje se encontra muito entranhado no imaginário popular. Todo mundo conhece alguma fórmula, alguma receita feita com o habitante do açucareiro. As donas de casa lavam filtro usando açúcar à guisa de sapóleo. As moças massageiam o rosto com creme contendo açúcar como esfoliante. Os espíritas dão defumador de ervas misturado com açúcar. Doentes misturam açúcar à pomada que passam na ferida crônica da perna. As lavadeiras cozinham roupas manchadas em água com açúcar. Usar açúcar misturado com Coca-Cola para lavar a pia, ou ao defumador para fazer mais fumaça é até compreensível. Mas quanto a esse uso medicinal do açúcar: no famigerado soro caseiro, aplicado sobre feridas, como calmente , laxante , etc. Acho que o Ministério da Saúde devia se pronunciar. Crime caseiro A mistura de água com sal resulta em um soro fisiológico natural. Uma solução de cloreto de sódio a base de um a dois gramas de sal para um litro de água tomada fria, acalma a sede. Em um país tropical como o Brasil segundo o nutricionista Ruy Coutinho, deveria ser adotado o uso de água salgada nos locais de trabalho onde o indivíduo elimine muito suor . E também, aconselhável que durante o verão se fizesse uso de água salgada, na solução mencionada acima, afim de evitar mal estar, irritação e cansaço . No último verão foi muito divulgado pela televisão em horário nobre propaganda do famoso soro caseiro , constituído de água, sal e açúcar. Sabendo que o açúcar é um composto químico que vem acompanhado de um lixinho constituído de substâncias tóxicas, possui alta osmolaridade e é cariogênico. Fica a pergunta que remédio é esse, administrado inclusive a bebês de tenra idade? Açúcar e cromo Em www.hospitalar.com um artigo da Dra. Sylvana Braga intitulado Cromo, uma esperança natural para diabéticos e obesos, já começa afirmando que o cromo participa do metabolismo, potencializando os efeitos da insulina, melhorando a captação de glicose pelas células e agindo nos receptores insulínicos da membrana celular. Segundo a Dra. Sylvana, em 1994 John Vincent, médico da Universidade do Alabama (Estados Unidos), associou a deficiência de cromo na alimentação à intolerância à glicose. A dieta açucarada moderna imposta hoje a quase toda humanidade é pobre em cromo assim como em uma infinidade de minerais, vitaminas e oligoelementos. A alimentação rica em cromo age diminuindo a formação de tecido adiposo (gordura branca mórbida) e aumentando a saudável gordura marrom, termogênica e vascularizada. O cromo tem sido utilizado na preparação de atletas, posto que ao potencializar a insulina aumenta a massa muscular e a performance. Pesquisas sobre o uso de cromo têm sido realizadas em todo mundo, da Áustria a Israel. O site da American Diabetes Association (ADA) dá conta de todas elas. O Dr. Atkins já sabia das virtudes do cromo e administrava picolinato de cromo aos seus clientes. Esse picolinato é invenção patenteada, como sói acontecer no âmbito da indústria da doença, mas nós, o povo, podemos nos abastecer de cromo usando como suplemento o velho conhecido brócolis e também levedo de cerveja. Nas palavras da Dra. Sylvana, para melhor absorção deste mineral é importante reduzir a ingestão de alimentos refinados, principalmente do açúcar branco . A Dra. Sylvana é reumatologista graduada pela UFRJ e pós-graduada em Fisiatria. Considero essa informação um verdadeiro achado que precisa ser aprofundado. As palavras-chave além de cromo são gordura branca, gordura marrom e calorias negativas. Se médicos nutrólogos e químicos conseguirem sistematizar esses conhecimentos uma verdade-necessidade virá à tona: chegou a hora de dar um basta no açúcar! O sedentário e o obeso; o tranqüilo e o gordinho Sedentário é uma pessoa normal. Mesmo quem está parado está queimando calorias. É perfeitamente concebível uma vida saudável num claustro. Pense num monge budista cuja atividade física mais intensa é o tai chi chuan. O que vai determinar uma vida sedentária saudável é o que se come; a alimentação terá que ser necessariamente frugal. Gordo também é uma pessoa normal. Pense num lutador de sumô, um exemplo de situação-limite. A existência de um gordinho saudável depende também do que ele come. É só na civilização do açúcar que sedentários e gordinhos passaram a ser anatematizados. Os médicos do establishment da ditadura do açúcar consideram a obesidade doença. Essa civilização encharca as pessoas de açúcar e suas calorias inúteis e patogênicas e quer impor como ideal de vida a atividade física. A dieta açucarada moderna vitima toda a sociedade com tudo que é tipo de doença degenerativa e em seguida usa o recurso ideológico de pôr a culpa nas vítimas, fazendo-as crer que a culpa de suas mazelas são seus maus hábitos alimentares (para atingir os gordinhos) e o estilo de vida sedentário (para atingir os tranqüilos). A natureza não obriga ninguém a se esfalfar. Se você se alimenta saudavelmente, isto é, fica longe da dieta açucarada, se for frugal será um magro saudável; e se for guloso será um gordo saudável. No meu caso, por exemplo, quando eu era um boneco de açúcar a corrida para mim era um sacrifício, eu voltava para casa esfalfado. Hoje, sem os quilinhos a mais das gorduras do açúcar, corro mais do que antes sem sentir sequer que tenho um coração batendo no peito. Nos anos 70 do século XX o médico americano Keneth Cooper fez os bonecos de açúcar do mundo inteiro correrem até que começaram a ocorrer casos de morte em seguidores fieis da prática de corridas. O doutor Cooper escreveu um novo livro autocrítico, propondo em vez de corridas, caminhadas. Magro doente e obeso mórbido são os comedores de açúcar. Bebês, os que mamam (não os que comem papinhas açucaradas da Nestlé), e esquimós, os que comem carne e gordura cruas, têm corpos constituídos de gordura marrom dura e saudável. Gordura branca e flácida, celulite e colesterol LDL, características de obesidade mórbida, tem quem come açúcar branco, pão branco e arroz branco. Isso não é mera coincidência. Atividade física e açúcar Água é um assunto de importância vital. Ela é tão importante para o corpo que um déficit de apenas 1% já é suficiente para despertar a sensação de sede. E um déficit de 20% é suficiente para matar uma pessoa. Um professor de meu sobrinho Hélder ensinou a ele em sala de aula (peço vênia para a citação) que para digerir um copo de refrigerante o organismo humano tem que despender dois copos de água corporal. Logo, quando um adolescente mama 600 ml de Coca-Cola seu corpinho vai ser roubado em mais de um litro de água. O Dr. Turíbio Leite de Barros Neto, fundador e coordenador do Cemafe (Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte), em seu livro Exercício, saúde e desempenho físico, ao falar sobre a necessidade de hidratação durante a atividade física recomenda que se beba muito líquido antes, durante e depois. Para aterrorizar os ativistas físicos, ele lembra que num dia quente a perda de água durante o exercício é da ordem de um a dois litros por hora, e que às vezes a sensação de sede é saciada antes da reposição do volume hídrico necessário. Portanto, numa situação semelhante, beba água mesmo sem ter sede. Agora vamos ao que nos interessa. O Dr. Turíbio alerta que não devemos ingerir bebidas cuja concentração seja maior que a do nosso sangue, ou seja, refrigerantes, sucos adoçados etc. . O que importa será repor líquidos através da ingestão de água ou de líquidos isotônicos . O Gatorade, a mais famosa bebida isotônica, anda fazendo propaganda enganosa na TV, vendendo o produto como sendo melhor que água para abastecer atletas em atividade porque você quando sua, fazendo exercícios, perde não só água mas potássio, sódio etc. Segundo o Dr. Emanoel Goldberger, autor do livro Alterações do Equilíbrio Hídrico, Eletrolítico e Ácido-base, cada litro de Gatorade, por exemplo, fornece vinte e um mEq de íons sódio, três mEq de íons potássio e cinqüenta gramas de glicose. Isto equivale a aproximadamente um grama de sal . 128 Resumindo, beber uma garrafa de Gatorade é a mesma coisa que você beber água acompanhada de uma pitada de sal. E o que o Gatorade apresenta como vantagem em relação à água, os carboidratos , na verdade é uma desvantagem. O açúcar invertido ou xarope de amido, misturado ao Gatorade, é um carboidrato não nutritivo que vai demandar nutrientes do próprio corpo para ser metabolizado. Resta o consolo de que o Gatorade faz menos mal que a Coca-Cola; esta tem 10% de açúcar e o outro apenas 5% de açúcar já hidrolisado, de mais fácil aceitação pelo organismo, embora nutricionalmente inútil. Em outras palavras, refrigerantes ou sucos de frutas adoçados com açúcar devem ser evitados por quem pratica atividades físicas, pois provocam desequilíbrio osmolar e desidratam. Corra e morra mais rápido Os estresses a que está exposta uma pessoa normal diferem muito em intensidade daqueles provocados pelo exercício físico. No capítulo sobre fisiologia do esporte de seu livro, Guyton diz que os extremos de exercício extenuante se continuados por período de tempo ligeiramente prolongados , facilmente poderiam ser letais. E 128 Goldberger, Emanoel. Alterações do equilíbrio hídrico, eletrolítico e ácido-base. Rio de Janeiro: Guanabara/Koogan, 1978, p. 69. ainda segundo ele, em uma pessoa com febre extremamente alta , o metabolismo corporal aumenta em apenas uns 100% acima do normal. Já durante uma corrida de maratona, o metabolismo do corpo aumenta até uns 2000% acima do normal. O esporte tem a ver com os limites extremos da maioria dos mecanismos corporais, conclui o autor citado. Quem se alimenta da dieta açucarada moderna, sem querer faz uma opção pelo suicídio lento, mas se quiser acelerar esse processo o caminho é a pratica de exercícios físicos. Num boneco de açúcar a prática de exercícios físicos tem o dom de acelerar o envelhecimento das células. A causa é o aumento excessivo do número de radicais livres no corpo, formados durante a respiração celular. O número de radicais livres aumenta muito e, quando a alimentação não é adequada para atender as necessidades de antioxidantes, o dano celular se acentua e acelera o envelhecimento , explica o professor Danilo Wilhelm Filho do Dpto. de Ecologia e Zoologia da UFSC, segundo matéria jornalística disponível na página do Conselho Federal de Nutricionistas na internet. Ainda segundo essa fonte, mais de duzentas doenças estão diretamente relacionadas com os radicais livres. A formação dessa substância no organismo ocorre durante a queima de açúcares quando partículas de oxigênio são liberadas e se transformam em radicais superóxidos, espécie de moléculas-vampiro, eletronicamente desequilibradas. Os radicais livres buscam outras moléculas, átomos ou compostos do corpo para se estabilizarem. Quem quiser fugir da velhice precoce já sabe: o primeiro passo é detonar o açúcar da dieta. Ele contribui duplamente para o envelhecimento: primeiro fornecendo um substrato gratuito, inútil e nutricionalmente desnecessário; depois, quando já transformado em gordura, facilitando o envelhecimento, uma vez que a obesidade em si é fator de aumento de radicais livres, segundo informa, a matéria citada que recomenda alguns alimentos ricos em vitaminas antioxidantes e minerais essenciais, entre eles a prosaica batata. Ah, sim: se você não come açúcar, ou seja, não é um boneco glicosilado, pode correr à vontade que faz bem. Obesidade nos Estados Unidos Vira e mexe tenho me deparado com matérias de jornal a respeito de obesidade em geral e obesidade infantil em particular. Obesidade, todos sabem, está virando uma espécie de praga nacional nos Estados Unidos. É mais que uma epidemia, uma verdadeira pandemia. Aqui no Rio de Janeiro o prefeito César Maia já entrou nessa guerra e até pediu à Riotur que eliminasse a exigência de que o Rei Momo tenha que ser gordo, além de outras providências, como proibir a venda de porcarias açucaradas em cantinas de escolas. Em todo o mundo têm pipocado iniciativas de combate à obesidade, leis novas estão surgindo nesse sentido, já tem gente até levando à barra dos tribunais a indústria de alimentos e cadeias de lanchonetes tipo fast food. As matérias jornalísticas atiram para todos os lados. Quem lê essas matérias tenho certeza de que deve se sentir como cego no meio de um tiroteio. Engraçado é que no que se diz há sempre o endosso de autoridades médicas. Tenho uma reportagem que foi publicada originalmente no TheNewYork Times e reproduzida em O Globo de 28 de junho de 2003. São citados Paul Rozin, professor de psicologia da Universidade da Pensilvânia; Brian Wasnink, professor de ciência nutricional da Universidade de Illinois; Kelly Brownel, professor de psicologia da universidade de Yale, especialista em desordens alimentares ; e finalmente Margo Wootan, diretora de política nutricional do Centro de Ciência Para o Interesse Público. Toda essa equipe de escol da psicologia e da nutrologia para dizer as seguintes besteiras: a) as pessoas estão obesas por causa do tamanho do copo de pipoca, tão grande que é chamado de balde ; b) os refrigerantes também são servidos em baldes ; c) o tamanho dos sanduíches é também exagerado; d) as porções de alimentos, em geral, idem; e) o preço baixo e as promoções estimulam as pessoas a comer mais; f) outros fatores são a disponibilidade e a grande variedade de alimentos oferecidos à população. Em resumo, nos Estados Unidos existiria uma cultura pela qual a comida é oferecida em grandes quantidades e em todos os lugares. O professor Kelly Brownel classifica a sociedade americana, no que diz respeito à comida, de ambiente tóxico . Agora é a minha vez. O problema é a obesidade e no entanto não se tocou na palavra açúcar, o que é natural, e não se falou também em gordura nem em fritura nem em colesterol, o que é de se estranhar. Acho que a história da carochinha da gordura e do colesterol caiu no ridículo depois dos livros dos doutores Atkins e McCully. A indústria da doença pelo visto está procurando novos bodes expiatórios para manter oculto o veneno da alimentação do homem moderno; agora a culpa é da oferta generosa de comida em todos os lugares e a toda hora. Não é mais a questão dos maus hábitos alimentares . O boneco de açúcar é nesse caso um idiota completo, que se lhe for oferecido um X-Tudo de um palmo de altura e uma tubaína de 980 ml ele vai e come. O cidadão americano médio anda consumindo perto de 80 quilos de açúcar por ano. Retire todo esse açúcar de sua dieta que ela ficará livre de aproximadamente 800 calorias inúteis ingeridas diariamente. Calorias essas devidas exclusivamente ao açúcar, que só serve para gerar doenças. Não é preciso diminuir o tamanho do Big Mac nem do copo de pipoca. Quando se come um sanduíche que leva dois hambúrgueres, queijo, salada, picles, mostarda, catchup e pão com gergelim, se come açúcar seis vezes. É difícil apontar algum desses ingredientes que não contenha açúcar. O que tem que ser diminuído, ou melhor, suprimido, é o açúcar. Açúcar pela contramão Este tópico ficaria melhor escrito pelo Dr. Jacintho Leite Aquino Rego , psicoproctologista de fama internacional que escreve na coluna humorística Agamenon , no jornal O Globo... Antigamente, quando um doente estava nas últimas, tão mal a ponto de não mais poder alimentar-se pela via natural, isto é, pela boca, a criatividade médica desenvolveu a arte de introduzir alimentos pelo reto - no bom sentido, como diria o Dr. Aquino Rego . Ninguém deve pensar, todavia, que seja possível alguém sobreviver indefinidamente sendo alimentado pela contramão do tubo digestivo. A parte do alimento aproveitada pelo reto, segundo especialistas, é de aproximadamente um quarto do total. E o tratamento não se poderia prolongar por mais de dez dias sob pena de perda de eficácia. A eficácia dos clisteres alimentícios era muito relativa e, segundo o Dr. Adamastor Barboza, sua valia é menos material que moral e visava proporcionar a paz de espírito àqueles que, se vendo privados de alimentação per os (pela boca), temem deperecer por carência alimentar . 129 129 Barbosa, Adamastor. Regimes e doenças. Rio de Janeiro: Ed. Leite Ribeiro, 1923, p. 277. Pelo ânus, através de sonda de borracha mole lubrificada com azeite, introduzia-se tudo o que é tipo de alimento: gema de ovo, leite, sal de cozinha, vinho, amido e, claro, açúcar. Não aleatoriamente mas obedecendo a fórmulas prescritas por especialistas. Não obstante havia um porém: o açúcar não podia ser usado em concentrações maiores que 10 a 15 gramas para cada 300 cc de líquido, sob pena de atuar como irritante da mucosa intestinal. Mesmo assim, após a administração de açúcar via retal era comum acontecer o aparecimento de glicosúria (açúcar na urina). Mas o doutor Adamastor sai em defesa do açúcar: Não cuidemos que haja diabetes, isto é devido a que a penetração do açúcar na economia se dá em parte pela veia hemorroidária inferior, a qual, como sabemos, não é tributária do sistema porta . Resumindo: o tubo digestivo começa na boca e termina no ânus. Na entrada, isto é, na boca, o açúcar provoca cárie dentária; chegando ao estômago, tem o dom de irritar as mucosas gástricas e acidificar o bolo alimentar, provocando uma série de distúrbios na digestão. A carga de calorias inúteis adicionadas pelo açúcar vai bagunçar o funcionamento do sistema endócrino, forçando a produção de insulina extra. No duodeno o açúcar pode ser responsável por diarréias provocadas por desequilíbrios osmolares. E na reta final, ou melhor, no reto, finalmente o açúcar irrita as delicadas mucosas do ânus, como acabamos de ver. Moral da história: o açúcar é um pó branco que faz estragos na entrada, no interior e na saída do tubo digestivo. Finalizamos parafraseando o famoso pensamento do Dia, quer dizer, do Globo da coluna Agamenon : Açúcar nas hemorróidas alheias é refresco

quarta-feira, 8 de junho de 2016

CAPÍTULOS 7 A 9 DE O LIVRO NEGRO DO AÇÚCAR (GRUPO 3)

A DITADURA EM FLAGRANTE
As doenças do século XX que mais causam morte se originam do que eu chamo de envenenameno
por carboidratos. O que causa isso? O principal responsável é o açúcar.
Robert Atkins
Nos dias de hoje estamos vivendo o apogeu da civilização do açúcar, o paraíso da
indústria da doença, a era das doenças crônico-degenerativas. O Rio de Janeiro, por
exemplo, tem 5 mil farmácias e 50 sebos. O brasileiro é um povo inculto e doente. A
humanidade inteira consome açúcar a gosto sem saber da enormidade de calorias
desnecessárias e nocivas que ingere a contra-gosto ou pelo menos sem ter consciência
disso. O resultado disso são as evidências epidemiológicas apontando na direção do
aumento pavoroso da obesidade e do diabetes, aumento estarrecedor de diabetes
gestacional, aumento tétrico de casos de amputação de dentes, pés e pernas. Tais
estatísticas não freqüentam a mídia. Mas, no mundo inteiro, já está havendo um
movimento no sentido de dar um basta nessa situação. A Organização Mundial de Saúde
(OMS) já associa essas doenças crônicas todas a uma alimentação errada e quer fazer
com que o mundo coma mais frutas, verduras e legumes - e menos açúcar. Um dia a ONU
e os médicos do mundo inteiro vão enxergar que o problema não é falta de educação
alimentar e sim o fato de que a humanidade está diante de uma dieta patogênica e que a
tarefa urgente urgentíssima é eliminar o corpo estranho que confere esse caráter à dieta
humana.
Os próximos tópicos darão uma idéia ao leitor do que se anda especulando a
respeito, por exemplo, de qual o limite aceitável para o consumo diário de açúcar.
Cientistas da área médica do mundo inteiro fazem pesquisas a respeito. Dois tópicos falam
do problema no Brasil, um sobre o confronto entre a Justiça do Consumidor versus a Coca-
Cola e a Ambev. E o outro a briga de cachorro grande envolvendo a OMS e a Europa de
um lado querendo limitar o consumo de açúcar, e de outro a maior potência bélica de
todos os tempos a serviço do capitalismo querendo deixar as coisas como estão; e o papel
do Brasil nesse conflito.
The New Sugar
No ano de 1996 um açúcar novo foi desenvolvido nos laboratórios da Faculdade
de Engenharia de Alimentos da Unicamp Universidade de Campinas, São Paulo, pelos
pesquisadores Gláucia Pastore e Yong Park.82 O projeto conta com o financiamento de
uma empresa privada, a Usina da Barra, de Barra Bonita, São Paulo, a maior usina de
açúcar do mundo. O novo açúcar resulta de biotecnologia aplicada à produção de
alimentos alternativos. O New Sugar, como foi batizado, é obtido por meio da ação de um
fungo, o aspergillus niger, que secreta a enzima b-frutofuranosidase. Esta enzima ao mesmo
tempo em que corta a molécula de sacarose em suas duas componentes, glicose e frutose,
liga as moléculas livres de frutose a outras de sacarose, criando com isso um novo açúcar.
As moléculas livres de glicose, liberadas no processo, são escoimadas por uma nova
purificação.
O novo açúcar produzido em laboratório pode ser o resultado de uma molécula
de sacarose enriquecida de uma a quatro moléculas de frutose chamadas respectivamente
de: GF2, GF3, ou GF4. O GF2 é mais doce que os outros. O novo produto
cientificamente é classificado como um frutooligossacarídeo (FOS). E tem as seguintes
características: é 40% menos doce que o açúcar uma aparente desvantagem, mas quem
gosta de açúcar vai poder comer mais. Agora o mais importante: o New Sugar apresenta-se
como não calórico, não cariogênico, funcional e sem gosto residual. O que significa que
não provoca cárie, não engorda, pode ser usado pelos diabéticos, ajuda a flora intestinal e
não tem o gostinho residual desagradável de alguns adoçantes. Maravilha da natureza!, ou
melhor, da ciência. Só que o açúcar novo que usa como matéria-prima o velho açúcar do
açucareiro estava prometido para 1997 e até hoje não apareceu. Agora chegou a hora da
reflexão. Nós denunciamos aqui a existência de uma indústria da doença baseada numa
dieta patogênica cujo princípio ativo é justamente o açúcar. E a solução que proponho é
política: a retirada do açúcar da dieta humana.
O New Sugar seria uma solução química do problema, ao eliminar a natureza
patológica do açúcar. De qualquer forma seria o fim da indústria da doença. Por que o
novo açúcar não vingou? Na minha opinião a ditadura do açúcar tem fortíssimas razões
82 Revista Saúde. São Paulo: Abril cultural, agosto de l995, nº 143, p. 40.
para conspirar contra o sucesso de um empreendimento desses. O engraçado é que as
pesquisas que deram origem ao novo açúcar contou com o apoio de um fabricante de
açúcar; deve ter sido um equívoco.
Não deixa de ser engraçado também o fato de que o açúcar para deixar de ser
nocivo tenha que deixar de ser o que ele é um dissacarídeo - e transformar-se em outra
coisa: um tri ou tetrassacarídeo. E certamente perder sua propriedade não redutora.
A Ingestão Diária Recomendável (IDR) de açúcar
Numa página internética d além mar sobre os níveis seguros do consumo diário de
açúcar (http/ / ruinuno.50megs.com/ exc_doce.html), há um texto, respeitante a erros
alimentares, no qual um médico português, Emílio Peres, propõe o que nem a FDA nem a
Anvisa fazem: sugerir um limite de consumo de açúcar diário para o ser humano. O Dr.
Peres propõe que esse limite seja de 18 gramas de consumo diário médio e como bom
lusitano acrescenta mas não todos os dias e ainda adverte: Com o estômago vazio o
açúcar desnutre . Segundo ele em algumas regiões de Portugal o consumo per capita de
açúcar alcança 50 quilos por ano e nessas quantidades o açúcar assume a categoria de um
tóxico e o organismo sofre com o excesso de calorias. Na presença de açúcar o organismo
trabalha como se estivesse diante de uma enorme quantidade de amido e exige do pâncreas
uma produção exagerada e excessiva de insulina .
Os portugueses perdem feio para os americanos, que já comem perto de 80 quilos
de açúcar a cada ano. Quanto aos 18 gramas diários propostos pelo Dr. Peres como limite,
significam apenas 72 calorias diárias. A Organização Mundial de Saúde propõe como
limite de consumo diário de açúcar apenas 10% das calorias totais. Tomando por base a
famosa dieta de 2.500 kcal diárias da própria ONU, teremos 250 kcal por dia, ou 60 e
poucas gramas de açúcar. O cidadão norte-americano ingere, por conta da dieta
açucarada, aproximadamente 600 a 800 calorias diárias de açúcar. Ele deixa de ingerir entre
150 e 200 gramas de comida de verdade, por exemplo, um bife, que além de nutrir vai
fornecer a energia necessária, em troca de nada, ou seja, açúcar puro. Não à toa, obesidade
nos Estados Unidos é um problema nacional. Só para servir de ilustração, uma garrafa de
Coca-Cola de 600 ml carrega nada menos de 240 calorias - e olhe que uma criança mata
uma garrafa dessas e mais um pacote de biscoitos recheados de uma só vez.
Crítica da análise das recomendações
médico-científicas sobre o consumo de açúcar
Tenho em mãos o trabalho acadêmico Análise das Recomendações Internacionais Sobre o
Consumo de Açúcares Publicadas entre 1961 e 1991, de autoria de Maria do Carmo Freire,
Geoffrey Cannon e Aubrey Sheihan. Ela do Departamento de Odontologia Social de
Universidade de Goiânia e eles do Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública da
Universidade de Londres. O trabalho foi publicado pela Revista de Saúde Pública da USP,
capturei-o na internet.
O trabalho se propõe a analisar as recomendações quanto ao consumo de açúcares
extrínsecos apresentadas em publicações médicas e científicas internacionais nos últimos
30 anos do século XX. Para tanto foram relacionados 116 trabalhos publicados entre 1961
e 1991 originários de 37 países espalhados pela Europa, Estados Unidos, América Latina e
até Oceania. Só não foram incluídas publicações de difícil tradução. Os trabalhos foram
analisados como um todo e abordados os seguintes temas: a) recomendações relativas ao
consumo de açúcar; b) sobre alimentos industrializados açucarados; c) sobre o tipo de
açúcar a ser reduzido; d) sobre quantidade e freqüência de consumo de açúcar; e) sobre
substitutos do açúcar e doenças crônicas relacionadas ao consumo de açúcares. Entre os
objetivos da pesquisa, verificar a relação entre o consumo de açúcares e o advento de
doenças crônicas e pinçar recomendações sobre níveis seguros de consumo que possam
integrar a política nacional de alimentação e nutrição.
Por açúcares extrínsecos devemos entender o açúcar adicionado aos alimentos.
Em geral é a famigerada sacarose em forma de cristais, derretida ou invertida. Na literatura
científica ela sempre aparece mimetizada entre outros açúcares : o objetivo desse
expediente é ocultar a presença ditatorial da sacarose na dieta moderna.
Quanto às recomendações sobre o consumo o documento constatou que a grande
maioria das publicações concorda que deve haver redução no consumo de açúcares. Dos
116 trabalhos analisados nada menos que 98 recomendam redução do consumo desses
açúcares extrínsecos. E nossos autores, que têm conhecimento de outros trabalhos não
incluídos nesses 116 e que ascendem a 150, afirmam: Esta conclusão é confirmada por
todos os trabalhos anteriores relatados pelo Senado dos Estados Unidos, Turner, Mc Nutt,
Truswelle, O Connor e Campbell, Cannon, e pela OMS .
Trata-se de uma tendência: a grande maioria da comunidade científica
internacional concorda que o consumo de açúcares tem que ser reduzido. E, voltando
aos nossos pesquisadores, sendo que nenhuma publicação aconselha aumento de
consumo desses produtos - o que, aliás, seria deveras engraçado...
Eles lembram também que apenas quatro publicações propõem a exclusão dos
açúcares e são chamadas de radicais . Se tivessem citado declinaria aqui o nome desses
heróis.
Quanto aos alimentos açucarados industrializados, o resultado é muito semelhante
ao item anterior. De fato, não faria sentido recomendar redução de açúcar do açucareiro e
transigir com porcarias açucaradas de fábrica
Quanto ao tipo de açúcar a ser reduzido a pesquisa notou que os termos variam
desde os mais genéricos, como carboidratos simples , aos mais precisos como sacarose ,
glicose e outros.
O único açúcar que impregna e confere natureza patogênica à dieta humana chamase
sacarose refinada, mas a indústria da doença usa e abusa da floresta de açucares para
ocultar esse fato. Mas o reinado, ou melhor, o império do açúcar está chegando ao começo
do fim. Dos 98 trabalhos analisados, em 32 a sacarose aparece como o único açúcar a ser
reduzido .
Quanto à quantidade e freqüência, segundo nossos pesquisadores, entre aquela
grande maioria favorável à redução no consumo de açúcares , a maior parte aceita propor
uma quantidade segura de consumo diário compatível com a boa saúde. Antes de 1977
nenhuma meta para o consumo de açúcares extrínsecos foi observada . A recomendação
mais freqüente é 10% do total de calorias, patamar estabelecido pela própria Organização
Mundial de Saúde. Nas palavras de nossos pesquisadores, a adoção desse limite demonstra
coerência com a evidência científica que relaciona o consumo de açúcares a doenças
humanas , mas eles acham que melhor que a adoção de um percentual das calorias totais
seria adotar limites em gramas/ dia ou quilogramas/ ano. Há quem proponha uma relação
de quantidade de açúcar com o peso da pessoa. Minha posição é a seguinte: se o açúcar faz
mal, por que apenas reduzi-lo? Se faz mal deve ser abolido. O cigarro faz mal; faz sentido
recomendar um ou dois cigarros por dia? Melhor parar de fumar e de comer açúcar, meus
amigos.
Pulei a parte sobre substitutos do açúcar.
Finalmente o documento constatou que as duas doenças mais freqüentemente
relacionadas ao consumo de açúcares são cárie dentária e obesidade, juntamente com
outras doenças crônicas como fatores de risco: diabetes, doenças coronarianas,
trigliceridemia, aterosclerose, hiperlipidemia, cálculo de vesícula e câncer.
O Ministério Público e o açúcar
O Ministério Público de São Paulo protocolou na Justiça uma ação inusitada de
autoria do Dr. João Lopes Guimarães Junior, da Promotoria de Justiça do Consumidor,
contra a Ambev e a Coca-Cola. A ação pede que as duas empresas incluam advertências
nos rótulos de refrigerantes sobre o risco de obesidade.
A notícia é bem-vinda e o promotor está de parabéns. O fato foi criado e deve
provocar o debate. De minha parte gostaria de acrescentar que se trata apenas de uma
escaramuça. A guerra é contra o conjunto das doenças crônicas e é muito mais complexa.
Trata-se de atacar a obesidade em suas causas. Qual é o grande causador de
obesidade? Não é o refrigerante em si, mas o açúcar que ele contém. Se o refrigerante é diet
não causa obesidade, o que não elimina o fato de continuar sendo uma bebida não
nutritiva.
Se a Justiça obrigar essas empresas a adotarem tal advertência isso será um fato
positivo, especialmente porque pesquisas recentes apontam justamente para o refrigerante
como sendo o principal transportador de açúcar para a barriga das pessoas. Existem outros
grandes condutores de açúcar que não podem ser ignorados.
Logo, a luta contra a obesidade é um pouco mais complexa do que parece. Creio
que numa primeira etapa seria necessária uma campanha de esclarecimento geral sobre o
que de fato é o açúcar. Sim, porque muitos médicos, dentistas, nutrólogos e químicos
ignoram o assunto: sabem sobre açúcar o que suas mães lhes ensinaram.
O passo seguinte caberia ao Poder Legislativo e à Anvisa: seria a hora de se legislar
contra a presença e o avanço do açúcar na alimentação. Sugiro por exemplo como num
primeiro passo que todo e qualquer produto que contenha sacarose mencione isso no
rótulo e diga em que quantidade. A indústria de alimentos, já vimos isso, costuma ocultar o
conteúdo de açúcar de seus produtos apresentando-o no mesmo saco dos carboidratos .
Muitos ficarão estarrecidos ao saber da quantidade de açúcar presente no que se
come e também onde o açúcar está presente. Será que quem come lingüiça sabe que está
ingerindo açúcar? A possibilidade de as pessoas poderem quantificar o açúcar que estão
ingerindo será de suma importância. Todos vão saber que estão ingerindo alegremente
mais de 600 calorias diárias gratuitamente só por conta do açúcar..
De suma importância seria também coibir a propaganda de porcarias açucaradas
pela televisão, especialmente a propaganda indireta tipo merchandising em novelas e agora a
disfarçada nos programas e quadros de culinária . Até tele jornal tem sessão de culinária.
Prestem atenção: a maioria das receitas é de pratos doces.
A literatura sobre açúcar, inclusive a científica, está precisando passar por uma
revisão posto que vende gato por lebre. Por aí dá para se ter uma idéia da luta que temos
pela frente.
Voltando ao assunto, acho que o pontapé inicial dado pela Justiça do Consumidor
de São Paulo, se não acabar em pizza, em virtude do grupo de pressão da indústria da
doença, levará a sociedade às mesmas conclusões a que cheguei: que o açúcar é o
responsável único pela natureza patogênica da dieta do homem contemporâneo e que
expulsa-lo da mesa é uma tarefa vital para toda a humanidade.
Caso a ditadura do açúcar continue e a indústria da doença não seja desmontada,
resta um consolo. As pessoas, individualmente, podem dar as costas ao açúcar. Convido a
todos a fazê-lo e prestar atenção às transformações que ocorrerão em seus corpos.
Parecer do Conselho Federal de Nutricionista (CFN) sobre
obesidade
Em função do processo da Justiça do Consumidor de São Paulo, objeto do tópico
acima, o CFN recebeu um questionário sobre obesidade. A íntegra do documento
encontra-se em www.cfn.org.br. As autoras do documento são as nutricionistas Glória
Valéria da Veiga da UFRJ e Luciene Burlandy da UFF. Fiz uma síntese das respostas dadas
pelo CFN - algumas eram muito extensas. Um membro proeminente do movimento
Açúcar zero, Antonio Santos da Silva, pintor misto de naïf, primitivo e surrealista, que se
assina Antonius, elaborou respostas alternativas às do CFN. Antonius é presidente da
AHOB, Associação dos Humilhados e Ofendidos do Brasil, uma Ong ainda em formação
mas que promete ser a mais vigorosa do planeta, visto que o Brasil é o campeão mundial de
concentração de renda. Antonius é meio radical: por ele o refino de açúcar seria proibido e
os traficantes presos.
Respostas aos quesitos da Promotoria de Justiça do Consumidor de São Paulo:
1) Qual a importância da alimentação para a saúde das pessoas?
Para o CFN é através da alimentação que são supridas as necessidades nutricionais que garantem o crescimento, desenvolvimento e
funcionamento adequado do organismo. Desta forma a alimentação pode contribuir para o bem-estar bio-psico-social do indivíduo.
Por outro lado a maioria das doenças, principalmente crônicas, está relacionada com o que as pessoas comem e bebem.
A saúde do ser humano pode estar comprometida tanto por carências nutricionais quanto
pelo excesso. De igual modo a obesidade pode estar relacionada ao comportamento
alimentar, conclui o CFN .
AHOB - Para viver as pessoas necessitam de respirar, beber água, comer e ver a luz do sol.
Sem alimentação, portanto, não existiria vida humana. Desnecessário dizer que o ar tem
que ser puro, a água limpa, o alimento saudável e o sol sem radiações prejudiciais à pele.
2) Em razão da sua incidência entre a população pode se considerar a obesidade
como problema de saúde pública no Brasil?
A CFN respondeu dizendo que é difícil definir obesidade, que obesidade é uma doença, e
que é complexa a adoção de medidas de intervenção, mas que a obesidade é um problema
de saúde pública.
AHOB - Depende, há dois tipos de obesidade, uma saudável e outra mórbida. O obeso saudável é aquele que se alimenta de carnes,
frutas, verduras e legumes, cerais, leite, ovos, mel etc., frescos, naturais e integrais. Na alimentação do obeso mórbido prevalecem
os chamados carboidratos refinados: açúcar branco principalmente e alimentos produzidos a partir de cereais descorticados, trigo
branco, milho branco e arroz branco. Enquanto a obesidade saudável é uma questão de escolha individual ou grupal, o obeso
mórbido é uma vítima de uma dieta açucarada. Logo só esta última é que é um caso de saúde pública.
3) É possível constatar o crescimento dos índices de obesidade nos últimos anos?
Qual a tendência de incidência de obesidade no Brasil se nenhuma política pública
eficiente for adotada?
O CFN respondeu que sim, que é possível constatar aumento nos índices de obesidade, que tende a atingir um contingente maior da
população caso nenhuma política pública de controle e prevenção seja adotada.
AHOB - A tendência dos índices de obesidade é aumentar proporcionalmente ao
açucaramento da dieta humana: quanto mais produtos açucarados, mais obesos, mais
diabéticos e mais dentes cariados teremos. E política pública eficiente nesse caso significa
dar um basta ao avanço da dieta açucarada moderna. Aliás um basta ao avanço é pouco: o
ideal seria impor um recuo progressivo até o limite zero. Para a humanidade isso vai
significar o fim do caráter patogênico da dieta e a volta do alimento normal.
4) Existe um nexo etiológico entre o consumo de produtos alimentícios e
obesidade? Quais ingredientes atuam de forma especialmente nocivas?
O CFN respondeu que não é fácil comprovar que o consumo alimentar exacerbado associa-se à obesidade e que não há como
afirmar que um ingrediente ou nutriente atue de forma nociva, mas que é possível que o comportamento alimentar seja um fator de
risco e que o consumo em excesso de determinado nutriente em relação às necessidades pode contribuir para a obesidade. Diz ainda
que estudos indicam que o consumo em excesso de açúcares, doces, bolos, bebidas açucaradas etc. transforma-se em gorduras de 75
a 80% e que 90 a 95% das gorduras ingeridas em excesso têm o mesmo fim. E conclui dizendo que gorduras saturadas e ácidosgraxos
representam risco maior de doenças cardiovasculares.
AHOB - O nexo entre comer e engordar pode ser causal quando se trata de obesidade
saudável ou etiológico quando a obesidade é mórbida. É ponto pacífico que ninguém
fica obeso respirando ou bebendo água. É necessário que os alimentos ingeridos
ultrapassem o gasto de calorias, embora haja exceções a essa regra. Como gordinhos
saudáveis a gente só encontra no reino de Tonga, aqui no Brasil a obesidade mais comum é
a mórbida. A causa da obesidade mórbida é o consumo da dieta açucarada moderna. O
ingrediente nocivo que confere caráter patológico à dieta humana é o açúcar, agente
químico adoçante absolutamente desnecessário que acrescenta calorias negativas ao bolo
alimentar, tornando-o prejudicial ao metabolismo. O açúcar, além do mais, para ser
metabolizado rouba nutrientes do corpo e é o substrato preferido das bactérias
cariogênicas. Os cereais refinados destituídos de fibras e parte dos nutrientes são mais
calóricos e causam desnutrição e prisão de ventre; o ideal são os cereais integrais e naturais.
Quanto à gordura, trata-se de alimento essencial, veículo das vitaminas A, D, E, K e dos
ácidos-graxos essenciais. Vários grupos humanos, esquimós, massai, judeus iemenitas e
tibetanos, alimentam-se fundamentalmente de carnes, gorduras inclusas, e não são nem
obesos, nem diabéticos e nem têm cárie nos dentes.
5) A publicidade, sobretudo veiculada pela televisão, pode influenciar a dieta
alimentar das pessoas - especialmente crianças induzindo-as a consumir produtos
alimentícios que causam obesidade? Qual a importância da advertência sobre os
riscos da obesidade?
O CFN respondeu dizendo que de fato a TV influencia as crianças em seus hábitos
alimentares, especialmente pela falta de condições para elas analisarem e criticarem o
conteúdo da propaganda. Diz que a TV leva ao sedentarismo. E concluiu que embora não
se possa atribuir o ato da compra à propaganda, admite que os produtos mais divulgados
são, coincidentemente, os mais vendidos, mais lembrados e mais consumidos. E arremata
com a seguinte ressalva: como a ingestão em excesso desses produtos (biscoitos,
chocolates, refrigerantes, comida de fast food), ainda que em si não possam ser
mencionados como causadores de obesidade, é um fator de risco, o estímulo ao seu
consumo pode ser negativo quando não tratado de forma crítica no âmbito da escola, da
família e da sociedade. Quanto à advertência nos rótulos a resposta foi postergada para a
questão seguinte.
AHOB - A influência da propaganda, especialmente pela TV, ninguém pode subestimar.
Ela influencia adultos e especialmente crianças. Como já havia sido dito em questão
anterior, alimentos fabricados a partir de cereais refinados e ainda por cima açucarados
(biscoitos recheados, bolos, doces etc.) constituem verdadeiro grupo de alimentos de risco.
Não existe consumo moderado de biscoito recheado e refrigerante por parte de criança.
Tanto a Coca-Cola sabe disso que oferece os seus refrigerantes em garrafas de 600ml
(tamanho de garrafa de cerveja). Advertência no rótulo é parte importante de uma
campanha educativa que deve vir acompanhada de proibição de propaganda. Produtos
açucarados devem ser mais caros para inibir o consumo etc.
6) A informação clara e adequada sobre os riscos que o consumo inadequado de
determinados produtos alimentícios causam à saúde pode influenciar os hábitos
alimentares do consumidor e ajudar a prevenir a obesidade?
O CFN respondeu para dizer que o comportamento alimentar humano é determinado por fatores objetivos, subjetivos e sócioculturais
e que para mudar o comportamento da população a informação é insuficiente. Teria que haver um controle do que é
disponibilizado à população e a informação deve ser dirigida ao coletivo e deve estar apoiada em políticas públicas.
AHOB - Com certeza, informação clara é o que o povo precisa e médicos e nutricionistas
negam. Por exemplo, gordura é alimento. Já o açúcar não é alimento, é um produto
químico nocivo que impregna e torna a alimentação fonte de cárie, obesidade e doenças. E
no entanto o discurso dos nutricionistas diaboliza a gordura e silencia sobre o açúcar. A
informação clara sobre o que é a sacarose, assim como se informa aos fumantes sobre o
que é o tabaco, é o mínimo que o Poder Público pode fazer para não caracterizar uma
conivência diante das epidemias de cárie, obesidade e diabetes.
7) Em razão da obesidade, é possível considerar determinados produtos
alimentícios como mais potencialmente contributivos para essa epidemia? Quais
seriam estes produtos?
O CFN respondeu que a pergunta já havia sido parcialmente respondida na questão 4. Mas
acrescentou que obesidade é de origem multicausal e que é extremamente difícil estabelecer
uma relação de causa e efeito. Sendo o hábito alimentar um fator de risco para a
obesidade, admite que refrigerantes e bebidas açucaradas são suspeitos de gerar obesidade e
que seu consumo entre os estudantes tem sido pesquisado. Disse que estudos comprovam
que os refrigerantes estão entre os dez produtos mais consumidos pela população e que no
Brasil na década de 70 o consumo desse produto aumentou 268%. Mas que não se pode
analisar o consumo de refrigerante como um fator isolado e que o alimento industrializado
dos restaurantes fast food também contribui para a obesidade.
AHOB - Usando o bom senso, já que a ciência, no que diz respeito à nutrição, vem sendo
utilizada para enganar o povo: o que contribui mais para a obesidade, uma Coca-Cola
comum ou uma Coca-Cola light? Um copo de leite puro ou um copo de leite com Nescau?
Uma goiaba ou um pedaço de goiabada? Um pão integral ou um pão doce?
É preciso dizer que o fato gerador de obesidade chama-se açúcar? A resposta à questão 7
é: um produto alimentício é tão mais contributivo para a obesidade quanto mais açúcar ele
contiver. Açúcar não é nada, é caloria extra, geradora não só de obesidade mas de cárie
dentária, hiperinsulinemia etc. etc. etc. Portanto os produtos mais potencialmente
contributivos para a obesidade são aqueles que mais açúcar contiverem.
8) Entre os produtos alimentícios mais potencialmente contributivos para a
obesidade, quais são os mais consumidos pela população brasileira?
O CFN respondeu, com base em estudos, que o brasileiro está consumindo, além de uma
elevada quantidade de açúcar refinado, mais salsichas, maionese, mortadela, refrigerantes,
leite, ovos, carnes com gordura aparente, bolos, hambúrgueres, salgadinhos, chocolates,
biscoitos, sorvetes, pizza, balas e lingüiça. Segundo o CFN o tamanho das porções de
pipocas, batatas fritas, salgadinhos e refrigerantes aumentou.
AHOB - Seria interessante que o IBGE, atendendo a um desejo da Organização Mundial de Saúde, fizesse uma pesquisa para
identificar quais são os grandes transportadores de açúcar o fator contributivo maior para a obesidade- para a barriga dos
brasileiros. Fortes candidatos seriam os refrigerantes, os doces, os sorvetes, o café, as tortas etc. Talvez o campeão não seja nenhum
desses e sim o popular refresco que em Pernambuco se chama ponche. É muito comum em lanchonetes e botequins você comprar
um salgadinho acompanhado de um refresco grátis.
9) Os fatores que causam a obesidade atingem da mesma forma as populações de
alta e de baixa renda? Por quê?
Para o CFN, sempre baseado em estudos, com relação à atividade física não há muitos
dados. Quanto ao consumo alimentar, o rico escolhe e come melhor que o pobre. Quanto
ao lado simbólico, a percepção do corpo entre as mulheres pobres tem mais a ver com a
força física em função do trabalho; já o rico tem preocupações com estética e com saúde.
Quanto à dimensão metabólica, o corpo do pobre que sofreu subnutrição quando pequeno
talvez seja mais eficiente que o do rico quando se trata de converter alimento em gordura.
AHOB - De um ponto-de-vista metodológico, a obesidade é tanto maior quanto maior for
a ingestão da dieta açucarada moderna. A ditadura do açúcar tem planos para todos, para a
classe média tem Big Mac e Coca-Cola, para o pobre tem X-Tudo e tubaína. Blanquet de
peru para uns e mortadela para outros, e assim por diante. Estão todos, ricos e pobres, se
entupindo das calorias inúteis do açúcar e ficando obesos, diabéticos e desdentados (aqui
os pobres ficam em desvantagem, pois não têm dinheiro para pagar a parafernália que a
indústria da doença tem para combater as cáries). Quanto à gordura, é um alimento
indispensável. Se gordura engordasse os esquimós seriam um povo de obesos. Obeso é o
povo americano, justamente o maior comedor de açúcar do mundo.
10) No Brasil, considerando os riscos de obesidade, os consumidores
ostensivamente recebem informações necessárias e adequadas a respeito dos riscos
à sua saúde acarretados pelos produtos alimentícios colocados no mercado? A
divulgação para o consumidor sobre o consumo adequado de determinados
produtos alimentícios é satisfatória? O consumidor brasileiro é clara, correta e
adequadamente informado sobre os riscos que o consumo inadequado destes
produtos apresenta?
O CFN fala dos esforços dos governos federal, estadual e municipal, da Política Nacional
de Alimentação e Nutrição (PNAM), da Anvisa, na rotulação, e do manual elaborado em
conjunto com a UnB, do Manual de Orientação ao Consumidor e dos Dez Passos Para uma
Alimentação Saudável, do Ministério da Saúde. E conclui dizendo que quanto aos riscos dos
produtos alimentícios estes não são explicitados e o povo ignora a maior parte dessas
recomendações.
AHOB - Essa questão dos riscos de obesidade e hábitos alimentares tem que ser colocada
em pratos limpos, sem trocadilho. Se existe risco numa dieta, risco de obesidade, de cárie
dentária, de diabetes e doenças cardiovasculares, então estamos diante de uma dieta
patogênica. Cabe assim aos homens de ciência de boa vontade dizer quais alimentos são
patogênicos. Sendo a dieta patogênica, quem se alimenta dela é vítima e não culpada de maus
hábitos alimentares. Alimento (gordura incluída nesse conceito) sempre foi fonte de vida e
não de doenças. Existe algum elemento patogênico infiltrado na alimentação do homem
contemporâneo. Em minha opinião esse subversivo é o açúcar, causador de cárie dentária
e doenças metabólicas.
Quem acha que gordura é o veneno da alimentação pode se esquivar dela facilmente: as
informações nutricionais dos rótulos dão conta do teor de gordura dos alimentos. Já o
açúcar (sacarose) impregna quase todos os alimentos industrializados e o consumidor
incauto que quiser evitá-lo não tem meios. Os rótulos de alimentos que contêm sacarose
teriam que informar a quantidade. Hoje a indústria de alimentos usa o expediente de
colocar a sacarose no mesmo saco dos carboidratos . A Organização Mundial de Saúde
está tentando levar o mundo civilizado a adotar o limite de 10% das calorias totais para o
consumo de calorias oriundas da sacarose. Os agentes da ditadura do açúcar já se
mobilizam para abafar esse assunto, o que nos leva a crer que o caminho é este.
11) Em razão da obesidade, a publicidade de determinados produtos alimentícios é
capaz de induzir o consumidor de forma prejudicial a sua saúde?
Esta pergunta foi considerada já respondida na pergunta cinco.
12) O risco de causar obesidade pode ser considerado dado essencial do produto
alimentício que não pode ser omitido na sua publicidade?
O CFN respondeu dizendo que nenhum produto em si causa obesidade. Só o consumo
excessivo de produtos de alta densidade energética ou que incluem nutrientes de
risco . E que isso tudo é motivo de preocupação e que seria prudente o alerta publicitário.
AHOB - Não dá para entender: entre uma porção de torresmo e um copo de leite com
Nescau, qual dos dois possui alta densidade energética e qual inclui nutriente de risco? São
a mesma coisa, e o problema é o consumo excessivo?
Seria interessante que o CFN esclarecesse que estranho nutriente é esse associado ao
risco de doenças crônicas. Um alerta sobre o risco de consumo excessivo parece bobagem;
a velha Bíblia há dois mil anos já disse que gula é pecado. Agora, quanto à substância
travestida de alimento como o açúcar, na verdade um aditivo químico associado a cárie,
obesidade e males metabólicos, o ideal seria a proibição pura e simples. Mas como os
traficantes de açúcar estão no poder pelo menos deveria ser concedido às suas vítimas o
direito de saber a quantidade de veneno que lhe é empurrada goela abaixo.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o açúcar
Em todo o mundo civilizado as doenças cardiovasculares são a principal causa
de mortes por doença. O câncer é medalha de prata nessa olimpíada macabra, sozinho
responde por quase 130 mil mortes num só ano aqui no Brasil. E o diabetes é medalha de
bronze. Como os diabéticos, por causa de sua doença, morrem do coração, de câncer, de
AVC etc. e isso não é especificado na causa mortis, é possível que o diabetes seja a principal
causa de mortes por doenças e isso esteja sendo abafado.
Câncer, doenças vasculares e diabetes são exemplos de males crônicos não
transmissíveis. O leque dessas doenças de causas desconhecidas pela medicina é amplo e
inclui cárie dentária, hipertensão, artrose, obesidade, etc.
A vedete das doenças crônicas eleita pela indústria da doença é a obesidade. No
mundo todo a quantidade de obesos já atige a cifra de 300 milhões. Em alguns países como
os Estados Unidos a obesidade já assume ares de uma pandemia quem não é obeso possui,
em alguma medida, sobrepeso . Os magros em breve serão minoria. O vedetismo da
obesidade deve-se ao fato de a indústria da doença ter pronto e bem amarrado um pacote
ideológico para lidar com ela. A causa da epidemia de obesidade é o consumo da dieta
açucarada moderna. Óbvio ululante mas médicos e nutricionistas engolem a retórica do
pacote relacionando obesidade a maus hábitos alimentares e estilo de vida sedentário ; e
de que a obesidade é uma doença de etiologia pluricausal , quando 95% dos gordos o
são por causa da boca.83 E a solução proposta: reeducação alimentar . Costumo dizer que
para recomendar o consumo de frutas, verduras e legumes não precisamos de médicos,
basta um filósofo naturalista.
Na verdade o título de vedete principal das doenças crônicas deveria caber à cárie
dentária: a mais disseminada, vergonhosa e humilhante de todas as epidemias. A obesidade
atinge apenas uns 40% da população. A cárie mutila quase toda a humanidade. Raro é o
ser humano que tem seus dentes todos inteiros. Para a epidemia de cárie o ramo
odontológico da indústria da doença também tem um pacote de idéias-prontas. É o pacote
do binômio paranóia/ parafernália: o medo de cáries dentárias que persegue os bonecos de
açúcar e o uso da parafernália existente para o combate a elas. Mas esse não é um bom
pacote e já está furado, dentistas honestos já espalharam a verdade: a causa da cárie é o
açúcar. Fica claro então por que, sob a ditadura do próprio açúcar, não dá para vedetizar a
epidemia de cáries. A vedetização da obesidade atende dessa forma aos interesses da
civilização do açúcar.84
Em virtude do consenso da comunidade médico-científica internacional quanto à
relação entre hábitos alimentares, estilo de vida e doenças crônicas, e da proporção
alcançada pelo aumento dessas doenças. A ONU, através da Organização Mundial de
Saúde, está empenhada na tentativa de levar os governos de todos os países a adotar uma
estratégia global cujo objetivo seria levar as pessoas à consumir mais alimentos saudáveis e
praticar mais exercícios físicos.
Segundo a Dra. Lucimar Coser Cannon, assessora regional de doenças não
transmissíveis da OPAS- Organização Panamericana de Saúde, há evidências científicas de
que essas práticas alimentares (consumo maior de frutas, verduras e legumes) previnem o
câncer, o diabetes do Tipo 2 e doenças cardiovasculares , mas ela adverte que não se trata
de propor o vegetarianismo.
83 Certa vez um cientista do Japão que pesquisou sobre obesidade concluiu que não existe tendência para
engordar e sim tendência para comer .
84 O Almanaque Abril, popular enciclopédia em um volume, vendido em bancas de jornal, simplesmente
não dá informações sobre a saúde bucal dos brasileiros. Mas a campanha contra a gordura está lá.
No verão de 2003 a OMS, juntamente com o Ministério da Saúde, lançou, no Rio
de Janeiro, o Programa Global de Frutas e Vegetais fazendo parte do Forum Global para a
Prevenção e Controle de Enfermidades Não Transmissíveis.
Em anos anteriores a OMS já havia lançado uma Estratégia Global visando à
redução do número de fumantes. O programa anti-tabagismo foi bem sucedido. Contra o
cigarro o jogo é duro a OMS e governos do mundo inteiro numa ação orquestrada estão
impondo um verdadeiro cerco à indústria de cigarros e aos próprios fumantes. Hoje ambos
encontram-se literalmente encurralados por proibições e mais proibições. A propraganda
de cigarros está cada vez mais restringida. O fumante proibido de fumar em locais fechados
é obrigado a ir lá fora para dar vasão ao seu vício solitário. Houve tempo em que fazia
parte da boa etiqueta o fumante antes de colocar o cigarro na boca oferecer o maço aos
presentes. Hoje pede licença.
O Tio Sam entra na briga
Em janeiro de 2004 o comitê executivo da Organização Mundial de Saúde se reuniu
em Genebra, Suíça, para discutir e aprovar diretrizes globais mais eficazes visando diminuir
a incidência de doenças associadas ao excesso de peso. Entre as propostas discutidas as
recomendações de sempre quanto a hábitos alimentares e estilo de vida. Mas desta vez
constava na pauta a proposta de um limite para o consumo de açúcar; criação de subsídios
para reduzir os preços de alimentos saudáveis; e aprovação de impostos para encarecer os
alimentos prejudiciais; e criar limitações legais à propaganda desses alimentos.
Representantes da indústria da doença questionaram o relatório da OMS e as medidas
recomendadas. William Steiger, chefe da delegação americana, alegou que as
recomendações estavam baseadas em estudos incompletos. A posição americana ganhou o
apoio de alguns países, como Paquistão, Brasil e Filipinas, a OMS cedeu e deu mais tempo
para o debate das propostas, e a votação das diretrizes globais foi adiada para a reunião
seguinte, em maio. Neville Rigby, diretor de relações públicas da Força Tarefa
Internacional de Obesidade, ONG que reúne especialistas em saúde de todo o mundo, que
esteve na reunião de Genebra, disse que há evidencias científicas (do papel do açúcar na
obesidade) acumuladas ao longo de décadas. Eles podem ter retardado o processo, mas a
tendência de impor limites é irreversível . No mesmo diapasão opinou o endocrinologista
brasileiro Walmir Coutinho, vice-presidente da Federação Latino-Americana de Sociedades
de Obesidade, em declaração à revista Istoé : o respaldo à OMS é importante e as
acusações dos americanos não têm fundamento .85
Esse trabalho de obstrução das iniciativas da OMS já era esperado. A longa carta
que William Steiger enviara ao comitê executivo criticando várias propostas da entidade,
especialmente a falta de ênfase na responsabilidade das pessoas (na escolha de seus
alimentos) , apelava para o uso do velho recurso ideológico da indústria da doença de
deixar o açúcar com as mãos livres e acusar suas vítimas de maus hábitos alimentares .
Mas Philip James, presidente da Força Tarefa Internacional de Obesidade, acusou os
Estados Unidos de estarem dando mostras de terem cedido ao lobby da indústria
alimentícia. Em comunicado distribuído à época, James afirmou que em 1990 a indústria
do açúcar, apoiada pelo governo americano, tinha erguido um muro de oposição a
propostas similares ao plano da Organização Mundial de Saúde. Foi um escândalo que
agora corre o risco de se repetir , afirmou ele.
85 Fontes: Isto É, Tribuna da Imprensa, Folha de S Paulo em suas versões na internet.
E o escândalo se repetiu: em maio de 2004 o comitê executivo da OMS não
conseguiu aprovar, como queria a Estratégia Global para Alimentação Saudável, Atividade
Física e Saúde . Mesmo sendo um documento constituído de orientações e indicações sem
caráter obrigatório como acontece com a estratégia contra o tabaco. Só por sugerir ações
de caráter regulatório, fiscal e legislativo sobre o que os nutricionistas chamam de
ambiente nutricional entre as quais a recomendação do limite de 10% para as
calorias da dieta humana provenientes da sacarose (açúcar refinado), e outras
medidas para começar a cortar as asas da indústria da doença. A proposta original da
Organização Mundial de Saúde foi aprovada com vetos dos traficantes de açúcar.
Perto de 50 países votaram com a OMS. Os votos que deram vitória à indústria da doença
foram dos Estados Unidos, Brasil, Suazilândia e Ilhas Maurício. A imprensa não deu
destaque ao fato - fora engabelada pela questão dos transgênicos. A verdade é que a
maioria dos médicos e nutricionistas sequer está informada do que está em jogo. E nem os
chamados formadores de opinião.
Os traficantes de açúcar sabiam o que estavam fazendo e o que estava em jogo. O
detalhe da recomendação de um limite de 10% para as calorias do açúcar, para a indústria da
doença seria uma verdadeira flechada em seu calcanhar de Aquiles. Suponhamos que a
OMS tivesse conseguido aprovar a proposta do limite nas calorias totais para as calorias do
açúcar. Isso iria desencadear uma série de questionamentos por parte de nosotros el pueblo.
Por que limitar a ingestão de açúcar? Os médicos constrangidos teriam que dizer que o
açúcar faz mal. Por que faz mal? E se faz mal, por que apenas reduzir o consumo e não
abolir de uma vez? Isso sem contar o tremendo prejuízo financeiro que os traficantes de
açúcar teriam ao diminuir drasticamente a quantidade de açúcar que empurram goela
abaixo da humanidade. Talvez a indústria simplesmente quebrasse. Daí o fato de terem
mobilizado seu cão mais feroz, o pitbush.
A doce aliança (Bush, Lula, Fidel)
Alguém seria capaz de imaginar George W. Bush, Fidel Castro e Lula reunidos
numa frente única? De fato parece materialmente impossível colocar essas três figuras
sentadas em torno de uma mesa-redonda. Mas os três trabalhando, cada um por seu turno,
em prol de um objetivo comum acaba de acontecer. Não me refiro a algo parecido com os
três trabalhando pelo bem da humanidade, por exemplo, pelo cumprimento do Protocolo
de Kioto, o desarmamento nuclear ou o fim da pobreza no mundo. Refiro-me aos três
lutando por interesses particulares em detrimento do bem comum. Quem conseguiu costurar
essa infactível aliança? Os traficantes de açúcar.
Agora acredito que o espanto tenha diminuído. Vejamos os interesses comuns dos
três. O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar, Cuba e seu socialismo açúcardependente
também sempre foi grande produtora e os Estados Unidos, além de sua
produção própria, mistura esse açúcar todo na comida e empurra goela abaixo da
humanidade. As coisas começam a fazer sentido.
Essa santa e doce aliança conseguiu vetar esse que era o ponto fundamental da
estratégia da OMS . Os pontos palatáveis à indústria da doença foram aprovados, como a
sugestão aos governos de estimularem através da propaganda o consumo de alimentos
saudáveis (frutas, verduras e legumes). E para a indústria de alimentos a recomendação
de que usem menos sal, açúcar e gordura. Antes a ditadura do açúcar usava como
escudo só a gordura, agora até o velho sal da terra entrou na dança. Esse expediente de
apresentar o açúcar ao lado de gordura e sal como vilões ao mesmo tempo em que
criminaliza a gordura e o sal, descriminaliza o açúcar. A imagem de alimentos é queimada para
livrar a cara de um produto químico nocivo.
A OMS foi derrotada pelos votos dos Estados Unidos, Brasil, Ilhas Maurício e
Suazilândia. Cuba, sem cara para votar ao lado dos EUA, deu um apoio de
bastidores.Como se comportou o Brasil diante desses fatos? Tenho curiosidade para saber
como funciona o processo decisório. O pessoal do Ministério da Saúde (leia-se médicos) já
estava de malas prontas para embarcar com o Programa Global da OMS mas teve o tapete
embaixo de seus pés puxado pelo pessoal do Ministério da Agricultura (leia-se fabricantes
de açúcar) Quem encaminha a posição do Brasil é o pessoal das Relações Exteriores. Este
pessoal diante do impasse envolvendo os dois outros ministérios deve ter consultado o
presidente. Lula que acha uma caipirinha (açúcar, limão e cachaça) a coisa mais normal do
mundo deve ter consultado algum assessor. O aspone talvez tenha dito: Têm uns médicos
malucos aí dizendo que açúcar faz mal à saúde e querendo prejudicar nossos negócios. Nós
somos os maiores produtores de açúcar do mundo . Ou um cenário pior: Lula teria
recebido um telefonema de seu amigo George W. Bush.
Essa obra do Governo Lula não passou em brancas nuvens. Oito sociedades
científicas publicaram um manifesto que encontra-se na página da SBEM - Sociedade
Brasileira de Endocrinologia e Metabolismo (www.endocrino.org.br). Além da anfitriã
citada: a AMB Associação Médica Brasileira, ABESO Associação Brasileira para o
Estudo da Obesidade, SBC Sociedade Brasileira de Cardiologia, SBD Sociedade
Brasileira de Diabetes, SBP Sociedade Brasileira de Pediatria, SBH Sociedade Brasileira
de Hipertensão e SBN Sociedade Brasileira de Nefrologia.
O Manifesto, de março de 2004, esperneou contra a derrota da OMS na reunião de
janeiro na qual os americanos contaram com o apoio do Governo Brasileiro. Segundo o
documento que expressou estranheza e decepção com o papel do governo: interesses
econômicos não devem ter precedência sobre a saúde e o bem estar da população .

O teor de açúcar dos alimentos
O trabalho de descobrir onde o carboidrato assassino se encontra é fascinante.
Robert Atkins
Já que os agentes da ditadura do açúcar conseguiram derrotar a OMS e abafar o
problema pelo menos momentaneamente, publico aqui, só pra contrariar, uma tabela com
o teor de açúcar de alguns produtos alimentícios. Acredito que antes da abolição do açúcar
da dieta humana conviveremos com essas leis que a OMS gostaria de ver aprovadas,
visando disciplinar a ingestão de açúcar. Conto com os nutricionistas, que não são
coniventes com a presença de uma substância antinutriente e patogênica adicionada aos
alimentos, para melhorar essa tabela.
A quantidade de açúcar adicionada aos alimentos industrializados é um mistério -
essa informação é sonegada ao consumidor. As informações nutricionais dos rótulos falam
em carboidratos, gorduras e proteínas; o açúcar, aparece na maioria das vezes disfarçado de
carboidrato. Não interessa à indústria da doença que haja transparência nesse assunto.
A OMS quer que os povos de todo o mundo consumam não mais que 10% de
calorias de açúcar em sua dieta, e para que isso seja possível as pessoas terão que conhecer
o teor de açúcar contido no que estão comendo.
A título de colaboração nessa luta ofereço essa tabela. Até para as poucas
informações que ela contém tive dificuldade de obtê-las.
A Anvisa, por exemplo, em sua página da internet publica uma resolução do
CNNPA - Comissão Nacional de Normas e Padrões para Alimentos que informa que o
extrato de tomate pode conter até 1% de açúcar, e dá a quantidade máxima autorizada para
outros produtos, mas não diz a quantidade adicionada à maioria deles como catchup,
maionese e biscoito recheado, justamente os que concentram maiores quantidades de
açúcar. A Pepsi, por ocasião do lançamento da versão low carb, a Pepsi Edge, deixou
escapar que a versão tradicional em lata contém 41g de açúcar. Para o teor de açúcar do
leite condensado utilizei cálculo publicado em manual de bromatologia.
Produtos populares como pão de fôrma, pizzas, mortadela, maionese,
achocolatados e sorvetes, todos levam açúcar, mas a quantidade ninguém sabe. Um pão de
forma, por exemplo, fica 30% mais calórico por conta do açúcar que o adultera. Conto
com a ajuda do leitor para completá-la, e com o Poder Legislativo para obrigar a indústria
de alimentos a informar a respeito.
Tabela com o teor de açúcar de alguns alimentos
Alimentos Volume da
porção
% em
açúcar
Em colh. de chá Em
gramas
Caloria
s
nocivas
Coca Cola 600ml 10% 60g
Pepsi 350 ml 41g
Doce de leite 250g 60% 150g
Algodão Doce 100%
Pão Doce 50g 60% 30g
Chocolate 68%
Leite condensado 75%
L. de coco açucarado 40%
Geléia de maçã 65%
Iogurte 12%
Extrato de Tomate 1%
Bolo de Chocolate 113g 5 colh. de chá 30g
Bomba de chocolate 1 unidade 7 colh. de chá 35g
Sonho 1 unidade 6 colh. de chá 30g
Pé de moleque 1 unidade 3,5 colh. de chá
Catchupe ?
Maionese ?
Maionese Light ?
Pão francês ?
Lingüiça ?
Mortadela ?
Presunto ?
Pizza ?
Karo ?
Biscoito recheado ?
Torta de Limão
Arroz doce
Sovete
Fonte: Walton, L. et alii. Seis anos a mais. São Paulo: IASD, 1988.
Pesquisa apresentada na IX Jornada de Iniciação Científica da Universidade do
Amazonas, pelas pesquisadoras Nilza Padilha, Janete Vieira, Maria Augusta Rebelo e Mikeila
Ponte sobre Açúcares presentes em gêneros alimentícios e guloseimas utilizados na cidade
de Manaus (título do trabalho). Dá os teores de açúcar para os seguintes produtos: Guaraná
A, 10,96%; Guaraná B, 11,73%; Xarope de guaraná, 134,16%; Doce de leite, 58,81%; Doce
de banana, 74,44%; Doce de cupuaçu com banana, 77,54%; Doce de goiaba, 81,65%.
Do Fome zero ao Açúcar zero
O presidente Lula todo mundo sabe: é baixinho, barrigudinho e gulosinho. Com
um abacaxi do tamanho do Brasil para descascar, ele anda preocupado com a saúde e a
forma física e tem feito dietas alimentares. Nesse terreno Lula tem atirado no escuro, tanto
que ele mesmo diz que é vítima do efeito sanfona . Pelo método de tentativa e erro Lula
foi parar na dieta do Dr. Atkins, a famosa dieta que privilegia carnes e restringe
carboidratos. A princípio a restrição de carboidratos é drástica, objetivando a perda de
massa corporal; depois é proposta uma dieta de manutenção mais liberal com os
carboidratos.
A adesão de Lula a essa dieta despertou a ira da Dra. Valéria Guimarães, presidente
da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabolismo. Valéria defende a dieta dita
equilibrada ou balanceada que, segundo ela mesma, é o que todos os ministérios da saúde
do mundo também defendem.86
Todo brasileiro gosta de feijão com arroz, carne, salada, frutas, ovos, pão e café
com leite. A Dra. Valéria elogiou o prato básico do brasileiro. Acontece que a dieta do
brasileiro está desequilibrada e isso ela não disse. O que provoca o desequilíbrio do prato
do brasileiro é a Coca-Cola de 600 ml, o pudim de leite condensado, o açúcar do açucareiro
e até a cerveja e o vinho sujos de açúcar.
A introdução do açúcar e mais as porcarias açucaradas colocou o saudável prato
básico do brasileiro na categoria da dieta açucarada patogênica moderna.
O que é que Lula e todo brasileiro devem fazer? Não é fazer dieta nenhuma, e sim
sair da dieta açucarada. Inaugurar ao lado do Fome zero o Programa Açúcar zero. Como?
Jogando fora o açúcar com açucareiro e tudo e também as porcarias açucaradas, e voltando
ao saudável prato feito, a feijoada, o vatapá e o churrasco com gordura entrelaçada e tudo.
86 Folha de S. Paulo, 15/09/2003, p. A10.
Quanto aos doces, pode consumi-los desde que sejam feitos com mel de abelhas ou
adoçante.
Na entrevista que concedeu à Folha de S. Paulo a Dra. Valéria diz um disparate tão
elementar que chego a pensar se não foi erro do jornal: Seu cérebro não come proteína,
nem frutinha nem verdurinha; come carboidratos . Ora, frutinha e verdurinha são
carboidratos e fornecem a mesma glicose que o amido, só que mais rapidamente, posto que
sendo carboidratos simples não necessitam de hidrólise como o amido, um carboidrato
complexo.
E só para chatear: em última instância as proteínas alimentam o cérebro sim. Na
falta de carboidratos a gordura passa a ser o grande fornecedor de energia; quando acabar a
gordura, as proteínas dos músculos assumem essa tarefa. Uma pessoa antes de morrer de
fome queima toda a gordura e toda a proteína disponível.
Os dados da mais recente pesquisa do IBGE sobre orçamentos familiares caíram
como uma luva para as teses defendidas aqui. O povo brasileiro como um todo, segundo
essa pesquisa, está ficando obeso e a obesidade se constitui um problema maior que a
fome em nosso país.
O povo brasileiro, ricos e pobres, homens e mulheres está comendo mais porcarias
açucaradas e menos comida de verdade. Refrigerantes (o principal transportador de açúcar
para a barriga da humanidade) teve seu consumo aumentado em quase 400%; bebidas
alcoólicas açucaradas teve um aumento de mais de 100%. Só o refrigerante de guaraná,
com a ajuda das tubaínas, saltou de 1,3 kg por pessoa por ano para 7,7kg. Iogurte (12% de
açúcar) pulou de 0,4% kg para 2,9 kg por pessoa por ano em média.
Não sei se o IBGE não pesquisou ou a imprensa omitiu. Gostaria de ver o consumo
de leite condensado (75% de açúcar), achocolatados (60% de açúcar) e biscoitos recheados
(o site da Anvisa não informa o teor de açúcar).
Quanto à comida de verdade o consumo de feijão caiu 30%, arroz 23%, batata 41%,
peixe 41% e carne de porco 11%.
Quem errou não foi apenas Lula que ficou contrariado porque a pesquisa do IBGE
desmoralizou o Fome zero. O IBGE constatou, perdão pelas letras garrafais mas são
necessárias, QUE O POVO BRASILEIRO ESTÁ COMENDO MENOS GORDURA
DO QUE DEVIA e no entanto toda a mídia patinou na retórica da indústria da doença:
maus hábitos alimentares , estilo de vida sedentário , gorduras saturadas e açúcares .
O Fome zero precisa urgentemente ser rebatizado para Açúcar zero. Mormente
agora depois que o Mercosul está usando como patamar ideal a medida de 2000 Kcal e não
mais o velho teto de 2500 kcal calculado para um cidadão ideal do primeiro mundo. A
retirada do açúcar da dieta, tenho dito, é a retirada apenas de calorias inúteis e nocivas.
2000 calorias
O Mercosul modificou aquele famoso parâmetro de 2500kcal/ dia recomendado
pela Organização Mundial de Saúde. As razões são o clima tropical, o peso e a altura de
nosso povo e também pelo fato da obesidade que está grassando. O novo patamar é de
2000 quilocalorias por dia. Ao dar esta notícia em seu programa, Ana Maria Braga em
seguida, com ajuda de uma nutricionista, mostrou como fazer pratos com baixas calorias
por conta da eliminanação de gorduras. A brincadeira continua: vai ter gente se privando
de ácidos graxos essenciais, vitaminas A, D, E, K e Ômega 3 por causa da paranóia antigordura.
Governo de açúcar
Segundo a Isto É/ Dinheiro de 11 de agosto de 2004, em licitação aberta pela Casa
Civil, foi aprovada a compra de uma lista de 149 ítens alimentícios. Nela constam 7
toneladas de açúcar, 15 mil pacotes de biscoitos, 600 quilos de bombons, 6 mil barras de
chocolate, 900 latas de leite condensado. Eu gostaria de ver a lista completa desses
alimentos . Acho que o governo Lula está sofrendo um perigosíssimo bombardeio de
açúcar.
O subversivo da cesta básica
O pau ainda estava comendo no Vietnã quando Georges Ohsawa, pai da
macrobiótica, disse a William Dufty: Se vocês querem realmente conquistar os nortevietnamitas,
devem mandar em cima deles açúcar, doces e Coca-Cola. Isso os destruirá
mais rapidamente que as bombas . O governo americano, pelo visto, aprendeu a lição à
sua maneira. Na guerra contra o Iraque o filho de Bush jogava uma chuva de bombas
sobre a cabeça dos iraquianos, e em seguida jogava cestas básicas. Entre outras coisas a
cesta básica do Tio Sam continha um pacote de 250 gramas de feijão e um quilo de açúcar.
Do alimento fonte de proteínas apenas 250 gramas; de açúcar, um simples agente químico
adoçante, um quilo! Durante as cenas de vandalismo e saques, ocorridas por conta do caos
que sucedeu os bombardeios, vi foto de jornal de um menino iraquiano levando para casa
um saco de açúcar do tamanho de um saco de cimento de cinqüenta quilos. Pensei: o
coitado pensa que está levando comida para casa. Será que essa guerra de Bush não é para
levar a civilização do açúcar para o Iraque?
Ninguém escreveu ainda um livro sobre o binômio açúcar e guerra. Provavelmente
até os historiadores estão com suas consciências obnubiladas pela cortina de açúcar. O
doutor Yotaka Fukuda cita um certo Nizami que disse: Tenho às mãos os dois
instrumentos de domínio: numa o chicote, noutra o açúcar .87 O açúcar já esteve para a
economia mundial do século XVIII assim como o petróleo está para a economia
contemporânea. O açúcar já foi chamado de ouro branco assim como o petróleo é
chamado de ouro negro .
Todos conhecemos a máxima dividir para governar . No mundo do açúcar seria
adaptada para enfraquecer e adoecer para dominar . Eu diria, parafraseando Marx, que o
regime capitalista necessita da existência de um exército de reserva de doentes.
Aqui no Brasil, a mesma coisa. O açúcar, um produto químico travestido de
alimento, é um dos figurantes da cesta básica dos pobres. Trata-se de um caso flagrante de
falsidade ideológica ou falsidade nutrológica, se assim quiserem.
Gostaria de exortar aqui o deputado Roberto Freire, que é comunista e diabético, a
liderar a bancada dos diabéticos na Câmara e no Senado para aprovar uma lei que retire o
açúcar da cesta básica e de preferência ponha no lugar algum alimento protéico, como
carne seca ou uma dúzia de ovos. Se for para deixar o açúcar na cesta básica, então é
87 Fukuda, Y. Açúcar, amigo ou vilão? São Paulo: Manole, 2004, p. 31.
melhor abrir caminho para a introdução de uma garrafa de cachaça. Cada grama de álcool
presente na cachaça gera sete calorias; deste ponto-de-vista ela é mais nutritiva do que o
açúcar.
Maçã com açúcar
Em www.ufpel.tche.br, página da Universidade Federal de Pelotas, encontra-se o
resultado de uma pesquisa a respeito da possibilidade da produção de maçãs Fuji
desidratadas em forma de palitos. Lá ficamos sabendo que uma maçã madura in natura
contém 10,35% de açúcares redutores (glicose e frutose) e uma presença apenas residual de
sacarose, de 1,21%. Um claro recado da mãe natureza de que o açúcar que ela quer que seus
filhos consumam chama-se glicose e frutose. Depois de cortada em forma de palitos,
desidratada e encharcada de açúcar do açucareiro, os teores de açúcares passam a ser os
seguintes: glicose e frutose 49,58%, sacarose adicionada 38,98%. Resultado: os palitos de
maçã Fuji terão mais de 90% de açúcares, serão uns verdadeiros palitos de açúcar. Depois
que o número de crianças obesas aumentar, os nutricionistas vêm com o seguinte papo:
Não se pode atribuir a obesidade a nenhum produto alimentar especificamente . A culpa
será dos maus hábitos alimentares das crianças.
Café na merenda
Face à inclusão de café no Programa de Alimentação Escolar, o CFN, Conselho
Federal de Nutricionistas, solicitou um parecer técnico do Prof. Carlos Alberto Bastos
sobre o assunto. A íntegra do documento está na página do Conselho na internet. Diante
do parecer dando conta da pobreza nutricional do café, o CFN pronunciou-se contra a
inclusão.
O café não é só insignificante em termos nutricionais; é uma substância mutagênica
em animais de laboratório. Mas o pior não é isso. Café na merenda escolar seria mais um
pretexto para aumentar a quantidade de açúcar já presente na merenda e que é uma
incógnita. Café forte, como é costume consumi-lo no Brasil, é um verdadeiro Cavalo de
Tróia com a barriga cheia de açúcar que mandamos alegremente para dentro de nosso
corpo. As conseqüências seriam mais cárie dentária e mais obesidade infantil.
Parabenizo o CFN pela postura contra o café, mas gostaria de desafiar essa
entidade representativa dos nutricionistas a encomendar um parecer científico sério sobre o
açúcar. Se o Conselho for coerente com o que está dito em seu próprio portal na internet -
como nutricionistas, recomendamos para a alimentação humana apenas substâncias que
contribuam na composição de elementos favoráveis à saúde -, o acúcar será reprovado.
Para mim é uma substância teratogênica em seres humanos: macrossomia em bebês e cárie
dentária, ou um ser humano desdentado não é uma monstruosidade? Só há duas
alternativas diante da presença de açúcar na merenda escolar, ou melhor, na dieta humana:
condenação ou conivência.

DOCE ENCICLOPÉDIA
E por que razão não proibir o uso generalizado do açúcar como alimento, eliminando, assim, para sempre o
perigo de adquirir diabetes?
Georges Ohsawa
Diabetes e guerra
Tanto durante a Primeira quanto durante a Segunda Guerra Mundial, no mundo
civilizado houve uma queda no número de novos casos de diabetes. O açúcar faltava na
mesa e nos supermercados para os civis, embora não faltasse nas mochilas dos soldados,
porque era tido como uma grande fonte de energia. Os índices de casos de diabetes entre
soldados aumentaram.
O médico brasileiro Francisco Arduíno, autor do livro Conheça seu diabetes, tirou
desse fato uma conclusão engraçada. Para ele houve falta de alimentos em geral e o
diabetes seria uma doença que prevalece em povos bem alimentados . Em suas palavras,
numa situação de carência alimentar como sói acontecer em guerras é natural que diminua
o índice de novos casos de diabetes . O Dr. Arduino estava convencido de que a incidência
de diabetes aumenta com a melhora das condições sociais e conseqüentemente da
alimentação .
Apesar de sua boa vontade a conclusão do Dr. Arduíno é paradoxal. Como uma
melhor alimentação pode gerar diabetes? Ele não conhecia o conceito de dieta açucarada
moderna, que daria consistência a suas conclusões. No mundo de hoje, quanto mais bem
alimentado mais açúcar está ingerindo o cidadão . Está resolvido o paradoxo: a dieta
açucarada moderna é uma dieta diabetogênica. A escassez de comida durante as guerras foi
um mal que, pelo menos neste aspecto, veio para o bem.
Índio quer açúcar
Já se foi o tempo em que índio queria apito. Nos Estados Unidos, além dos
apaches, navajos, cheyenes e sioux existe uma tribo chamada pima. Os índios pima vivem
no Arizona, e freqüentam a literatura médica por causa do diabetes - é alta a incidência da
doença entre eles. Descubro na Enciclopédia Americana, no verbete sobre os pima, que são
considerados os índios mais civilizados dos Estados Unidos. Desnecessário dizer que
quando esses índios comiam carne e bebiam leite de búfalo não havia diabetes entre eles. É
necessário dizer que o diabetes veio juntamente com o açúcar, a Coca-Cola e o
hambúrguer?
Com o nosso cacique Mário Juruna, que sendo índio não tinha nenhuma
predisposição genética para doenças, aconteceu a mesma coisa: civilizou-se , elegeu-se
deputado federal, aprendeu a comer açúcar com o homem branco, e por causa disso ficou
diabético e por causa disso morreu.
Segundo o médico militar americano T. L. Cleaver, entre a chegada da dieta
açucarada e os primeiros casos de diabetes entre aborígenes passa-se um período de vinte
anos - é o que chamo de Lei Cleaver. E acrescento que quanto mais avança o açucaramento
da dieta mais curto se torna esse prazo.
Já que o assunto é índio, em 1855 o chefe Sealth da tribo duwamish, que habitava
as terras em que hoje fica o estado de Washington, escreveu uma carta ao presidente
Franklin Pierce em resposta a uma proposta indecente de compra das terras dos índios por
parte do governo americano. Nessa carta, que todos deveriam ler, lá pelas tantas o índio
reclama que nossos guerreiros têm sentido vergonha. E após a derrota eles
transformaram seus dias em ócio e contaminaram seus corpos com comidas doces e
bebidas fortes .
Só mesmo um índio derrotado para se prestar a comer comidas doces. Silva Mello
relata-nos que, em excursão pelo Alto Orinoco, na Amazônia venezuelana, o doutor Pierre
Courel, nos anos 50 do século XX, ficou bem impressionado com a beleza, a higidez e a
resistência física dos povos autóctones daquele lugar. E especialmente com os dentes
desses índios, os quais eram tão bons que os cipós (lianas) da floresta eles cortavam-nos
com os dentes. Mas o que impressionou sobremaneira o médico foi quando os índios
cuspiram os alimentos salgados e o açúcar, que acharam de sabor repugnante, apesar de
comerem com indizível prazer piolhos e mandioca apodrecida.88 Curiosamente existem
relatos semelhantes de episódios relativos a índios brasileiros cuspindo açúcar e fazendo
cara de nojo, provenientes das equipes que acompanharam Noel Nutels pelo interior do
País.
No Brasil de hoje nossos índios bororos (diga bôrórus), de Mato Grosso, estão a
praticar uma espécie de suicídio coletivo lento, entregando-se ao vício de bebidas
alcoólicas, refrigerantes e (pasmem!) água com açúcar. O Ministério da Saúde dos Índios
deveria fazer alguma coisa.
Gandhi e o açúcar
Quem conta essa história é a ministra Marina Silva. Certa vez, na Índia, uma mulher
levou seu filho que comia muito açúcar para Gandhi orientá-la sobre como fazê-lo parar
com aquilo. Gandhi olhou para o menino, pensou um pouco, virou para a mãe e pediu a
ambos para voltarem dali a quinze dias. Passou-se o tempo, os dois voltaram e a mãe
perguntou a Gandhi o que fazer. Gandhi simplesmente olhou para o menino e disse: Pare
de comer açúcar! .
A mãe ficou decepcionada: O senhor me fez atravessar toda a Índia, viajar durante
duas semanas só para dizer isso? Por que não me disse isso na primeira vez em que estive
aqui? Gandhi respondeu: É que naquele dia eu próprio ainda comia açúcar .89
Índia desdentada
O programa Fantástico da TV Globo apresentou uma série de documentários sobre
as mulheres de todo o mundo. Ana Paula Padrão apareceu entrevistando mulheres e
homens nas ruas da Índia e o mote era o fato de que lá uma mulher pode ter quatro
maridos e um deles ser o favorito. Ana Paula queria que a indiana dissese qual o critério
88 Silva Mello, A. Op. cit., 1964, p. 225.
89 JB Ecológico de 01/07/2004, p. 15.
usado pelas mulheres para a escolha do favorito. Os indianos riam. Dava pena: todos
desdentados. A Índia é o segundo maior produtor de açúcar do mundo; o primeiro é o
Brasil.
Micropatriologia e açúcar
Micropatriologia é a disciplina que estuda os pequenos países como o Vaticano,
Liechtenstein, Malta e Mônaco.90 Menos conhecido o Reino de Nauru fica numa pequena
ilha de 21 Km quadrados na Polinésia. Em 1830 os europeus descobriram o pequeno
reino. Primeiro os alemães e depois os australianos dominaram Nauru. No início do século
XX descobriu-se na pequena ilha um filão fabuloso de fosfato de alta qualidade. Em 1968
tendo conquistado a independência, os nauruanos passaram a ficar com o dinheiro que
antes ia para o bolso do colonizador. Durante a década de setenta o povo de Nauru possuía
a maior renda per capta do mundo. Ricos os nauruanos aderiram ao American Way of Life ou
em outras palavras à dieta açucarada moderna. Resultado: o pequeno reino conheceu uma
impressionante epidemia de doenças crônicas. Dois em cada três nauruanos ficaram
diabéticos. Mas, por um desses males que vêm para bem, o filão de fosfato acabou. Se os
nauruanos voltarem a comer lentilha com carne de tatu e beber água de coco em vez de
carboidratos refinados e refrigerante certamente os índices de diabetes vão cair. É só
conferir.
Outro micropaís que nos interessa é o Reino de Tonga, arquipélago composto por
172 ilhas situado no centro-sul da Oceania. País agrícola, Tonga produz banana, baunilha e
coco do qual industrializa o óleo.
A revista Seleções de fevereiro de 1984 diz que nesse pequeno reino polinésio
gordinha é padrão de beleza. O rei de Tonga para dar o exemplo pesa 200 quilos e constou
do Guiness (o livro dos recordes) em 1976. Os habitantes de Tonga orgulham-se de sua
silhueta arredondada e chamam a esse estado de sino le le (saudável rotundidade, segundo a
Seleções). É preciso ter uma certa quantidade de gordura firme, comer bem resolve o
problema , resume alegremente uma tonganesa.
Os judeus e o açúcar
Os judeus freqüentavam a literatura diabetológica do tempo do Dr. Joslin. Quando
se comparava a incidência de diabetes entre os diversos povos, os judeus eram
apresentados como afeitos ao diabetes. Ao contrário de negros, indianos, japoneses e
chineses, raças nas quais a incidência de diabetes era menor.
É conhecida a história dos judeus iemenitas, nômades que se alimentavam
basicamente de carnes e não sabiam o que era diabetes entre eles. Ao chegarem a Israel
passaram a fazer uso da dieta açucarada moderna (Israel se orgulha de ser um Estado
moderno) e começaram a contrair diabetes e outras doenças crônicas e degenerativas.
O povo judeu tem 5.766 anos de História. Já os traficantes de açúcar entraram em
cena de forma organizada há uns 500 anos apenas. No entanto, apesar de serem uns
90 Um compêndio de micropatriologia é Em busca de Liliput de Luiz Gintner. Rio de Janeiro: Litteris,
1997.
fedelhos em termos históricos, esses traficantes vêm conseguindo adulterar a cozinha de
todos os povos do planeta, inclusive a do povo judeu.
A cozinha judaica moderna encontra-se conspurcada pelo açúcar. Alguns doces são
confeccionados usando como medida a famigerada xícara de açúcar . Pratos antes
salgados hoje são adoçados com açúcar e não mais com o mel das abelhas. E até o vinho
servido na páscoa judaica, consagrado pelo rabino e tudo, tem a sua versão suave , quer
dizer, açucarada.
O que impressiona é que os judeus são rigorosos no que diz respeito à alimentação.
As leis do kashrut, prescrições tradicionais referentes aos hábitos alimentares dos
judeus, segundo a interpretação mais plausível, visam à saúde do povo eleito e proíbem
alimentos sujos que possam trazer doenças.
Acontece que essas leis são do tempo de Moisés e o açúcar é uma novidade química
não só para os judeus como para a humanidade. E como hoje, quase toda a humanidade
consome a ração açucarada moderna. Os judeus não escaparam a essa regra.
Os rabinos modernos estão tendo que interpretar as leis do kashrut e determinar, no
universo de guloseimas que é um supermercado moderno, o que é e o que não é kasher.
Mas o açúcar, que consegue enganar até médicos e nutricionistas, enganou também
os rabinos. Eles, mais preocupados com a lactose presente nos alimentos industrializados,
esqueceram-se da sacarose.
Em página da internet sobre alimentos kasher encontra-se com todas as letras:
Todos os tipos de açúcar existentes no mercado tais como açúcar líquido, açúcar
invertido, açúcar refinado, açúcar cristal, açúcar demerara, açúcar mascavo e açúcar de
confeiteiro são kasher . Só faltou colocar um kipá em cima da tampa do açucareiro. O
empolgado rabino supervisor chama-se M A Iliovits.
Nenhum tipo de açúcar industrializado, do bruto ao refinado, pode ser considerado
kasher. Primeiramente porque sabemos que ele não é puro . O açúcar bruto contém
sujeira grossa, e o refinado lixo químico fino. E mesmo que um dia os traficantes de açúcar
consigam refinar um tipo completamente puro , ainda assim não poderia ser considerado
kasher, porque, sendo o combustível usado pelas bactérias cariogênicas, provocando o
funcionamento anormal do pâncreas e infernizando o organismo com uma infinidade de
males, o açúcar atenta conta a saúde. Logo não pode ser considerado kasher e sim, dando
continuidade ao vocabulário judaico, terefá (alimento considerado impuro pelas leis
rituais)91.
Eça... é de Queirós
Há mais! A Nação, num artigo lírico e heróico, diz que a verdadeira missão do País
não é a indústria é a conquista! A pena de pato da Nação é pois uma lança disfarçada (...)
Portanto, logo que a Nação triunfe e Ponto de Reticência I suba as escadinhas do trono,
a indústria será punida pelos códigos (...) E nos jornais saborearemos estas locais:
Prisão importante: O célebre Eduardo Compostela foi ontem capturado com todos
os seus cúmplices, num covil, onde se dava à criminosa ocupação de refinar o açúcar. O
malvado fez revelações. Tornou-se muito censurável o procedimento de alguns agentes de
polícia que destruíram as provas do crime comendo-as .
O mesmo Eça de Queirós cioso da industrialização de Portugal estava alerta para as
conseqüências patológicas do consumo desse novo produto industrial:
É raro ver uma menina alimentar-se racionalmente de peixe, carne e vinho.
Comem doce e alface, jantam as sobremesas. A gulodice do açúcar, dos bolos, das natas, é
91 Schlesinger, Hugo. Pequeno vocabulário do judaísmo. São Paulo: Edições Paulinas, 1987.
uma perpétua desnutrição. Lisboa é uma cidade doceira, como Paris é uma cidade
intelectual. Paris cria a idéia e Lisboa o pastel. Daí a grande quantidade de doenças de
estômago e de maus dentes. A deterioração pelo doce começa aos quatro anos .
Eça de Queirós escreveu isso no longínquo (em termos de consumo de açúcar,
especialmente) Século XIX em sua obra: Uma campanha alegre.
Carvão de açúcar
A partir de açúcar puro pode obter-se carvão. Calcinando-se o açúcar em recipiente
de platina e em seguida fazendo-se uso de cloro para eliminar algum resquício de
hidrogênio. O açúcar funde-se antes de decompor-se liberando gases. Dá um carvão tão
duro que risca o vidro como faz o diamante.
Diamante de açúcar
Em 1893 o químico francês Henri Moisan (1852-1907), professor na Sorbonne e
Prêmio Nobel de Química (1906), conseguiu produzir artificialmente o diamante em
cristais de 0,5 milímetro fazendo cristalizar o carbono sob pressão no ferro coado em
fusão. Para tanto dissolveu em seu forno elétrico o carvão de açúcar no ferro coado
fundido e arrefeceu bruscamente a massa de ferro fundido num banho de chumbo
derretido; formou-se assim externamente uma camada de ferro coado sólido, que mantinha
no interior o ferro coado derretido, o qual tende a aumentar de volume quando solidifica.
Nestas condições o carbono dissolvido separa-se a uma pressão considerável sob forma de
diamante transparente, grafite e substâncias carbonadas.
Plástico de açúcar
A partir de três quilos de açúcar é possível a produção de um quilo de matéria
plástica biodegradável. Tal plático é um polímero natural de glicose biossintetizado por
bactérias comedoras de açúcar. O produto é dotado de características físicas muito
próximas das dos polímeros sintéticos. A fábrica-piloto (Usina da Pedra) fica em Serrana
no Estado de São Paulo. O processo de fabricação é simples, as colônias de bactérias são
alimentadas com açúcar. No organismo delas o açúcar é transformado num polímero
chamado PHB (polihidroxibutirato). Solventes especiais destroem a parede celular da
bactéria e extraem o polímero que após tratamento e secagem é comprimido em forma de
pastilhas para comercialização. A matéria plástica feita de açúcar degrada-se num período
de seis a doze meses. Enquanto plásticos de origem de petróleo levam de 40 a 50 ou até
200 anos no caso do PET (polietileno tereftalato).
Mais doce que açúcar
O sabor doce não é monopólio do açúcar. Segundo Guyton, uma infinidade de
substâncias causam sabor doce: glicóis, álcoois, aldeídos, cetonas, amidos, ésteres,
aminoácidos, ácidos sulfônicos, ácidos halogenados, sais inorgânicos de chumbo e berílio.
Quase todos são substâncias orgânicas. Quanto à intensidade do dulçor: taumatina e
monelina, proteínas extraídas de plantas africanas, são três mil vezes mais doces que açúcar.
E a substância P-4000 ou 4-nitrobenzeno é 5000 vezes mais doce que o açúcar. Não é
usada porque é muito tóxica. Já O Livro dos Records, da Guiness, dá a medalha de ouro para
o Talin, substância obtida da semente da planta Katemfe (Thaumatococcus Daniellii) que
seria 6150 vezes mais doce que o açúcar.
Espíritos e açúcar
Minha mãe adora açúcar. Ela não é diabética, embora tenha hipertensão e
problemas no coração, nos ossos e nos dentes. Ela é espírita, tem mediunidade e
eventualmente se comunica com um médico do astral, o Dr. Bezerra de Menezes. Ela disseme
que o espírito-doutor criticou-a por ela estar comendo muita carne vermelha, ovos e
sal. E recomendou-lhe mais frutas, verduras e legumes. Perguntei-lhe se ele falou alguma
coisa sobre açúcar; ela disse-me que não. Eu, materialista empedernido, acho que a ditadura
do açúcar conseguiu fazer a cabeça até da fauna d além-túmulo.
Açúcar nas formigas
O Dr. Paulo Timóteo Fonseca , ginecologista e obstetra, é autor de um livro sobre
alimentação natural com base na medicina convencional. Em seu livro ele relata uma
experiência interessantíssima levada a cabo por ele mesmo. Depois de perder a esperança
de acabar com as formigas da cozinha de sua casa através de seguidas dedetizações, ele
orientou o pessoal da casa para manter a cozinha sempre limpa, isenta de qualquer migalha
de alimentos. E deixou de presente para as formigas um montinho de açúcar, que ficava
sempre repleto de formigas . Poucos dias depois as formigas começaram a desaparecer até
que se tornou raro encontrar sequer uma formiga na cozinha. Nem no montinho de açúcar
havia mais formigas. Não havia outra explicação. As formigas estavam morrendo
envenenadas (...) Resolvi definitivamente o problema das formigas na minha cozinha,
mantendo um montinho de açúcar no parapeito da janela .92 E conclui, como um pai
extremoso: Tomo sempre o cuidado de colocar este veneno longe do alcance das minhas
crianças .
AS MULHERES E O AÇÚCAR
92 Fonseca, P. T. Saúde e alimentação natural. Petrópolis: Vozes, 1987, p. 140.
Açúcar é um veneno; não deixo isso entrar em minha casa, quanto mais em meu corpo.
Glória Swanson
As mulheres em geral gostam muito de açúcar, mas a recíproca não é verdadeira.
O açúcar está associado a uma série de condições que infernizam suas vidas: celulite, tensão
pré-menstrual (TPM), enxaqueca, estresse, rugas. Nas mulheres grávidas o mal que o açúcar
faz é em dobro e significa pré-eclâmpsia, endometriose, diabetes gestacional e bebê
macrossômico. Mesmo que o açúcar estivesse envolvido apenas com problemas que
atingem as mulheres individualmente, já seria motivo suficiente para preocupação. A
gravidade da situação é que o açúcar está atingindo o ser humano no delicado momento da
reprodução da espécie comprometendo o futuro da humanidade.
Celulite
Celulite nada mais é que células do tecido subcutâneo com gordura armazenada.
Um quadro infeccioso da pele associado a alterações metabólicas do tecido subcutâneo e a
distúrbios endócrinos. A celulite forma-se na camada profunda da pele no tecido
gorduroso entre a derme e os músculos. Uma alteração misteriosa no metabolismo dessa
camada de gordura origina a celulite. Aposto como a GNP glicação não-enzimática de
proteínas tem culpa nesse cartório. O colágeno também está presente na derme e o
colágeno é uma das primeiras vítimas da glicação. Um crescimento desordenado de células
de gordura interrompe a circulação congestionando o tecido dando origem aos buracos e
nódulos típicos da celulite. Todo mundo sabe que gordura nada mais é que o excesso de
açúcar ingerido. Na internet são raras as informações científicas sobre celulite: 99,9% delas
repetem o discurso da indústria da doença. Como exceção da regra temos o Dr. Antonio
Herbert Lancha Junior, que recomenda: Se o objetivo é reduzir a celulite, evite longos
período de jejum. Evite também alimentos com muito açúcar .
O irônico da coisa é que existe funcionando a todo vapor uma indústria que
movimenta bilhões de dólares no mundo inteiro por conta da celulite, tratamentos
mirabolantes e caros para combatê-la, quando a solução é tão simples e barata: a primeira
providência da mulherada que quer se ver livre da celulite é largar o açúcar.
Estrias
O que causa as estrias ninguém sabe mas o que importa é que elas também ajudam
a sustentar uma indústria que enriquece espertalhões. Entre as causas possíveis estão o
desequilíbrio hormonal e a má formação do colágeno. O desequilíbrio endócrino age sobre
a atividade dos fibroblastos, células de tecido conjuntivo que formam as fibras elásticas e
colágenas. Colágeno e elastina são células de sustentação localizadas nas camadas mais
profundas da pele. Quando elas se rompem o reflexo na flor da pele são as estrias.
O açúcar é suspeito no crime das estrias por duas razões básicas: uma porque é um
notório bagunceiro dos sistemas hormonais e outra a glicação não-enzimática de proteínas
(GNP ) a que fica exposta o colágeno - proteína que ajuda a conferir elasticidade e viço a
pele.
Mulheres que não desejam ter seu corpo todo estriado têm na dieta isenta de açúcar
o melhor caminho: a prevenção, posto que a dieta açucarada moderna responde por uma
enxurrada de glicose inútil e radicais livres nocivos ao organismo. O segredo é não comer
açúcar, fazer exercícios, comer verduras... resume Patrícia Rittes dermatologista da
Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia,
respondendo à pergunta de uma internauta sobre estrias no Chat do portal Terra.
Enxaqueca
Outro fantasma na vida de muitas mulheres é a enxaqueca. As bebidas alcoólicas
encabeçam a lista de fatores que desencadeiam as crises de enxaqueca. O vinho tinto é o
campeão de reclamações, embora bebidas destiladas também contribuam. Os médicos que
lidam com o problema não atinam mas o vinho tinto envolvido com certeza é o suave , e
quando a bebida for destilada deve ser outra porcaria açucarada tipo caipirinha ou coquetel de
frutas , que as mulheres adoram.
O doutor Edgar Raffaelli Jr, fundador e presidente honorário da Sociedade Brasileira de
Cefaléia, em entrevista ao site www.cente.med.br diz: Existe, porém, um inimigo que, em
geral, as pessoas desconhecem e custam a identificar: o açúcar. Como o controle da
glicemia depende também do sistema límbico e o hipotálamo desses pacientes funciona
mal, as oscilações bruscas da taxa de açúcar no sangue são fatores importantes para
deflagrar a crise . Mais adiante o médico explica melhor o que acontece: Uma hipoglicemia
reacional evidencia o fato de o açúcar ter sido queimado em excesso por ter agido como
agressor do sistema. Portanto a conduta acertada é ingerir menos açúcar .
Sou mais radical: visto que todos os alimentos, até bunda de tanajura frita, já fornecem a
energia de que o corpo precisa, qualquer quantidade de açúcar ingerida entra como
agressora do sistema . Portanto a conduta acertada é zerar o açúcar. Uma gordinha
anônima em depoimento à comunidade Abaixo o açúcar! , criada por Daniela Guimarães
no orkut, não me deixa mentir: Só sei que nessa de não comer mais açúcar, a minha crise
de enxaqueca sumiu... te juro!!!
Endometriose
A endometriose é uma doença crônica muito comum, caracterizada pela presença
de tecido de estrutura semelhante ao endométrio (mucosa que reveste as paredes internas
do útero) em diversas áreas do aparelho genital feminino: peritonal, ovariana, septo
retrovaginal. A endometriose pode provocar dores menstruais e causa fibrose em toda a
pelve, envolvendo tanto os ovários que o óvulo normal não pode ser liberado, sendo
portanto causa de esterilidade feminina. A Folha de S. Paulo, no caderno Equilíbrio , na
internet, tem um depoimento comovente da fisioterapeuta Ana Tereza em pergunta à Dra.
Cláudia Colucci: Eu tenho endometriose e quando recebi o diagnóstico já nem queria
mais tratamento algum, pois já tinha tido um natimorto, dois abortos e uma gravidez
ectópica. Fiquei um ano sem comer açúcar e quando já nem acreditava era mãe .
Menopausa, menstruação e TPM
O nome do site é Canal Saúde. Nele encontro interessante texto de Lúcia Fávero do
qual destaco este trecho: O açúcar é muito prejudicial para quem está enfrentando os
problemas da menopausa. Ele provoca uma flutuação hormonal no pâncreas que leva à
baixa de estrógeno. Além disso açúcar provoca lentidão dos elementos químicos dos
hormônios, prejudicando o trabalho das supra-renais e também atuando para baixar o nível
de estrógeno. O açúcar não faz falta ao organismo. O açúcar é um vício (dos mais fáceis
de abolir). O segredo está em cortar definitivamente a utilização do açúcar para a
alimentação .
Fico feliz quando encontro um site como esse. Defendemos a mesma causa, açúcar
zero. Quanto à menstruação e TPM, tensão pré-menstrual, na página do jornal cearense O
Povo na internet, leio matéria de 1 de janeiro de 2003 sobre esses assuntos. Como armas
para combater a TPM entre outras providências, como dormir bem, o Dr. Carlos
Antunes, ginecologista e homeopata, pede atenção para a ingestão de açúcar. Segundo ele,
para cada três colherinhas de açúcar refinado o organismo tem que se livrar de 100
miligramas de toxinas, e a capacidade de eliminação do organismo é de apenas 60
miligramas. Essas toxinas são subproduto do tratamento químico pelo qual o açúcar passa
até ficar branco. É o lixo químico fino do açúcar.
Pré-eclâmpsia ( ex-toxemia gravídica )
Associando pré-eclâmpsia à obesidade, resistência insulínica e trigliceridemia, o Dr.
T. Clausen, do Hospital da Universidade de Ullevaal, em Oslo, Noruega, orientou uma
equipe de pesquisadores, partindo da hipótese de que a ingestão de calorias de alimentos
ricos em sacarose ou ácidos graxos poliinsaturados, independentemente considerados,
aumentaria o risco de pré-eclâmpsia.
Nas mulheres grávidas os testes confirmaram que o consumo de açúcar está
associado ao aumento do risco de contrair pré-eclâmpsia. Segundo o Dr. Clausen os ácidos
graxos poliinsaturados também contribuem. Os pesquisadores não observaram relações
entre outros nutrientes energéticos e o risco do distúrbio. E concluíram que os padrões
dietéticos cada vez mais prevalentes em diversas partes do mundo podem afetar
adversamente os muitos esforços para reduzir as complicações hipertensivas durante a
gravidez . Em outras palavras, a dieta açucarada moderna está ofendendo a humanidade
desde o ventre materno.
Picamalacia
Pica a melancia, ou melhor, picamalacia . Que palavrão, alguém sabe o que é? É
aquele estranho desejo que as mulheres grávidas têm de comer coisas estranhas.
Picamalacia tem a ver com o lado patológico da coisa. É quando as gestantes querem
comer coisas absurdas como barro, palito de fósforo, bolinhas de naftalina, cabelo etc. Para
alguns autores o instinto explicaria tal comportamento; assim, por exemplo, a necessidade
orgânica de algum mineral levaria uma grávida a comer argila. Mas a ciência médica não
concorda com isso. Existe também o lado folclórico da coisa que diz que o consumo de
certos alimentos condicionaria alterações na criança, por exemplo: se negro, determinados
alimentos ajudariam a clarear a criança - caso típico de folclore racista. Outros alimentos
ajudariam a expulsar o pimpolho na hora do parto, abreviando as dores.
O desejo de comer comida normal, frutas fora de época, por exemplo, não é
considerado picamalacia. Segundo o livro Nutrição na Gravidez e na Lactação, entre os
alimentos mais desejados pelas grávidas estão os doces, e esses desejos ou aversões não
são necessariamente prejudiciais . Já comer amido, coisa comum entre as negras
americanas, é tido como sintoma de picamalacia e tem até nome próprio: amilofagia. Se
comessem terra ou barro seria geofagia. Comer amido, ainda segundo o livro, pode
provocar obesidade . 93
Amido até onde sei é alimento, contém proteínas, vitaminas, sais minerais, fibras e
ainda libera glicose lentamente; logo, ingerir um alimento normal não poderia caracterizar
uma doença. A não ser que amilofagia se refira à mania de comer amido cru. Mesmo
assim comer gordura ou proteínas cruas daria nas picamalacias: lipidiofagia e protidiofagia
o que não acontece.
Então mulher grávida comer doce não é necessariamente prejudicial , ao passo
que comer amido é patologia e pode provocar obesidade .
A meu ver, temos aqui um claro exemplo de um texto de nutrologia escrito
segundo os interesses dos traficantes de açúcar, ou seja, não se trata de ciência e sim de
ideologia.
Proponho a colocação dessa ciência em pratos limpos. Assim sendo, o desejo de
ingerir amido deve ser considerado um desejo normal, quiçá manifestação instintiva da
gestante da necessidade de nutrientes; e o desejo de comer doces deve ser considerado uma
perigosa manifestação de picamalacia que expõe as mulheres grávidas ao risco de
obesidade, diabetes gestacional, ao risco de gerar bebês macrossômicos e ao risco de préeclâmpsia.
Sugiro como nome próprio para esta patologia Sucrofagia ou Sacarinofagia.
Diabetes gestacional
O diabetes gestacional eu considero um assunto da maior gravidade, justamente
porque atinge a humanidade no sagrado momento da reprodução da espécie. Não vejo
porém a seriedade necessária no trato desse assunto. Por exemplo, um número especial
sobre diabetes da revista Saúde já na capa, ao lado do rosto perfeito de Carolina Melhem,
traz uma chamada insidiosa: Com moderação dá até para liberar o açúcar . Liberar açúcar
para diabéticos devia ser considerado crime e o pedido de moderação uma atenuante. Na
apresentação, Lúcia Helena de Oliveira, diretora de redação, diz que o número de
diabéticos só aumenta justamente porque o mundo está cada vez mais gordo . E está
cada vez mais gordo porque a dieta está cada vez mais doce, alguém duvida?
A indigitada revista informa, sobre o diabetes gestacional, que ele atinge 2% das
grávidas. O médico Dráuzio Varela acompanhou a gravidez de cinco mulheres para o
programa Fantástico, da Rede Globo, e uma delas apresentou a síndrome - justamente a
que mantinha a geladeira abastecida de chocolate. Uma em cinco, não sou bom de
93 Worthington, Bonnie S. R. Nutrição na Gravidez e Lactação. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara, 1988 p.
60.
matemática, mas são 20%. Será que o pessoal da digitação da revista comeu o zero? Na
cidade do Recife o número de casos de diabetes gestacional já passa de 130 mil por ano;
será que essa cifra é só 2% dos nascimentos daquela cidade? Ou a indústria da doença não
teria interesse em diminuir a real dimensão do problema?
E quanto à etiologia do diabetes gestacional? Segundo a teoria geral que informa
este livro, é o consumo aumentado de açúcar pelas mulheres grávidas. Todos sabemos que
as gestantes comem mais, comem por dois , e, et pour cause, comem mais açúcar. A revista
consultou Mauro Sancovsky, ginecologista e obstetra especializado em diabetes do Hospital
Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Segundo ele, é a partir da segunda metade da
gravidez que a mulher terá mais glicose no sangue para atender ao bebê que está crescendo.
As mães que desenvolvem o diabetes gestacional não conseguem adaptar sua produção de
insulina a essa fase . Eu pergunto: de onde vem essa glicose? Do que ela come ou da
depleção de glicogênio ou gordura? Aposto que é da dieta açucarada. A natureza não dá
ponto sem nó: se o organismo da grávida providenciasse mais glicose a partir de suas
reservas, o pâncreas seria instado a produzir mais insulina. A brecha do sistema é a boca,
por onde as mulheres mandam açúcar para dentro. E esse fermento biológico doce é que
faz o bebê crescer demais .
Minha hipótese é fácil de ser derrubada através de uma pesquisa barata: basta
isolar dois grupos de gestantes e de um deles retirar a sacarose refinada de sua dieta. Meu
prognóstico: só surgirão casos de diabetes gestacional no grupo das comedoras de açúcar.
Vale o axioma: quanto maior for a quantidade de açúcar ingerida maior será o números de
casos de diabetes gestacional. E ainda - qual jogador de xadrez seguro de seu jogo que
oferece uma peça importante ao adversário- deixo incluir no grupo das grávidas-açúcarzero
aquelas que os médicos entendem como portadoras de predisposição genética ,
filhas e netas de diabéticos.
Vejamos agora os estragos que o açúcar faz no ser humano no nascedouro, uma
tremenda covardia. A seguir uma relação das morbidades e distúrbios do recém-nascido de
mãe diabética. Tudo começa com o próprio bebê agigantado, pesando aproximadamente 4
quilos, que não deve ser saudado como um bebê super-nutrido mas lamentado como uma
manifestação teratológica causada pelo açúcar. Aqui vai a relação: trauma obstétrico, parto
difícil devido à distocia do ombro; asfixia (e suas terríveis conseqüências); fraturas ósseas;
cefalematoma; hemorragias subdural, ocular, de órgãos abdominais e da genitália externa;
hipocalcemia e magnesemia; paralisias facial, diafragmática e cerebral; lesões no plexo
braquial e dos nervos do braço, malformações cardíaca, renal, esquelética e do sistema
nervoso. Sobrou alguma coisa? E isso se o bichinho sobreviver em vez de engrossar as
estatísticas da mortalidade infantil.
Bebê balofo
Distrofia farinácea é um quadro clínico descrito pela escola pediátrica alemã do século
XX. As crianças vítimas dessa condição são gordinhas e apresentam um falso aspecto de
saúde. Trata-se de uma gordura balofa e flácida, devido ao edema que a acompanha,
sobressaindo nas extremidades sob a forma de inchamento no dorso dos pés, das mãos e
das pálpebras. São crianças frágeis, basta uma infecçãozinha de garganta para redundar em
vômitos e diarréia que podem levar à morte.94
Isso acontece com crianças que em vez de se alimentar do leite da mãe são obrigadas
a ingerir alimentos industrializados ( farinhas lácteas , mingaus de maizena ). Tenho dito:
há uma gordura saudável (marrom e vascularizada) que resulta do consumo de alimentos
normais (sem açúcar). Gordura mórbida (branca e flácida) é a que resulta do consumo da
dieta açucarada moderna.
Rugas de açúcar
Em reportagem da revista Veja, de 29.9.04, intitulada "Doutor Celebridade",
ficamos conhecendo o doutor Nicholas Perricone, dermatologista de estrelas do porte de
Sharon Stone e Nicole Kidman e inventor do creme do efeito Cinderela . Segundo a Veja,
Perricone é dono de um império que movimentou, só em 2004, 70 milhões de dólares.
Com mais de uma centena de substâncias patenteadas em todo o mundo, sua linha de
produtos de beleza está nas prateleiras de lojas como Daslu, Neiman Marcus, Saks e
Nordstrom. Um pote de creme pode chegar a custar 570dólares.
Seu livro O fim das rugas ficou 25 semanas na lista dos mais vendidos nos EUA;
outro best-seller dele é Rejuvenescimento total.
O doutor Perricone é autor de uma interessante teoria sobre o envelhecimento: ele
seria resultado de sucessivas inflamações nas células. O remédio? Além dos cremes e loções
criados por ele, uma dieta alimentar rica em frutas, verduras, legumes, alguns tipos de
proteína (como a da clara de ovo) e muito salmão. O peixe é riquíssimo em
dimetilaminoetanol, o nome da substância conhecida pela sigla DMAE, base dos cremes de
Perricone.
Na curta entrevista a Veja por telefone, perguntado sobre qual é a base de sua
teoria antienvelhecimento, respondeu o doutor Perricone: "Depois de vinte anos de
pesquisas, concluí que o envelhecimento se deve a inflamações causadas por substâncias
tóxicas. O açúcar é um dos grandes vilões nesse processo. Tanto que pessoas com diabetes,
que sofrem de
excesso de açúcar no sangue, envelhecem numa velocidade um terço maior do que as não
diabéticas. Em um dos meus livros, digo que as rugas, por exemplo, são uma doença
resultante dessa inflamação e, como tal, podem ser curadas". Que maravilha! A substância
química que vimos focalizando tem mais essa propriedade, vamos arranjar um nome para
ela? Gerontogênica? Seniligênica? Rugogênica?
O tratamento do doutor Perricone funciona pela razão básica de que ele pede que
se retire da dieta o fator patogênico, que é... todo mundo já sabe. Com isso ele estanca o
processo de glicação degenerativa das bonecas, suas clientes. Os cremes de 500 dólares são
o chantili com o qual o homem ganha o dinheiro dele. Amiga leitora, se você zerar o açúcar
tanto faz você comer salmão ou sardinha, abacate ou abóbora, o efeito Cinderela vai
acontecer. Quanto às mulheres que não abandonarem a dieta açucarada, terão que encarar
o efeito bruxa malvada.
94 Maffei, Walter. Os fundamentos da medicina. São Paulo: Procienx, 1967, p. 170.
A luta para largar o açúcar
Se livrar do açúcar não é muito fácil na medida em que nós vivemos o apogeu da
civilização do açúcar. O açúcar impregna de tal forma a dieta do homem contemporâneo
que há uma tendência das pessoas e até de médicos a achar que se trata de uma missão
impossível abolir seu consumo. De fato se pensarmos numa festa de aniversário, nas
prateleiras de um supermercado, na hora da merenda escolar, na vitrine de uma lanchonete.
Uma pessoa que queira evitar o açúcar encontra-se em maus lençóis.
O pior de tudo é que doce está irremediavelmente associado a afeto. Doce é
sinônimo de amor. As pessoas dão doces de presente: os pais aos filhos, os namorados
entre si. A literatura universal e a bíblia já consagraram essa relação. O problema é que o
doce que é sinônimo de amor é o velho doce do mel. O açúcar é um substituto químico.
A ditadura do açúcar já tomou conta do espírito das pessoas: os próprios cidadãos,
o seu vizinho, seu colega de trabalho, sua namorada se encarregam de defender e justificar
a ditadura.
Conheço gente que defende com unhas e dentes o uso de açúcar, com os seguintes
argumentos: todo mundo sabe que açúcar faz mal , ninguém é obrigado a comer
açúcar , açúcar é para ser consumido com equilíbrio , basta consumi-lo e praticar
exercício , não se pode criar uma paranóia anti-açúcar , a quantidade de açúcar que
existe no pão e nos biscoitos é pequena . E fazem isso por amor, sem ganhar um centavo
dos fabricantes de açúcar.
Quando Lúcia Fávero disse, no tópico sobre menopausa, que é um vício fácil de
abolir. Ela certamente pensou apenas no açúcar do açucareiro e não no infiltrado em quase
tudo o que entra pela boca.
Todos nós somos assediados pelo açúcar a toda hora, nas ruas, dentro do ônibus,
trem ou metrô, no sinal de trânsito, por camelôs e vendedores ambulantes. A propaganda
de porcarias açucaradas é massiva e intensiva. Em muitas situações na vida moderna você
está com fome e só tem diante de si duas alternativas: açúcar ou açúcar. Por causa disso
falo com naturalidade em ditadura.
Vejam o que aconteceu com Wiliam Duffty quando resolveu largar o açúcar:
Comecei a manhã seguinte com uma firme decisão: joguei fora todo o açúcar que tinha
em casa. Depois joguei fora tudo o que continha açúcar: cereais e frutas enlatadas, sopas e
pães. Como nunca havia lido os rótulos com atenção fiquei chocado quando vi as
prateleiras vazias; o mesmo com a geladeira .95
Duffty descreve uma cena cômica em que ele, igualmente imbuído do firme
propósito de não comer açúcar, entrou num restaurante e pediu sopa de frutos do mar.
Terminada a refeição, ao se dirigir ao caixa para pagar a conta viu nas prateleiras que a sopa
era enlatada e continha açúcar. Shit!
Para se livrar do açúcar você tem que virar uma espécie de detetive e leitor
contumaz das informações dos rótulos especialmente a lista dos ingredientes. Lembre-se
que eles são relacionados por ordem decrescente de quantidade. Já viu qual é o primeiro
95 Dufty, William. Op. cit. p.12.
ingrediente da lista da lata do achocolatado? O problema é que o açúcar não é somente o
agente adoçante do açucareiro. Alimentos industrializados em geral contém açúcar,
inclusive os salgados: biscoitos, massas, sucrilhos, milhos e ervilhas enlatados, pizzas e
lasanhas congelados, lingüiças, presuntos, blanquet de peru. Enfim, quase todos os
alimentos processados inclusive os menos suspeitos como molho de pimenta, maionese ou
extrato de tomate. E ainda tem o problema constituído pelo fato do governo não obrigar
os fabricantes de alimentos a mencionar a quantidade de açúcar adicionada ao poduto. Em
alguns deles como leite condensado, catchupe, ou achocolatado a quantidade de açúcar
deve ser imoral. É comum, ainda, não se mencionar que contém açúcar ou sacarose
fazendo-se referência apenas a carbodratos . Você é obrigado a virar um detetive
paranóico.
Outro dia fiquei chocado ao verificar que frango a passarinho congelado e
temperado continha açúcar. O pão que sempre comi, integral, de fôrma, continha açúcar.
Hoje tenho que procurar a versão integral, light que mencione explicitamente sem
açúcar , ou melhor ainda sem adição de açúcar . Às vezes acrescido de sem gordura
(em casa eu corrijo esta deficiência passando manteiga no pão). A menção à gordura é um
expediente da ditadura para desviar a atenção botando a culpa nos outros. Recentemente o
sal também passou a aparecer como criminoso junto com o açúcar.
Missão impossível? Para mim a missão é só aparentemente impossível: o que
sustenta a dominação do açúcar é a desinformação, a mentira e a meia verdade.
Uma boa campanha informativa ensejará o nascimento de uma consciência contra
o açúcar. Todo mundo pensa em açúcar como sendo um alimento doce e natural.
Quando as pessoas souberem o que é de fato o açúcar - um aditivo químico patogênico
cujo menor mal que faz é provocar cárie - acredito que naturalmente todos começarão a
abandoná-lo.
Outro passo importante será a reabilitação da doçaria baseada em frutas
desidratadas, mel e adoçantes. Antes do fatídico advento do açúcar na história todos os
doces eram feitos com mel. Além do estímulo ao consumo das frutas frescas que são o que
de melhor existe em termos de doçura.
A culinária é um dos principais mecanismos de reprodução da civilização do açúcar.
Existem é claro, algumas culinárias alternativas: a naturalista, a de algumas religiões, a
macrobiótica que, umas mais outras menos, têm noção do mal que o açúcar faz. A culinária
à base de mel precisa ser reabilitada, e um primeiro passo nesse sentido seria os
profissionais de saúde informar às mães que doce não é sinônimo de açúcar e que com o
mel é possível fazer toda uma doçaria que substitua a tralha açucarada imposta a toda a
sociedade.
O uso de adoçantes vem crescendo mais por conta da luta contra a obesidade. Mas
os adoçantes terão um papel impotante na derrocada da civilização do açúcar e do fim da
era das doenças crônicas.
Fica faltando apenas o Governo fazer a sua parte com as seguintes medidas:
baratear os alimentos saudáveis , isto é, sem açúcar; encarecer com impostos as porcarias
açucaradas; proibir a propaganda; na parca propaganda permitida obrigar a exibição de
advertências do Ministério da Saúde; incluir nos livros de Programas de Saúde um capítulo
falando a verdade sobre o açúcar (ofereço-me para escrever esse capítulo). Até o dia da Lei
Áurea Nutricional - a probição definitiva de adição de açúcar nos alimentos. Se quiserem
fabricar açúcar para misturar com cimento, nenhum problema. Para quem não sabe o
açúcar retarda a secagem do cimento permitindo ao pessoal da construção civil uma
margem maior de manobras.
Para mim, largar o açúcar foi uma alegria. Como com prazer redobrado meu pão
sem açúcar e bebo com prazer triplicado minha cerveja e meu vinho sem açúcar. Abolir o
açúcar ainda tem a vantagem de que vão para a lata do lixo, juntamente com o açucareiro, a
cárie, a obesidade, o diabetes e outras doenças crônicas e degenerativas.
Supermercado, o templo da perdição
Na perpetuação da ditadura do açúcar, rumo ao império de mil anos, sonho nazista
que terei o prazer de ajudar a destruir, o supermercado é um dos principais instrumentos.
É no supermercado que o povo abastece a geladeira e a dispensa e é das prateleiras dos
supermercados que o açúcar é empurrado para o carrinho de compras num gesto mecânico
animado pela propaganda com a qual a dona de casa foi bombardeada no horário nobre da
TV. É difícil você ver um carrinho de compras no qual não esteja presente a fatídica
latinha de leite condensado. A propaganda dessa coisa é tão abusiva que até parece um
produto de primeira necessidade nutritiva. O açúcar não entra no carrinho apenas na
forma que lhe é própria, de pó ou cristais mais ou menos brancos. O grande perigo a que
todo o povo está exposto é o açúcar que vai de contrabando nas mais variadas formas e
disfarces, presente numa infinidade de produtos que ninguém imagina que contenham
açúcar .
De modo, meus amigos, que quando vocês entrarem num supermercado fiquem
em estado de alerta e prestem atenção no que estão colocando dentro do carrinho. Para
quem quer escapar das malhas da ditadura do açúcar, dentro do supermercado existem
poucas áreas seguras: apenas o açougue, a peixaria e o setor de horti-fruti; em todos os
outros setores o açúcar fincou seu tacão. Sugiro a adoção do seguinte método: procure
dividir os produtos dos supermercados em dois campos - coisas de se comer e coisas que
não se comem. Quando se tratar de coisas de se comer a atenção tem que ser redobrada,
porque disso depende sua saúde - e a de seus filhos, se os tiver. O verdadeiro campo
minado do supermercado é justamente o setor de supérfluos: biscoitos, massas, sorvetes,
doces, refrigerantes, bebidas alcoólicas, alimentos congelados, processados ou embutidos,
enlatados e envasados. A quase totalidade desses produtos está impregnada de açúcar,
como agente químico adoçante ou conservante; e em ambos os casos o açúcar adiciona
calorias inúteis e nocivas. Os produtos supérfluos justamente por serem industrializados
custam mais, o que significa que se abastecendo deles você se envenena e ainda paga caro
por isso.
Dieta açucarada em flagrante
01. Leite Longa Vida 06. Cerveja
02. Açúcar 07. Papel higiênico
03. Café 08. Sabão em pó
04. Leite Condensado 09. sabonetes
05. Refrigerante 10. Limpadores Multiuso
Base: Outubro, 2003.
Acima temos os dez produtos de consumo popular mais vendidos, segundo o Sé
On line www.se.com.br . Essa tabela é um retrato hiper-realista do apogeu da civilação do
açúcar. Das seis coisas de se comer ou beber (os outros têm a ver com higiene e limpeza)
uma é o próprio açúcar (um absurdo segundo lugar para um troço que é apenas um aditivo

adoçante) os outros são usados como transportadores do veneno para a barriga do povo.